Relato da reunião da Comissão Gestora ocorrida no Núcleo Nova Iguaçu em 23/3/2018:
De certa forma, foi uma reunião com dois grupos diferentes ao longo do dia, estando presentes para a segunda parte da reunião um grupo mínimo. Sabemos que não é fácil vir a estas reuniões, mas é muito importante que pelo menos um integrante de cada núcleo esteja presente nestes momentos, até para, caso não seja da CG, compreender de um modo mais amplo a Rede ecológica.
De manhã estavam presentes: Annelise (Vargem Grande), Beth, Celeste, Flora e Kátia (Nova Iguaçu), Mariana Freire (Caxias), Lucimar e Márcia (São João de Meriti), Miriam (Urca).
A riqueza da reunião se deu pelos compartilhamentos dos núcleos Nova Iguaçu, Caxias e São João Meriti, de seus momentos e processo:
Ficou claro que Nova Iguaçu em relação aos frescos, ao se dar conta de que feriam um principio básico da Rede Ecológica, iniciaram a compra sistemática quinzenal de produtores de frescos da região. Aconteceu um compromisso de cada cestante com um
gasto semanal de R$ 20,00, mínimo para realizar suas compras de frescos.
Estão comprando da Flora, que é a prioridade principal na medida em que é associada desde a formação do grupo.
Viu-se que o segundo grupo, Seu Zé de Queimados, que abastece a feira, não mandou nesta semana. Ficou meio confuso se ele não teve suficientes produtos, a pessoa que iria buscar não podia, enfim, problemas na comunicação.
O que foi destacado para o grupo é que um agricultor que passa a vender seus produtos para a Rede Ecológica deve ser visitado por um mínimo de 2 associados, se possível havendo um consumidor que já entenda algo de produção agroecológica (em anexo manual de acompanhante dos produtores, ver também no site). Faz parte deste inicio de interação com os produtores explicar o que é a Rede e fazerem um uma espécie de contrato informal, em que a fidelização é um ponto fundamental. E dentro disto, o produtor entender que quando o produtor oferece seus produtos ele se compromete a entregá-los, mesmo que o transporte fique a cargo da Rede. Caso ele não possa ele tem que avisar isto antes, e com um motivo muito forte. Senão a proposta fica comprometida, e os consumidores abandonam.
Tem que haver muito cuidado com isto, para não desmoralizar este caminho. Consequentemente tem que ter pessoas da Rede que cuidem disto. No caso, sabemos que uma das coordenadoras do núcleo, Ângela, teve problemas estes dias, e não pode ficar tão próxima, mas os demais têm que conseguir dar conta do processo. Senão, a compra coletiva perde força junto aos associados. Produtos podem faltar em parte, mas não todos, principalmente quando se conta com a penas 2 produtores neste momento.
Falou-se da ida à Mariella da Emater, por parte de Ângela e Miriam, em que ela forneceu uma lista dos produtores que fizeram a Escolinha e tem sitio. Estes deverão ser visitados, para ver se conseguem completar e enriquecer a lista de frescos. Foi entregue uma cópia desta lista a cada representante de nucleo.
O fato de ter havido uma adesão aos frescos foi um passo muito significativo.
Ailea trouxe o sistema participativo de garantia que acontece em Seropédica, o que foi importante para os demais entenderem como funciona este tipo de interação com os produtores. Viu-se seu formato de visita, de relatórios, de reuniões para discutirem os problemas dos agricultores, este processo estando aberto para os consumidores. Não se falou, mas é bom acrescentar, que a Rede aceita produtores não certificados, desde que haja uma confiança baseada em familiarização e conhecimento do sitio que indicam o mesmo.
Flora trouxe o processo de seu sitio, e o fato de ter aderido ao sistema Pais (mandala que viabiliza um galinheiro), numa proposta patrocinada pela Danone. Para quem não sabe, a Danone está captando água da reserva de Tinguá, e como medida de compensação e sedução, está oferecendo este programa aos agricultores.
Flora falou também de Lúcio, que a procurou com a perspectiva de assessoria a seu sitio. Flora estava lá com o seu neto, que ouviu atento a reunião. Ele é militar e ajuda a avó sempre que pode.
Annelise avisou de sua ida no dia 25 para conversar com os agricultores da Fazendinha, para dar um feedback sobre suas impressões e ver que possibilidades e propostas novas podem surgir. De Nova Iguaçu Kátia ficou de ir, de Caxias ainda vão ver, e do núcleo Nova Iguaçu deve ir o Ítalo.
Algo muito enfatizado foi haver na Região Metropolitana agora 3 núcleos que se funcionarem em rede, encaminhando situações juntos, trocando informações, tendo iniciativas conjuntas, isto poderá ajudar muito a tecer uma rede local. Agora a Baixada tem tantos núcleos da Rede Ecológica quanto a Zona Sul, e isto é muito promissor no sentido de difundir a proposta. Espera-se que em alguns anos depois deste período de incubação, novos grupos surjam, já não mais como Rede Ecológica, mas fiéis a seus princípios, com características adaptadas a realidade local.
Por sua vez Caxias, através de Mariana Freire, foi trazendo seu processo algo laborioso de organização do núcleo, mas no qual há um grupo bem interessado. O embrião da mobilização, começa com um grupo que fazia encontros na praça (yoga, troca de sementes, etc.). Em um pic-nic nasceu a ideia de serem um grupo de trocas, mas depois do contato com a Miriam, começaram a pensar na questão dos alimentos. A Ana Santos, produtora da Rede Ecológica e associada do Núcleo Grajau, foi muito importante neste processo: o contato com produtores locais, a pesquisa de preços de alimentos orgânicos no mercado local, a montagem de uma cesta básica …
tudo isso viabilizou as primeiras entregas do núcleo Caxias. “A Suellen, produtora local de ovos e hortaliças foi um achado”, todo mês ela apresenta algo diferente e estimula outros agricultores a participarem. O abastecimento de frescos locais está sendo trabalhado desde seu inicio. Segundo Mariana, o núcleo ainda não se sustenta com conforto, mas nós queremos muito que as pessoas consumam.
Finalmente, Lucimar e Marcia de São João de Meriti, que estavam conhecendo o processo, trouxeram também sua reunião inicial, e um processo intenso que está acontecendo no CAC com o apoio da Rede Ecológica. A presença de Lucimar e Márcia neste encontro mostrou o grau de interesse deste novo núcleo que está se formando.
A parte do nosso habitual almoço compartilhado não funcionou. Quase ninguém trouxe comida, e acabou se improvisando com alguns poucos alimentos. Ficou bem claro que quando os elos se
rompem, o todo sofre! E também a flexibilidade viabiliza muita coisa.
(segue a segunda parte na próxima carta)