Entrega de Cestas do CAC

Adriana Camargo, diretora do CAC, nos presenteia com um esclarecedor texto sobre o processo que ali está acontecendo:

Nos dias 22 / 25 de junho e 8 de julho, distribuímos na Escola do Centro de Atividades Comunitárias – CAC as cestas de alimentos frescos doadas pela Rede Ecológica através do Programa Campo e Favela de Mãos Dadas Contra o Corona e a Fome, que durante a Pandemia tem distribuído alimentos em várias comunidades no Estado do Rio de Janeiro fazendo com que alimentos saudáveis e sem agrotóxicos cheguem a mais pessoas e que os pequenos produtores consigam sobreviver. Decidimos fazer a distribuição de 20 em 20 famílias.

Foi uma experiência forte, pois mais do que levar alimentos, nesse momento difícil para todos, resolvemos trazer as famílias a escola e viver esse novo normal. Nos encontramos no quintal do CAC, em grupos de 10 pessoas, sentados em cadeiras afastadas umas das outras, usando máscaras e higienizando as mãos ao entrar na instituição. Também pedimos que todos levassem uma sacola retornável: uma boa situação para exercitar essa prática tão importante de usar menos plástico no dia a dia.

Foram momentos de conversa sobre a Pandemia, sobre a decisão da Escola do CAC em postar no Facebook materiais complementares, voltados para o acesso a cultura: músicas, histórias e informações, com o objetivo de aproximar as crianças e as famílias da escola, pontuamos, famílias e escola, as inúmeras dificuldades que o ensino remoto apresenta e as incertezas quanto os próximos meses. Mas, o que mais marcou foram as conversas sobre alimentação e sobre a criação de uma horta comunitária, mostrando que mesmo em um momento tão difícil e diferente é possível sonhar com algo que vai nos ajudar a viver melhor: Constituir um grupo de agricultura urbana no CAC. Vimos que todas as experiências que tivemos no nosso quintal foram sempre experiências individuais e quando, por algum motivo, aquela pessoa precisava se afastar, não tinha ninguém para seguir com o trabalho. Por isso a importância de termos um grupo que também vai possibilitar uma produção maior e diminuir o trabalho para todos.

Nas conversas sobre os alimentos que vieram nas cestas ouvimos crianças dizendo que gostam de quiabo e crianças que não conheciam alguns alimentos, vimos que muitas famílias consomem mamão verde, polpa de Jenipapo, confirmamos o sucesso do aipim, mas novidade mesmo foi a Capiçoba – uma PANC (Planta Alimentícia Não Convencional) que pode ser feita igual a couve. A Escola do CAC ainda acrescentou um livro de literatura infantil a cada cesta, garantindo que uma das principais linhas do trabalho da Escola do CAC seja mantida: a promoção da leitura e a importância da literatura para o desenvolvimento de nossas crianças. Junto aos livros foi enviada uma carta falando sobre a importância de alimentos sem agrotóxicos e sobre usos do limão galego, um dos alimentos entregue.

As entregas das cestas exigiram um grande esforço psicológico: tivemos o atraso das cestas no primeiro dia, a troca da data na terceira cesta, a destruição das fechaduras do portão e de uma das salas de aula, assim como os cadeados dos banheiros externos – tudo isso na segunda entrega, junto com o arrombamento de um dos prédios da instituição. Além dessas eventualidades, ainda tivemos a dificuldade em acessar as famílias já que nem todas estão no Facebook e precisamos organizar esse contato via whatsapp, o que foi um trabalho importante para a escola, mas que gerou uma demanda a mais em um curto espaço de tempo. O contato via whatsapp foi importante para que as famílias recebessem as informações sobre os cuidados necessários para o encontro na escola, como uso de máscara e levar a bolsa retornável entre outras orientações, ou seja houve todo um movimento anterior a entrega das cestas, para que ela acontecesse. Contamos com bolsistas da UERJ na preparação dos convites individuais informando horário e as orientações, que foram enviados pelo whatsapp. Ainda foi necessário garantir que 20 famílias fossem buscar os alimentos na escola, para que nenhuma cesta ficasse sem chegar às pessoas que precisam, assim tivemos que fazer contatos com famílias que receberiam em outra data para ver quem poderia ir buscar naquele dia.

Essa foi mais uma ação realizada com a Rede Ecológica e que nos mostra que mesmo em um momento tão adverso como esse em que vivemos, é possível sonhar com um mundo melhor. E mais ainda, é possível dar passos rumo a realização desses sonhos!!!

Aproveitamos para divulgar uma descrição do quintal, preparada por Rafael Moura, que ajuda a entender os desafios e os encantamentos deste espaço.

