Relato de Denise Gonçalves de Itaipava, a respeito da independentização de seu coletivo de consumo:
“O Núcleo Itaipava acabou de passar por uma situação importante: a mudança do nome. O processo começou com o esforço de organização do grupo, principalmente no que se refere aos pedidos já que tínhamos duas situações diferentes: o núcleo da Rede Ecológica e o Coletivo de Consumo da APA, que substituiu a antiga feira e que faz parte da Rede Comsol.
O núcleo tinha assim uma “dupla identidade” por causa dos dois nomes que correspondiam a um duplo funcionamento: o núcleo da Rede funcionando como a compra coletiva dos produtos básicos e que vêm de longe, e o Coletivo de Consumo oferecendo produtos locais (laticínios, processados e bem recentemente frescos), levados pelos próprios produtores para a entrega. O núcleo Itaipava restrito aos associados e o Coletivo teoricamente aberto ao público, apesar do que o coletivo também permanecer na prática restrito aos associados, por falta de público externo.
Essas duas funções correspondiam a dois sistemas de pedidos : o da Rede foi instalado provisoriamente no site de um casal de associados, o do Coletivo tem uma página no cirandas.net criada pela Rede Comsol.
Esses dois locais de pedidos estavam gerando muita confusão, para os associados fazerem os pedidos e para gerenciar tudo. Ambos envolviam a administração das planilhas e do envio dos pedidos, isso em prazos diferentes – para a compra da Rede os pedidos abrem logo após a entrega, para o coletivo uns 10 dias antes da entrega. Na organização das finanças o funcionamento também era duplo, decidimos abrir uma conta poupança e receber depósito antecipado das compras da Rede, o que ajudou muito a contabilidade e a organização da entrega. E os produtos do Coletivo continuaram pagos na hora diretamente aos produtores, mas muita gente, principalmente as pessoas novas, estava com dificuldades para assimilar o duplo funcionamento e isso estava causando uma diminuição de pedidos.
Esse processo de pensar a organização foi acompanhado por uma discussão conceitual em relação ao papel dessa iniciativa dentro das ações da APA Área de Preservação Ambiental, já que desde que o núcleo se regionalizou (em relação ao Rio) foram criadas expectativas nesse sentido.
Um processo de questionamento estava assim em curso. A iniciativa de duas associadas de assumirem a comunicação interna do grupo, para dar suporte à organização das funções, colocou em evidência os problemas do duplo funcionamento e levou à decisão de se unir as duas funções (Rede e Coletivo) num mesmo local, um site próprio. Mas que nome ele teria?
Ao mesmo tempo chegou a demanda de aprovação do material gráfico a ser recebido pela Rede Comsol (banner, faixas, etc.), em que constava o nome Coletivo de Consumo da APA. Esse nome estava sendo fortemente questionado, porque a palavra “consumo” não estava qualificada. Quando o grupo viu a oportunidade de mexer nas artes do material gráfico e colocar um nome mais adequado foi decidido realizar um processo de votação de um novo nome.
Apesar do pouco tempo (tínhamos 5 dias) para uma definição tão importante, da própria identidade do grupo, o processo acabou sendo muito positivo porque foi acompanhado de uma intensa discussão conceitual, a primeira desde que o núcleo existe. Apesar de manter total afinidade com os princípios da Rede Ecológica o grupo entendeu que tem uma especificidade e que deveria constituir-se de dentro para fora e construir seus objetivos em função do contexto local. Além disso o nome Rede Ecológica Itaipava, uma as possibilidades, traria restrições para incluir a função do Coletivo, que se propõe a ser mais flexível e inclusivo. A votação renomeou então o grupo sob o nome de “Sumá – Rede de Consumo Responsável”.
Entendemos que o novo nome traz uma resignificação do grupo, enfatizando seu engajamento no desenvolvimento de uma rede local de economia solidária e consumo consciente. Ele deixa assim de ser um núcleo da Rede Ecológica Rio mas deseja continuar ligado a ela, numa relação que poderia ser chamada de uma “rede ligada à Rede Ecológica”.
A nova situação demanda uma avaliação da comissão gestora. Peço que o assunto seja ponto de pauta de uma reunião próxima, para que possamos discutir e estabelecer as características dessa nova relação.”