Ontem, dia 20 de setembro de 2018, Bibi Cintrão e Miriam Langenbach (Rede Ecológica) e Raoni Lustosa (coordenação estadual do MST) e Leila Xavier (Conexão das Artes – centro cultural em Anchieta) embarcam para a França para participar da comemoração dos 30 anos da ONG Amar, com a qual temos uma parceria significativa há vários anos.
Levam na sua bagagem o projeto “Campo e Cidade se dando as mãos em tecnologias sociais”, que foi elaborado coletivamente durante os últimos meses. Em anexo está o projeto, que vale ser lido com detalhe.
Para dar uma ideia, um pequeno resumo:
A Rede Ecológica elaborou um pequeno projeto para levar à França, para fomento da criação e produção de máquinas e equipamentos para os produtores agroecológicos de dois assentamentos, utilizando materiais reaproveitados, uma ação que visa também se contrapor à obsolescência planejada. Este projeto envolve parceiros da Rede Ecológica no Rio de Janeiro, em especial a APAC e o MST-RJ e surgiu da junção de algumas questões:
a) a demanda, por produtores vinculados à Rede e lideranças do MST, de máquinas e equipamentos adaptados à realidade deles;
b) a preocupação da Rede de desenvolver alguma ação concreta contra a obsolescência programada, dentro do princípio dos 3 Rs: Reduzir (o consumo), Reaproveitar e Reciclar.
c) a experiência concreta de um dos motoristas da Rede, que é assentado da reforma agrária e do MST, que tem grande capacidade e criatividade para o reaproveitamento e criação de equipamentos simples e com autonomia energética, a partir do uso de sucatas.
d) o fato de a APAC, em São João de Meriti, que tem origem num grupo de metalúrgicos que nos anos 1980 produzia equipamentos voltados para os pequenos produtores, numa ação de solidariedade entre campo e da cidade, ter interesse em retomar este trabalho.
O projeto inclui ações de formação e capacitação e também a estruturação de um fundo rotativo que facilite a aquisição e conserto de máquinas e equipamentos, expandindo e estruturando melhor um fundo que já funciona há vários anos e através do qual a Rede Ecológica faz pequenos empréstimos para consertos e aquisições de veículos e equipamentos, dentro da lógica da economia solidária.
O projeto é supõe uma fase piloto de um ano (início em 2019) e o orçamento ficou ao redor de Rs 110.000,00, incluindo a realização das atividades, o trabalho em tempo parcial de uma equipe de 3 pessoas e recursos para o Fundo Rotativo. Em realidade, o projeto já iniciou informalmente este ano (a primeira etapa voltou-se para a elaboração do projeto) e nestes próximos meses de 2018 acontecerá a visita da equipe da APAC e integrantes da Rede Ecológica aos 2 assentamentos propostos para o piloto, (Terra Prometida e Irmã Dorotihy) para uma melhor definição de que tipo de equipamento vai ser priorizado.
Financiamento do projeto: A ida à França vai ser uma oportunidade importante de fazer contatos com instituições que se interessem em apoiar o projeto. Nossa ideia é tentar numa primeira etapa apoio de instituições europeias, que possam contribuir neste sentido.
Pensamos entre os meses janeiro e fevereiro de 2019 organizar um crowdfunding internacional que busque completar o que não conseguimos através destas instituições.
A coleta de dinheiro para o Programa Campo e Cidade continuará, como tem acontecido, e será também uma oportunidade de ir apoiando esta proposta. Estará sendo encaminhado o relatório financeiro do Programa Campo e Cidade.
Bibi e Miriam estarão compartilhando com vocês a experiência vivida na França. Farão também uma breve passagem pela Alemanha e Espanha. Tanto agora, quanto mais para frente, caso vocês tenham ideias de instituições que possam se interessar, favor entrar em contato com Miriam (miriam.redeecologica@gmail.com) ou Bibi (bibicintrao@uol.com.br).
