Movimento Social

Considerando os muitos requerimentos que o consumo ético, solidário e ecológico implica, e também a sua transversalidade, a Rede Ecológica tem cada vez mais desenvolvido atividades externas, buscando alimentar mudanças ideológicas e estruturais na sociedade. Algumas das atividades externas da Rede estão ligadas à produção e aos agricultores, e outras ao consumo e à informação para os consumidores.

A situação dos agricultores familiares do município do Rio é muito complicada. Eles têm enorme dificuldade para a obtenção da DAP (Documento de Aptidão ao Pronaf), que é um dos requisitos para poder se beneficiar de políticas públicas como o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos). Dados do censo agropecuário de 2006 (atualizaremos em breve) mostram que, na época, de um total de 1054 estabelecimentos rurais no município, 790 eram de agricultores familiares. Porém, apenas 29 desses agricultores familiares possuíam DAP (o que representa 3,7%) (dados de DAP retirados do site do MDA – Ministério do Desenvolvimento Agrário).

Além disso, a agricultura não é reconhecida no Plano Diretor do município do Rio de Janeiro de 1992 – que não preservou a área destinada às atividades agrícolas – nem na revisão do Plano e no novo zoneamento da cidade sancionado em fevereiro/2011 pelo prefeito Eduardo Paes. Não foram sequer preservadas as áreas agrícolas já existentes. Leia aqui o Plano Diretor (Lei Complementar nº16, de 04 de junho de 1992): http://planetaorganico.com.br/arquivos/planodiretorrj1992.pdf.

Um exemplo de atividade externa da Rede é a representação junto ao Consea, Conselho de Segurança Alimentar, com forte ênfase à agricultura urbana. Graças a uma iniciativa da Rede Ecológica foi criado um Grupo de Trabalho (GT) de Agricultura Urbana e Educação Alimentar (confira o ppt ao final da página, com outras informações sobre o trabalho deste GT).

A Rede Ecológica participa ainda de fóruns como a Articulação de Agroecologia do Rio de Janeiro e da Rede de Agricultura Urbana da cidade, apoiando o trabalho de dar visibilidade e legitimação para a agricultura urbana do município.

Vários associados da Rede estão também envolvidos com o SPG, Sistema Participativo de Garantia, que está há um ano em implantação como forma de certificar como orgânicos ou agroecológicos os agricultores que abastecem a Rede, especialmente os que encaminham os frescos.

Com foco nos consumidores, são desenvolvidos trabalhos relacionados ao reaproveitamento de embalagens, ao agroturismo e a campanhas (desde 2011 a Rede Ecológica participa da Campanha contra os agrotóxicos e pela vida). Em 2013 foi também criada, na Feira Agroecológica da Freguesia, a Campanha Xô Saco Plástico.

Todas estas atividades conferem à Rede Ecológica as características de um verdadeiro movimento social.