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Nestlé e o fim da Era Brabeck, por Franklin Frederick

“O século XX tem sido caracterizado por três desenvolvimentos de grande importância política: o crescimento da democracia, o crescimento do poder corporativo e o crescimento da propaganda corporativa como um meio de proteger o poder corporativo contra a democracia”. (Alex Carey)

Na quinta-feira, 06 de abril, Peter Brabeck-Letmathe, 72 anos, participou pela última vez da Assembléia Geral da Nestlé como Presidente do Conselho de Administração. Ele trabalhou 50 anos para a Nestlé, 20 anos como Presidente do Conselho. Ninguém pode negar que ele é um homem muito inteligente e um brilhante estrategista, sempre pronto a defender suas ideias em público. Ele tem aparecido com tanta frequência em filmes e na mídia em geral que se tornou um tipo de celebridade dentre os diretores executivos. Ele e seu compatriota Arnold Schwarzenegger, com quem compartilha muito em comum, são provavelmente os mais conhecidos austríacos contemporâneos no mundo. Suas opiniões sobre Economia e Política parecem vir como um direito de nascimento natural diretamente da Escola Austríaca de Economia que surgiu em Viena no final do século XIX, como “uma reação contra as reformas socialistas. Opondo-se aos regulamentos públicos e à propriedade, a Escola Austríaca criou um universo paralelo no qual os governos não aparecem senão como uma carga (…)” de acordo com o economista Michael Hudson.(1).

Em suas respectivas capacidades – Peter Brabeck como diretor executivo da Nestlé e também como membro do Conselho de Administração de várias outras companhias; Arnold Schwarzenegger como Governador da Califórnia – eles fizeram todo o possível para proteger o mundo contra o mal do Estado de Bem-Estar Social, defender as empresas privadas das regulamentações governamentais e caçar o Bem Comum onde quer que pudessem encontrá-lo, pregando o Evangelho da Privatização como a salvação da economia, ou mesmo da civilização em si. No entanto, foi Peter Brabeck e não Arnold Schwarzenegger quem conseguiu uma influência mais profunda e duradoura sobre a economia e a sociedade em geral. Portanto, é importante ter um olhar mais atento sobre o seu legado.

Uma das principais realizações do Peter Brabeck é a criação do Water Resources Group (WRG), uma mistura de “think tank” com um grupo de lobby e uma agência de desenvolvimento promovendo parcerias público-privadas no setor de água. Ele é Presidente do WRG e não há indicação até agora de que vá se aposentar também desta posição. O WRG foi fundado pela Nestlé, Coca-Cola, PepsiCo e SAB Miller, os gigantes do setor de água engarrafada. O WRG tem outros membros poderosos e influentes não diretamente ligados ao setor da água engarrafada, como por exemplo,o International Finance Corporation (IFC), membro do Banco Mundial que atua como conselheiro de projetos do setor privado. Philippe Le Houérou, diretor executivo da IFC, é também vice-presidente do WRG. A Agência Suíça para Desenvolvimento e Cooperação (SDC) é também membro do WRG. O diretor da SDC – Manuel Sager – pertence ao Conselho Diretor do WRG, assim como os diretores executivos da Coca-Cola e da PepsiCo.

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Publicado originalmente em:
http://www.thedawn-news.org/2017/05/04/nestle-and-the-end-of-the-brabeck…