Estamos retomando, depois de um intervalo, o Encontro de avaliação do Programa Campo e Cidade dando as mãos, apresentando sua parte final, relatada por Bibi Cintrão (Santa):
Novos Grupos de Consumo
Mencionou-se o curso de formação, que não foi em frente. Foi ponderado que este curso traz um conjunto de informações, mas acaba sendo bastante exigente em termos de presença e envolvimento.
Foi destacado que a formação mesmo se dá na prática, ao longo do tempo e que a Rede Ecológica tem esta marca, de ter um processo que forma as pessoas através das práticas cotidianas. Ficou de se pensar num formato que seja atrativo também para os produtores.
Algo importante que ficou claro neste trabalho de alguns meses na baixada, foi a presença de algumas instituições muito fortes que podem ser âncoras para o caminho. Isto ficou muito destacado com a APAC (São João de Meriti), CAC (Coelho da Rocha) e o museu São Bento em Caxias, instituições de referencia. Seria importante mapear outros trabalhos de resistência existentes na baixada.
Ana Santos (CEM) nos contou sobre o processo do Grupo de Consumo que está se formando em Caxias.
Fizeram 3 reuniões, na primeira vieram 15 pessoas, em que houve o pleito de se tornarem um núcleo da rede Ecológica. Na segunda eram 4 pessoas.
Beto da Rede foi importante, a frente de reuniões, fazendo relatos, lista de contatos. Pensaram no desafio de atingir as pessoas de Caxias. Tinha gente interessada, mas não dava certo ficar fazendo reuniões. Acharam que tem que começar a comprar e daí as pessoas vêm.
Três pessoas assumiram a tarefa de montar o grupo e começar a consumir: Ana Santos, Mariana Freire e Mariana Oliveira (nutricionista), e elas estão a um mês se reunindo toda sexta-feira, em realidade passando o dia inteiro dedicadas a esta proposta (fazendo levantamentos, contatos, etc.).
Tentaram fazer um levantamento do que os consumidores queriam e viram que a grande questão era começar montando uma cesta básica agroecológica (com os secos).
Caxias tem algumas características importantes, porque é muito bem situada: perto da Dutra, da linha vermelha, de Petrópolis, perto da Leopoldina.
Começaram a buscar também parcerias locais: através de Renata Souto (secretaria do meio ambiente), Curso de mulheres feministas (Pacs). Uma demanda inicial era ser um núcleo da Rede Ecológica, mas a Rede colocou a demanda de, nesta nova etapa de regionalização, já iniciar com algum movimento de independentização. Isto certamente representou um susto, e o decorrente afastamento, com poucas pessoas vindo à reuniões para dar prosseguimento.
A reunião que Ana teve com a comissão gestora e com Denise (do Núcleo de Itaipava, que recentemente se tornou independente) foi muito esclarecedora, pois muitas questões que estavam se colocando para Caxias, o núcleo Itaipava já tinha passado e estava achando soluções.
Se decidiram por criar uma cesta básica de grupos agroecológicos, e o primeiro passo foi enviar a lista dos produtos para as pessoas para ver qual era sua demanda. Com isto montaram a cesta.
Conseguiram agora um grupo de ao redor de 15 pessoas que estão interessadas e querendo se comprometer. Resolveram começar com menos gente e menos produtos e ir ampliando aos poucos. Pensaram um circuito para trazer os produtos, aproveitando o transporte que vem para a feira, pegando alguns produtos de Itaipava mais alguns da Rede.
Estão montando uma cesta básica de R$ 100,00, com arroz, feijão, açúcar mascavo, fubá, palmito suco de uva e mais alguns itens.
Em relação aos frescos, entraram em contato com produtores da região, que estão presente em feiras na cidade, e conseguiram combinar um esquema, que caso tenham certa quantidade, terão preço mais reduzido.
Viu-se que esta proposta teria que ser vista com mais atenção pelos responsáveis financeiros da Rede e pela comissão gestora.
Vivencias rurais
Lucio apresentou um PowerPoint em que aborda várias técnicas de enriquecimento do solo, a partir de seus últimos aprendizados. (em anexo o PPT).
Falou da importância de recuperar o solo, para fazer frente ao movimento de exodo do campo, no sentido dos filhos de agricultores não quererem permanecer e o próprio agricultor acabar cedendo as seduções que o agronegócio oferece.
Em suas palavras, “Como forma de resistencia, existe o cultivo ao biopoder do agricultor, e este está na saúde do solo, no cultivo da terra, na agricultura de fato, em investir na propriedade. Só assim ele poderá construir a autossuficiência e o consequente excedente da Natureza e poderá se motivar e compreender, pela própria experiência, que este é o caminho pra se libertar da escassez imposta pelo sistema capitalista, pelos negócios e o comercio puro e simples”;
Mostrou várias tecnologias para ter plantas sadias e uma produção sem adubos químicos ou agrotóxicos. Falou da importância dos micronutrientes e de como o bokashi recupera o solo, com um custo muito baixo, comprando apenas a palha de arroz, farelo de arroz e bagaço do malte.
Lúcio considera que para conseguir perceber os resultados é preciso fazer um acompanhamento aos produtores e que o ideal seria haver pelo menos 6 meses dedicados a uma certa propriedade e produção.
Por outro lado, no grupo se sugeriu um desdobramento, que é a proposta de se fazer mutirões rotativos. Isto vai possibilitar uma familiarização maior com diferentes sítios. Estas duas tendencias deverão ser pensadas na Rede Ecológica.
Ficou claro ainda que vários associados-consumidores estão interessados na produção, seja por ter sítios próprios, ou porque pensam em futuramente produzir, e tem vontade de se dedicar a isto. Está começando a se criar uma comissão com estes integrantes, que possivelmente vão dar vida aos 2 tipos de propostas que foram feitas: uma de acompanhamento mais em extensão e aprofundamento junto a uma produtora, e outro, que seria o mutirão rotativo, empoderando mais vários sítios.
Acabou, pelo avançado da hora, não havendo a avaliação das 3 vivencias rurais que aconteceram no sitio da Leodicea, que será em breve divulgada.