Lúcio Lambert (Urca) enviou texto bem interessante sobre alimentos orgânicos e agroecológicos. Vejam a seguir:
“Fica tranquilo em usar o SUS?
Se a resposta é NÃO, fortaleça cada dia um pouco o sistema imunológico pra não ficar doente. Vai sair muito mais barato.
A melhor maneira de fazer isso é se alimentar com alimentos frescos, orgânicos, nutritivos e geobiodiversos.
Mas, calma, não tem pra todos.
Por isso, tem muita especulação e “pegadinhas” no universo dos orgânicos, pois o sistema já se apropriou dele, aproveitando a oportunidade de negócios.
O melhor então é se informar pra não ser enganado.
Eu andei pesquisando e trago aqui uma espécie de manual simples com algumas informações, (mas o assunto está em aberto e comentários com argumentos científicos ou baseados na realidade são bem-vindos):
SEMENTE / ALIMENTO TRANSGÊNICO – semente modificada geneticamente por megaempresas de biotecnologia controladas pelo sistema financeiro, com objetivo de dominar a base da alimentação e lucrar muito com isso.
Pesquisas independentes comprovaram que, a longo prazo, podem trazer sérios riscos à saúde de humanos e animais que consomem estes produtos. Por isso devem absolutamente ser evitados. Seu efeito nocivo não está só presente nos alimentos frescos (milhos e soja, por exemplo), mas também nos milhares de produtos processados que utilizam produtos transgênicos como ingredientes: bolo com fubá de milho, ovos de galinha que comem ração, entre muitos outros; Estima-se hoje que mais de 70% do milho brasileiro seja transgênico;
ORGÂNICO – é um alimento produzido à partir de sementes não-transgênicas e que não utiliza fertilizantes químicos nem agrotóxicos no seu cultivo.
É mentira que alimentos orgânicos são caros pra produzir, feios, pequenos, com sinais de doenças e pragas. Eles só são assim se o agricultor não adubar a terra adequadamente colocando nela todos os nutrientes necessários ao desenvolvimento da planta o que, em geral, acontece;
Mesmo sem certificado uma hortaliça ou fruta pode ser orgânica, grande, bonita, nutritiva e saudável. Só depende do agricultor;
E os orgânicos são mais baratos de produzir do que as hortaliças convencionais já que não usam os fertilizantes nem venenos sintéticos, nas mãos de poucas empresas e cotados em dólar. O preço do orgânico que você vê na feira/supermercado tem mais a ver com a especulação (oferta/procura) do que com o custo de produção. Mas o intermediário dificilmente vai admitir isso;
ORGÂNICO CERTIFICADO – Foi certificado orgânico por uma empresa, órgão público ou por um coletivo de agricultores. MAS, devido à forte supervalorização dos orgânicos no mercado existem alimentos não-orgânicos sendo vendidos como orgânicos. Então, algumas vezes, o certificado não garante nada.
ORGÂNICO AGROECOLÓGICO – O conceito de alimento agroecológico envolve outros fatores além de manejo do cultivo orgânico. Ser produzido pela agricultura familiar, preservação do meio ambiente, biodiversidade, resiliência social da comunidade, inclusão da mulher na cadeia produtiva, sustentabilidade econômica, valorização dos saberes tradicionais, entre outros.
O problema é que, com a valorização dos produtos orgânicos o sistema começou a modificar este conceito. Então, estão afirmando por ai: “não é orgânico mas é agroecológico”, o que é uma contradição em termos.
Todo produto agroecológico DEVE ser orgânico (ou pelo menos o agricultor deve estar em processo claro de transição do convencional pro orgânico).
Mas nem todo produto orgânico é agroecológico. Por exemplo, existem monoculturas de orgânicos, produzidos por empresas, etc;
Para concluir, enquanto houver forte interesse especulativo no mercado de orgânicos, o ideal é que você, como consumidor, visite a propriedade e acompanhe com frequência o cultivos dos agricultores agroecológicos dos quais você compra. Se possível, melhor ainda, comece a plantar pelo menos uma pequena parte dos alimentos que consome;
Estas atitudes de melhor informação, conscientização e acompanhamento podem ajudar a regular e diminuir a especulação e a degradação deste mercado tão importante pra saúde pública.”