Projeto_CAC_2020

Rua Solidária em Ação

O primeiro território do qual a Rede Ecológica se aproximou foi o Projeto Juca, em março, quando Julia Stadler se aproximou por sua própria iniciativa, arrecadando dinheiro da Alemanha, para apoiar este grupo voltado para população de rua. Importante sua fala agora: Uma grande preocupação nossa é não simplesmente alimentar – o alimento é importante – mas procurar saídas – saídas individuais, saídas coletivas, para afastar as pessoas da rua.  Bruno Aguiar também integra o grupo.

Um exemplo pode ser ajudar pessoas que estão indo para a rua para obter uma refeição, porque estão sem condições de se alimentar, mesmo tendo um teto. A gente procura ajudar estas pessoas para elas não irem para a rua. Estão em vulnerabilidade aguda, nas ocupações também tem isso. Apoiar as ocupações é um jeito de manter as pessoas fora da rua, de evitar que eles cheguem na rua. Sempre lembrar que a rua não é o ponto final. Estamos apoiando pessoas que estão com vulnerabilidade de chegar na rua.

Vânia Rosa, a frente do Rua Solidária tem apoiado muito estas pessoas, buscando dar soluções.
Ao longo destes últimos meses, ao redor de Julia, integrantes de seu núcleo, Santa Teresa, foram se envolvendo; Márcio Rangel, que neste momento em que Julia passa alguns meses fora do Brasil, assume seu lugar presencial, junto com Erika Martins e Ricardo Galhardo, que preparam o material gráfico que vocês podem ver abaixo.

Importante destacar o fato de que ao redor de cada território da campanha estão associados da Rede, que sensibilizados, se aproximam das mais variadas formas: acompanhando diretamente, produzindo material gráfico, contatando produtores, etc.

Estamos ainda, além das notícias dadas anexando um vídeo que fala dos auxílios que surgem para a população de rua, e nele a Rua Solidária também é abordada. Seguem as notícias mais recentes: https://globoplay.globo.com/v/8714904/

 

Roda de Conversa - Experiências e desafios para a comida de verdade e soberania alimentar nas periferias: qual o papel da cozinha?

O próximo encontro da Rede Ecológica está definido! Trata-se da Roda de Conversa: Experiências e desafios para a comida de verdade e soberania alimentar nas periferias: qual o papel da cozinha?, que será realizado no dia 12 de agosto de 2020, das 18:00 às 21:00 horas.

Nela, conversaremos sobre as experiências envolvendo a comissão de cozinha, criada na Rede Ecológica em 2017, como uma das ações do Programa Campo e Cidade se dando as mãos na Baixada Fluminense.

Belos trabalhos têm sido desenvolvidos por esta comissão, que tem um papel decisivo na mudança de postura em relação aos alimentos agroecológicos e seu preparo, a partir de oficinas realizadas pelo grupo.

A comissão está ajudando a como a Campanha Campo e Favela contra o Corona e a Fome pode ir além de uma ação assistencialista, um desafio colocado.

Valorizar a comida de verdade, o alimento local e agroecológico, entendendo sua importância tanto para a saúde quanto para a economia solidária, é fundamental para que aconteça o desejo de tê-los de modo mais permanente nos territórios onde a Campanha atua. A cozinha como uma forma de usar a criatividade para fazer uma comida gostosa e saudável aproveitando ao máximo os alimentos produzidos pelos assentamentos de Reforma Agrária e famílias agricultoras da Baixada.

Os fundamentos da Campanha são o incentivo à agricultura urbana e à solidariedade entre campo e favela, assim como o aproveitamento pleno do que elas possam oferecer como alimento e refeição. E incentivar o desejo e a possibilidade das populações das periferias terem acesso aos alimentos agroecológicos de um modo constante. Uma tarefa complexa, mas que esta campanha busca colocar em ação, já que o vínculo com produtores locais agroecológicos está acontecendo.

E tem a seguinte estrutura:
Moderação: Denise Gonçalves (Rede Sumá -Itaipava, que já foi núcleo da Rede Ecológica)
Abertura: Bibi Cintrão (Núcleo Santa Teresa – Rede Ecológica)
Experiências:
CAC – Centro de Atividades Comunitárias de São João de Meriti: Beth Bessa (Núcleo Grajaú – Rede Ecológica)
CEM – Centro de Integração na Serra da Misericórdia: Ana Santos (CEM e Núcleo Grajaú/Rede Ecológica)
Coletivo de Mulheres Hydras do Terra: Juliana Wu (MST-Assentamento Terra Prometida)

Paralelamente os integrantes da comissão de cozinha estão trabalhando para confeccionar uma nova edição do caderno de receitas publicado pela primeira vez em 2018. A edição será voltada para o público das periferias, atendido pela Campanha, com uma linguagem mais simples e direta, mas repassando todos os conteúdos importantes em relação ao máximo aproveitamento desta comida de verdade ao prepará-la para evitar o desperdício. Estes cadernos serão doados a integrantes dos territórios, mas disponibilizaremos também para nossos associados, e esta pode ser uma forma de associados ajudarem a cobrir os gastos com esta edição.