# Receitas Ecológicas da Comissão de Cozinha da Rede - Algumas Dicas para o Aipim

O aipim deve ser cozido com bastante água, até ficar bem macio. Demora um pouco a cozinhar e pode ser feito na pressão (15 a 20 minutos). Podemos guardá-lo depois de cozido por alguns dias na geladeira (na própria água do cozimento). Na hora de servir, pode ser aquecido na própria água ou grelhado numa frigideira com manteiga e incrementado com queijo para derreter.

O aipim cru estraga muito rapidamente quando em contato com o ar. Mas se conserva por mais de 10 dias na geladeira, quando guardado dentro da água, com a casca (em potes reaproveitados de sorvete, por exemplo) ou descascado. Tanto cru quanto cozido ele pode ser congelado, mantendo todas as suas características.

O aipim cozido e batido no liquidificador pode ser congelado em forminhas e utilizado para engrossar caldos e sopas, substituindo o amido de milho (nossa conhecida “Maizena”), atualmente produzido com milho transgênico.

Usando-se a criatividade podemos aumentar em muito o nosso consumo de aipim, assim ajudando os produtores familiares, consumindo um produto mais rústico, que exige menos químicos e, ao mesmo tempo, saudável, saboroso e versátil.

VAMOS ÀS RECEITAS!

Receita 1 – Chips de mandioca

água suficiente para cozinhar até desmanchar sal e temperos secos a gosto

Pique a mandioca, cubra com água e leve ao fogo para cozinhar até a raiz se desmanchar. Junte mais água sempre que for preciso. Quando estiver com consistência de mingau fino, passe por peneira e tempere com um pouco de sal. Unte uma assadeira grande com manteiga (camada muito fina) e vá pingando porções de 1 colher de sopa, deixando espaço entre elas. Espalhe com uma colher  para ficar uma camada fina de massa. Ou faça cordões em vez de rodelas. Polvilhe por cima o que quiser: orégano, flocos de  pimenta,

queijo ralado, gergelim preto, etc. Leve ao forno médio e deixe assar por cerca de 20 minutos ou até que os chips fiquem dourados. Se quiser que fiquem curvados, vire com cuidado, com uma espátula, e deixe assar por alguns minutos (cuidado para não deixar dourar demais).

Veja mais receitas com mandioca nas próximas Cartas Semanais ou adquira o seu Caderno de Receitas, na próxima chamada de Secos!

 

#ReceitasEcológicas - Aproveitamento das sementes de abóbora

 

 

Tira-gosto de Semente de Abóbora

(Juliana Diniz)
As sementes de abóbora não precisam ser jogadas fora: se colocadas de molho, separadas das fibras da abóbora e torradas (no forno ou na frigideira), podem ser comidas como tira-gosto, com
sal. Mas podem também virar uma farofa.

 

 

Farofa de semente de abóbora 

(Juliana Diniz)
Lave as sementes para retirar as fibras da abóbora. Coloque numa frigideira aquecida sem gordura, de preferência de fundo grosso, deixando tostar em fogo baixo. Bata no liquidificador até
virar uma farinha. Uma boa farofa leva um pouco de tudo o que está à mão: cebola, alho, pimenta, cheiro verde, ovos cozidos e sobras de legumes picados. Misture à farinha de abóbora já dourada alguma gordura (azeite, banha, manteiga), acrescente um pouco de fubá para aumentar a quantidade. A cebola entra no final e fica no fogo baixo alguns minutos, assim mantém-se crocante e dá mais sabor à farofa.

Cajuzinho de semente de abóbora

(Irma Bello)
Junte sementes de abóbora (pode ir congelando). Seque no sol ou forno, torre na panela até cheirar a amendoim. Bata no liquidificador e coe em peneira bem fina. Para cada xícara dessa farinha, coloque uma colher de sopa de cacau em pó e meia colher de café de canela, uma colher de sopa de açúcar mascavo. Coloque mel até dar ponto de modelar os cajuzinhos.

#Receitas Ecológicas - Caldos-Base de Legumes e Outros

Os caldos (de legumes, de carne, de peixe, de galinha) são uma forma saborosa de aproveitamento de partes não utilizadas dos alimentos: cascas, talos, ossos, espinhas, etc. Os caldos feitos em casa estão na origem dos caldos comprados nos supermercados. No entanto, estes caldos são normalmente hiper-industrializados e levam muitos produtos químicos – como corantes, saborizantes e aromas artificiais) que, além de fazerem mal à saúde, não têm os nutrientes dos caldos naturais.
Os caldos caseiros são uma ótima forma de aplicar na cozinha o princípio dos “três Rs”, reduzindo o desperdício e reaproveitando alimentos, diminuindo a quantidade de lixo gerado. Ao chegar da feira e antes de guardar os alimentos na geladeira, ou mesmo na hora de prepará-los, podemos fazer o caldo e deixar guardado para ser utilizado posteriormente. Outra ideia é guardar na geladeira um pote com as partes não utilizadas e fazer o caldo num momento em que se esteja cozinhando. Os caldos podem ser usados em qualquer preparação, substituindo água ou leite: no arroz, no feijão, em sopas e em receitas salgadas. Podemos também congelar o caldo depois de feito em forminhas de gelo, usando-o quando necessário, substituindo assim os caldos industrializados, saboreando comidas muito mais gostosas e saudáveis. VAMOS AOS CALDOS!

COMO FAZER OS CALDOS:

Numa panela com bastante água coloque tudo o que seria descartado e que está em bom estado. Deixe ferver mais ou menos meia hora para ficar concentrado e saboroso. Passe o caldo por uma peneira e utilize apenas o líquido.

Obs.: Não coloque sal, que será adicionado depois, diretamente nas receitas.

No caso do caldo de legumes, pode-se utilizar cascas (da cebola, do alho e de qualquer legume), talos e folhas (incluindo aquelas já amareladas), pontas (de cenoura, quiabo, berinjela, etc.). Também adicione temperos (a gosto e sem medo) como louro, gengibre, cúrcuma, cheiro verde, talos de salsinha, ervas aromáticas diversas, folhas de aipo/salsão, folhas de erva-doce/funcho ou outro qualquer.

É importante acrescentar um pouco de gordura (banha, azeite, óleo), pois é ela que guarda aromas e sabores. A este caldo, pode-se adicionar os diferentes tipos de carnes:

Para um caldo de carne e/ou frango, junte à receita acima peles, ossos, cartilagens, cabeça e pés de frango; ou pedaços de carne dura, com ou sem cartilagens e ossos; ou espinhas, ossos e aparas de peixe. Deixe uma hora ou mais, até atingir a concentração desejada.

Para um caldo de frango ou carne mais leve, deixe esfriar e coloque na geladeira num pote de vidro ou vasilha de louça. Quando estiver bem gelado a gordura em excesso se cristaliza por cima, podendo ser retirada com uma colher, guardada num vidro e usada para cozinhar, como qualquer outra gordura. Desse jeito o caldo fica desengordurado e menos calórico.

Nos caldos de peixes, a cabeça dá caldos deliciosos e pode ser comprada em feiras por preços baixos. No caldo de camarão podemos utilizar tudo o que é descartado: cabeça, casca e rabo. Neste caso, coloque tudo na panela sem a água e frite bem antes (não precisa colocar gordura: ele solta a própria gordura e frita nela) e depois adicione a água, para ferver até a consistência desejada.

Esses caldos são extremamente nutritivos e podem substituir as carnes numa refeição. Lembram-se que o caldo de frango é um santo remédio, usado amplamente por nossas avós! Ajuda na convalescença e no fortalecimento de pessoas doentes.