CEM e Coletivo Terra: um grande encontro

Foi maravilhosa a entrega de frescos que aconteceu no Complexo da Penha, um dos sete territórios onde a campanha Campo e Favela de mãos dadas está atuando:

“Dá licença aê, dá licença…”

Hoje realizamos a 1ª. entrega das cestas agroecológicas “Campo e Favela de mãos dadas contra o coronavírus e a fome”, projeto coordenado pela Rede Ecológica, realizando a doação de cestas agroecológicas enquanto direito!   Financiado pela Fiocruz, o projeto conta com 5 grandes parceiros: “Fundação Angélica Goulart”, “Sim eu Sou do meio”, “Plano Popular das Vargens”, “Juca e o Coletivo Rua Solidária” e o CEM, que desde março – junto a “morador@s” e outros apoiadores como a “Bemvindo”, “As-pta”, “Instituto PACS”, “Feira Orgânica de Olaria/ABIO” e  pessoas físicas –, estão engajados a fazer cumprir esse direito!

Os alimentos neste projeto são produzidos pelo Coletivo Terra, no assentamento de reforma agrária Terra Prometida, na região de Tinguá.

E Antes da feira, rolou uma prosa muito potente com o militante e agricultor Cosme Henrique Gomes, cuja família há gerações luta por reforma agrária:

– Essa troca junto aos agricultor@s faz chegar saúde, luta, valorização, troca, afeto, fortalecimento para a agricultura urbana na Serra da Misericórdia! É gente que conheço, confio e apoio! E você sabe de onde vem seu alimento?, indaga com vigor, Cosme, em seguida respondendo.

Na sequência do evento, Ana Santos, líder do CEM, dirigindo-se a Cosme Henrique Gomes, tomou a palavra com entusiasmo, e falou sobre o encontro:

Ouça aqui:  Ana Santos, líder do CEM, dirigindo-se a Cosme Henrique Gomes

Neste áudio, você pode perceber toda a força que a interação campo cidade pode ter! Isto é forte demais! Principalmente quando os produtores se referem ao assentamento, à Reforma Agrária, aos produtos, “isso tudo chegando à cidade onde as pessoas também estão plantando”, comemoram!

Assentamento Oswaldo Oliveira: fortalecendo o acampamento Edson Nogueira

Outra notícia importante é que nós estamos conseguindo apresentar os sete territórios e seus processos sob a forma de mutirão em rodízios de tarefas, Assim, por exemplo, hoje trazemos o que tem acontecido no assentamento Oswaldo de Oliveira, em Macaé, único espaço rural atendido pela campanha Campo e Favela de mãos dadas contra o Corona e a Fome. Com Silvano Leite, um dos líderes, ficamos sabendo que houve inicialmente duas entregas da produção adquirida pela Rede Ecológica, conforme ele mesmo revela:

“A gente não realizou entregas. Estávamos, internamente discutindo, a partir de interação com a Rede, a manutenção das entregas em uma única comunidade, a fim de reforçar os vínculos com uma e não com várias. Tivemos amplas discussões e  chegamos à conclusão da importância de mantermos as ações no nosso acampamento Édson Nogueira,  por vários motivos:

1º. Para fortalecer a cozinha comunitária que lá existe;
2º. Para incentivar as famílias acampadas a produzir alimentos saudáveis;
3º. Para realizar oficinas de culinária (por exemplo, a oficina de Produção de doces e pães);
4º. Para construir de forma coletiva um refeitório, já que em tempo de chuva, é muito difícil se alimentar no espaço coletivo;
5º. Para melhorar a infraestrutura da cozinha coletiva.

São estas as propostas de desenvolvimento que queremos com este apoio e contamos com está e outras parcerias”

É muito bonito ver esse foco da parte deles em articular o recebimento de alimentos com ações e atividades de trabalho que empoderam e constroem autonomia. Algo neste sentido também já está sendo colocado desde o início em um outro território, o CAC, sobre o qual falaremos a seguir.

 

Assista clicando aqui video de Silvano

A primeira ação no quintal do CAC

O CAC teve sua primeira ação e chegada com a limpeza do espaço, tomando já algumas iniciativas. Importantíssimo, porém, destacar, antes de qualquer coisa, o modo como este trabalho vem sendo construído coletivamente através de um grupo criado no whatsapp, onde as questões são bem discutidas e as tarefas distribuídas. Nesse processo, um agradecimento especial deve ser feito a Beth Bessa e Jussara Bueno da Costa que fizeram contato com as famílias interessadas, além de terem se comprometido a acompanhá-las no processo.  Também a Ítalo Albuquerque e Sergio Lima, que já têm experiência com agroecologia e já estavam presentes, atuando como interlocutores com Rafael Moura, à frente do processo, o que valorizou muito a possibilidade de absorver o raciocínio relativo a como trabalhar o desafio que esta ação representa.

Eis observações de Rafael, relativamente às pessoas presentes: “a empolgação de tod@s… uma destacando a horta como uma terapia, outra falando do avô… relembrando a triste marca da escravidão de pessoas naquele lugar. Houve registro sobre a solidariedade que aumentou nestes tempos de pandemia.  Neste mesmo dia, lembra Rafael, as pessoas receberam sua primeira cesta, o que também deu muita satisfação. Futuramente estarão colhendo estes produtos ali pertinho! “ concluiu.