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Esclarecimento sobre a não entrega de produtos pelo Sítio Quaresmeiras

Nicole e Marc, do Sítio Quaresmeiras, fizeram este texto para explicar porque não conseguiram entregar os produtos no último sábado e pediram para divulgar para a rede.

“Olá Companheiros e Queridos!

Escrevo aqui um texto para resumir os eventos de nosso fim de semana conturbada.

Primeiro – nos dois estamos em casa, com o carro, e a mercadoria toda. Estamos super aliviados. Amanha a gente avalia o estado da mercadoria para ver o nível da perda. Ficou todo de baixo de uma lona impermeável, e suou muito durante os 2 dias de sequestro. Isto não faz bem para nenhum das frutas, e certamente não para os biscoitos e doces. Muitos produtos são perecíveis, e não esperam uma próxima feira. Será entregues para um asilo de idosos da vizinhança aonde costumamos fazer doações.

Enfim – para resumir todo:

Saímos com o carro pesado de mercadoria para entrega no Rio, e para venda nas feiras, como sempre, meia noite e meio na madrugada de sábado. O Marc estava fazendo a entrega, junto com um colega, que estava indo para passear (!) com ele. Nicole ficou em casa, achando que ia dormir mais que uma hora total aquele noite…

As 2:00 de manha o Marc ligou para Nicole contando que tinha bloqueadores de estrada obrigando caminhões e carros de carga a parar em Mury – bairro na saída de Nova Friburgo, indo para Rio. O Marc tentou conversar com os grevistas, explicando que nossa carro (uma caminhoneta, Strada) não era um caminhão, nem a diesel, que não é fretista (não tenho placa vermelha), não tem carteira de motorista de caminhão e que não tinha nada a ver eles pararem nosso carro. Fazer greve é uma coisa, legitima. Mas obrigar outros a participarem da greve, e fazer sequestro de quem nem mesmo pertence à categoria não tinha nada a ver. Não tinha conversa, e o Marc acabou deixando o carro na beira estrada as 10 de manha, depois de 8 horas esperando ser liberado. Voltou para casa sem saber como ia ficar a situação.

Enquanto isto, Nicole e Marc contataram muito, mas MUITA gente pedindo ajuda:

No Rio, muitas pessoas nos ajudaram a possibilitar para que conseguíssemos ter as bancas nas feiras. Normalmente somos nós que distribuímos nossa mercadoria no Rio, mas este vez, não estávamos ai para fazer isto. O Douglas, de Itaboraí, nos deu a grande ajuda de separar a carga, e levar para o lugar devido – fazendo uma viagem extra para conseguir fazer isto. Grande agradecimento a ele, e ao todos que ajudaram a comunicar com ele!

Em Mury, pedimos amigos, notavelmente Ana, Leandro, Camilla e Jorge, ficarem de olho em nosso carro, e irem visita-lo, para os grevistas não mexerem na carga. Ana ainda conseguiu que os grevistas liberassem o carro, e o Leandro, com o quem deixamos a chave do carro, rapidamente foi e recolheu o carro, e botou na propriedade dele. Isto já foi uma grande alivio! Super agradecimento a eles!

Como já era bem tarde, buscamos a mercadoria só hoje, domingo. Fomos com outro carro até aonde estava a Strada e botamos muito da mercadoria nele. Primeiro, para poder voltar para o Sitio, que esta todo morro acima daí, mas mais importante, para não chamar atenção dos bloqueadores, em outros lugares, no caminho de volta. Tinha até uma passeata, que conseguimos evitar, usando caminhos alternativas.

Enfim, conseguimos voltar a casa, são e salvo, e ainda resgatamos um cachorro de rua abandonado no caminho! Não vamos esquecer o “aniversario” dela, com certeza!

Gostaríamos de aproveitar deste comunicado para agradecer novamente ao todos as pessoas que nos ajudaram e mandaram mensagens de apoio. Foi muito emocionante ter este apoio todo. Foi uma coisa muito boa que saiu deste este experiência horrível que nos prejudicou bastante.

Abraços,

Nicole e Marc do Sítio Quaresmeiras

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Reflexão sobre a chamada “Greve dos Caminhoneiros”:

Não é uma greve propriamente dita. São alguns caminhoneiros (minoria) com auxílio de pessoas inconsequentes fazendo uso da força que estão arrestando propriedade alheia. A causa pode até ser justa, mas os meios não justificam os fins.

Existe também uma simpatia à intervenção militar expressa em caminhões o que nos remete ao uso de uma causa mais ou menos justa para fins políticos. Quando esses fins são atingidos provavelmente a causa já deixará de ser importante.

Lembra o que aconteceu com a questão do aumento das passagens de ônibus no Rio e em SP. Logo depois do impedimento da Dilma aumentaram as passagens de novo e isso já não era motivo de grito, bagunça, quebradeira, demonstrações ou badernas.

Lembra também as grandes manifestações anticorrupção que se calaram assim que o impedimento foi viabilizado.

Também cabe lembrar que a greve dos caminhoneiros no Chile durou 27 dias e derrubou o governo Allende e implantou uma ditadura com financiamento americano.

Não sejamos ingênuos em apoiar coisas sem saber os motivos que existem por trás.

Nicole Arlette Doerrzapf (ambientalista)

Marc Ferrez Weinberg (engenheiro agrônomo)

Sítio Quaresmeiras – doces e frutas orgânicos