Princípios

A Rede Ecológica é uma iniciativa de autogestão que visa a estimular e viabilizar o consumo de produtos éticos, solidários e ecológicos a preços acessíveis, contribuindo para levar os cidadãos a uma reflexão sobre seu estilo de vida. Os princípios que regem o funcionamento da Rede são os seguintes:

1º Princípio – Transparência com os produtores e associados

Partilhar com todos os participantes nosso funcionamento, com seus problemas, avanços e alegrias: isto é feito através da Correspondência semanal, enviada por e-mail, através de um Relatório financeiro encaminhado a cada mês e através de reuniões abertas. As decisões mais importantes são realizadas em miniassembléias abertas a todos os sócios.

2º Princípio – Compromisso

A proposta da Rede extrapola o consumo propriamente dito, diferenciando-se da relação com supermercados, lojas e feiras. Ao fazer a encomenda o consumidor se compromete com seu pedido e ajuda o produtor, que colhe sabendo que terá garantidos a venda e o pagamento de seu produto. Todos os núcleos assumem o compromisso com a sustentação organizativa e financeira da Rede Ecológica.

A associação envolve o pagamento de uma quantia mensal, que garante a infraestrutura remunerada relacionada a transporte e pessoal (entregas, encomendas, financeiro e logística). Em contrapartida, os associados têm acesso ao produto pagando o preço recebido pelo produtor, sem nenhuma margem de comercialização. O compromisso com o pagamento da mensalidade todos os meses do ano é importante para a estabilidade financeira da Rede Ecológica, dado que os custos com pessoal são fixos. Clique aqui para ver o TERMO DE COMPROMISSO.

3º Princípio – Participação

A Rede pratica a autogestão no seu funcionamento, o que exige uma responsabilização de todos os associados em atividades internas ou externas ao seu funcionamento. Por exemplo, no dia da entrega, os próprios consumidores recolhem os produtos encomendados e é preciso auxiliar, na medida do possível, a pessoa que fica na entrega.

Sabemos que este assunto é complexo e difícil para muitos, tomados que somos pelas crescentes exigências e estímulos da vida urbana. Mas acreditamos que a participação é muito importante, tanto para uma maior compreensão da proposta e do funcionamento da Rede Ecológica, quanto para o barateamento dos produtos vendidos. Há um aprendizado a ser feito e pequenos gestos fazem uma grande diferença. As duas grandes formas de participação são as seguintes:

  1. Mutirões: uma vez por mês, na sexta-feira anterior à entrega de secos, os produtos de todos os núcleos chegam dos produtores em um lugar onde deverão ser separados para a entrega em cada núcleo no dia seguinte. A cada mês, 2 ou 3 associados de um núcleo diferente organizam o mutirão (sendo que núcleos maiores organizam mais mutirões). Além dos que organizam, cada núcleo deve fornecer um determinado número de voluntários para o mutirão todo mês.
  2. Comissões: as comissões são grupos de trabalho formados por associados responsáveis por determinadas atividades internas ou externas. Existem diversas comissões (cerca de 15), desde a comissão gestora da Rede até a comissão de representação no Consea (Conselho de Segurança Alimentar), passando pela comissão de acompanhamento a produtores e a comissão de SPG (Sistema Participativo de Garantia), por exemplo. Veja detalhes no site e converse com o responsável pela sua acolhida e com os associados mais antigos para descobrir o que mais lhe interessa. O tempo de permanência nas comissões varia de acordo com o tipo de atividade e com o interesse da pessoa em continuar. Veja aqui todas as comissões da Rede.

    Com o crescimento da Rede Ecológica, é preciso um envolvimento de mais pessoas, permitindo uma maior rotatividade nas comissões e evitando a sobrecarga de poucos.

    É muito desejável também que o associado possa comparecer a pelo menos 50% das reuniões de seu núcleo (divulgadas na carta semanal).

    Em caso de impossibilidade, justificada, do associado participar segundo o estabelecido no Termo de Compromisso, poderá se redefinir em conjunto com o responsável pela acolhida de que outra forma irá contribuir. A vida da Rede Ecológica será mais leve na medida em que as pessoas compreendam que não se trata de um outro tipo de comércio, mas de um projeto amplo, solidário e coletivo, no qual a participação de cada um faz diferença.

    4º Princípio – Preservação ambiental e social

    A Rede Ecológica procura estimular em seus participantes uma reflexão sobre seu estilo de vida e sobre a necessidade de praticar, em todos os seus atos e ações cotidianas, os 3 Rs da ecologia: Reduzir, Reaproveitar e Reciclar, os quais seguem a seguinte ordem de prioridade:

    1º RReduzir ao máximo o consumo e a geração de resíduos, eliminando os desperdícios, rejeitando produtos e embalagens supérfluos, utilizando plenamente os recursos. A Rede incentiva também um consumo diferenciado: ético, preocupado com a justiça social e com a preservação ambiental no processo de produção, estimulando os consumidores a deixarem de comprar produtos relacionados a empresas consideradas “sujas” por desrespeitarem condições ambientais e sociais.

    2º RReaproveitar é buscar a reutilização de materiais, antes de jogá-los fora, bem como evitar o uso de produtos descartáveis. A reutilização pressupõe uma nova mentalidade, que valoriza a preservação do meio ambiente, fazendo uso da criatividade e das habilidades manuais. Ao reutilizar, você dá novo caminho a materiais antes considerados inúteis. Assim, embalagens de vidro e de ovos utilizadas nas compras coletivas, por exemplo, vão e voltam para os produtores.

    3º RReciclar materiais que se tornariam lixo, ou que estão no lixo. Tais materiais são desviados, coletados, separados e processados para serem usados como matéria-prima na manufatura de novos produtos. Por exemplo, plástico, vidro, metal, papel e borracha podem ser usados para fabricar produtos idênticos ou similares ao original. A reciclagem economiza energia e matéria-prima, possibilitando um reaproveitamento dos materiais em escala industrial. Assim, é considerada uma boa opção, mas é a última alternativa em relação às duas primeiras, pois exige um grande gasto de energia, além de frequentemente ser erroneamente interpretado para legitimar a descartabilidade. Já a “reciclagem” de resíduos orgânicos, ou compostagem, é algo que pode ser feito na casa de cada um, minimizando em mais de 50% o lixo descartado e gerando um ótimo adubo para plantas.

    Fala-se muito também em um 4º R, que representaria o “Repensar”, “Reeducar”, “Recuperar” ou “Reintegrar”.