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Relato sobre a reunião para a criação do coletivo de consumo em São João de Meriti (coelho da Rocha)

“Da Rede Ecológica foram Milca, Beth e Alexandre do núcleo Vila Isabel e Miriam da Urca. Fomos alegremente recebidos pela Lucimar dos Santos Bastos, que nos mostrou as instalações e o terreno do CAC (Centro de Atividades Comunitárias), no bairro Coelho da Rocha em São João de Meriti. Lá já estavam presentes o Ítalo de Albuquerque da APAC (Associação de Produtores Autônomos do Campo e da Cidade) e o Jorge Santana da Rede Fitovida, representando a Rede Fitovida.

Lucimar nos apresentou o local reservado à horta, que está com dificuldades de implantação por causa do acúmulo de água durante as chuvas; o amplo e agradável espaço repleto de árvores frutíferas; foi examinado o local que está sendo preparado para receber a oficina de culinária; nos falou da necessidade de um muro nos fundos do terreno, que no momento está apenas parcialmente protegido por um capim alto; nos convidou a colher e levar mangas e carambolas. Fizemos um lanche com produtos da rede sob as árvores e iniciamos a reunião com a apresentação de todos.

Miriam apresentou o projeto Campo e Cidade se dando as mãos, com desafio de criar novos coletivos de consumo na baixada e integrar produtores e consumidores com as novas experiências das vivências rurais.

Jorge nos contou a sua história de como conheceu a rede Fitovida, quando procurou a bioenergética (proposta popular de tratamento de saude) para tratar de um grave problema de saúde e se restabeleceu com um tratamento a base do tratamento proposto pela bioenergética, calcado em plantas medicinais.
Desde então ele trabalha voluntariamente para tornar a experiência que o ajudou, disponível para outras pessoas, participando da equipe organizadora da rede Fitovida. Esta Rede tem diversas salas, aproximadamente em 10 na baixada que divulgam e permitem acesso a ervas curativas.

O Ítalo nos contou um pouco da história da APAC, criada em 86 a partir de uma escola profissionalizante. Era uma escola de trabalhadores para ensinar trabalhadores. A enfase era que o conhecimento técnico pudesse ser compartilhado de forma autônoma de trabalhador para trabalhador, sem a tutela dos interesses do capital, como acontece nas escolas técnicas do tipo Senai.

Com apoio da Igreja Católica, estando a frente dom Mauro Morelli, que dava total apoio à APAC, desenvolveram alguns projetos com financiamento externo. Chegaram a montar uma oficina-escola para fabricar ferramentas agrícolas que atendessem as necessidades apontadas pelos próprios agricultores, com foco na reforma agrária, para que eles permanecessem na terra .

O curso era gerido pelos próprios alunos, e a conscientização politica era uma parte importante.

Enfrentaram a partir dos anos 90, durante o periodo Collor, e ao longo de todo esse tempo muitos desafios e hoje o espaço da APAC fomenta a economia solidária em São João de Meriti.

Um terreno em que mantinham uma horta comunitária sofreu desapropriação há alguns anos pela prefeitura, em nome da construção de uma creche. Na realidade não havia tal projeto. Conseguiram sustar o processo pedindo a reintegração de posse. Essa luta continua na justiça.

Uma das atividades a qual eles retornaram é a reativação da antiga grafica de economia solidária, reavendo o maquinário que foi para a são Martinho. Este maquinário como tinha sido conseguido com apoio de financiamentos de projeto, não podia ser vendido nem alugado. Estão consertando aos poucos o maquinário que pertence à Apac, sendo um grupo autogestionário de 20 pessoas. Estão avaliando o destino da Apac.

Italo, um de seus lideres continua na ativa, e um dos trabalhos deste momento é a reformulação do estatuto da Apac., que tem entre suas propostas a organização do povo.

A grafica, que se chama Gravida se apresenta com um texto esclarecedor: “A proposta do grupo da GraVida hoje, em 2015, permanece sendo a mesma de quando demos início as nossas atividades, no CADTS , o Centro de Aprendizagem e Desenvolvimento Tecnico. Há anos paralisada, por motivos alheios a nossa vontade, a GraVida está de volta, hoje, para prosseguir no mesmo caminho que já vinha percorrendo. A proposta do grupo da GraVida hoje, em 2015, permanece sendo a mesma de quando demos início as nossas atividades, no CADTS , o Centro de Aprendizagem e Desenvolvimento Tecnicp Social, em 2003. O CADTS, hoje, já não existe mais, tendo deixado uma lacuna muito grande na formação dos jovens, em São João de Meriti. Mas, a GraVida conseguimos reerguer, para, de alguma forma, preencher uma lacuna. A nossa prioridade e’ servir aos Movimentos Sociais que estão em luta por igualdade, justiça e uma vida digna para todos. Por Terra, Trabalho e Teto. E pela preservação de nossa Casa Comum”.
Lucimar e seu marido, por sua vez, nos relataram um pouco da história do espaço do CAC, que se originou de um posto de atendimento médico e comunitário nascido de um projeto social gerido por franceses. Quando os médicos franceses foram embora, o espaço passou a funcionar como escola comunitária, servindo como um espaço para educação infantil. O espaço foi mantido independente da secretaria de educação para manter sua autonomia pedagógica, apesar de os funcionários serem cedidos. Hoje, a Lucimar, que tem um filho que foi aluno da escola, contribui para o projeto com a proposta da horta e de atividades para aproximar as crianças da natureza.

Em seguida, conversamos sobre o desafio de criar o coletivo de consumidores agroecológicos na região e da importância da participação na vivência rural como uma grande experiência motivadora. Lucimar e Jorge mostraram-se entusiasmados para participar. Ítalo falou que há pessoas interessadas na APAC em participar. Foi conversado também sobre a preparação da oficina de culinária no espaço do CAC.