Queríamos ainda destacar que o dinheiro captado para este projeto será recebido e administrado pela Casa Anitcha, que tem sido também uma grande parceira
Projeto-Campo-Cidade-TecnologiasSociais-20set2018
Campo e Cidade se Dando as Mãos em Tecnologias Sociais
PROJETO
Resumo
A partir da identificação de questões estruturais que prejudicam o desenvolvimento da produção agroecológica em assentamentos rurais, a saber:
i) a inexistência e inadequação das máquinas e equipamentos à produção agroecológia de pequena escala: os equipamentos convencionais têm preços elevados e são destinados a grandes produções e monocultivos;
ii) um sistema produtivo global que tem na obsolescência programada uma forma intencional de produção de máquinas e equipamentos de baixa durabilidade, difícil conserto e manutenção, levando ao descarte, gerando lixo e poluição ambiental.
iii) a ausência de financiamento para a aquisição de equipamentos produtivos por agricultores/as familiares agroecológicos;
Pretende-se com este projeto fomentar a criação de tecnologias sociais, em especial a produção de máquinas e equipamentos utilizando materiais reaproveitados, voltados para a melhoria das condições de vida e do trabalho de produtores agroecológicos. O projeto envolve a parceria entre Rede Ecológica, APAC e o MST-Rio e funcionará como um piloto em dois assentamentos de Reforma Agrária no Rio de Janeiro. Paralelamente, se estruturará um Fundo rotativo solidário, que viabilize o acesso aos equipamentos pelas famílias.
I. Proponentes do projeto responsáveis por sua execução
• Rede Ecológica, um movimento social de consumidores no Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, Caxias e Niterói, totalizando aproximadamente 230 famílias, que vem, ao longo dos últimos 16 anos, atuando através de compras coletivas de produtos agroecológicos e na organização de consumidores conscientes. A adesão ao protagonismo por parte de seus associada(o)s consumidores é uma questão sine qua non, tornando a autogestão uma consequência. Deste modo, os consumidores se organizam e tornam a relação campo – cidade direta, sem intermediários. As prioridades da Rede Ecológica são: a) compra de alimentos originários de assentamentos da reforma agrária, buscando apoiá-los em suas necessidades; b) desencadear processos de educação ambiental em relação a produção e ao consumo; c) Promover e praticar os 3 Rs: reduzir, reutilizar e reciclar.
As atividades desenvolvidas são : – Compras coletivas; – Visitas e mutirões nos sítios dos produtores parceiros; – Empréstimos de baixo valor aos parceiros sem cobrança de juros, sendo a devolução efetuada prioritariamente através de produtos; – Parceria nas lutas através de abaixo-assinados solidários, apoio a campanhas e articulação com outros movimentos sociais. Maiores detalhes sobre a Rede Ecológica acessar: http://www.redeecologicario.org.br.
A reação à obsolescência planejada é uma das preocupações da Rede Ecológica. Este projeto representa a primeira ação mais profunda neste sentido, com contribuições para a educação ambiental e o desenvolvimento de tecnologias sociais.
• APAC – Associação de Produtores Autônomos do Campo e da Cidade, localizada em São João de Meriti, na baixada fluminense. Existe há 32 anos, sempre integrada ao movimento de economia solidária. Surgiu a partir de uma escola técnica criada por operários que desejavam uma formação profissional mais completa, do ponto de vista técnico e político-organizativo, no sentido de compreender e atuar para a melhoria de suas condições de vida. De 1986 a 1991 a APAC criou uma frente de trabalho de pesquisa e produção de equipamentos agrícolas acessíveis financeiramente e fáceis de manejar, como uma forma de apoiar a reforma agrária e aproximar os trabalhadores do campo e da cidade. Este trabalho se descontinuou no governo Collor, em função da grave crise econômica pela qual o país passou. Nos anos 1990 houve uma reorganização do trabalho da APAC, que voltou suas ações mais para a área urbana, se transformando numa espécie de incubadora de cooperativas de trabalho. Atualmente, dois profissionais aposentados da APAC têm interesse em retomar esta atividade. A APAC possui uma oficina mecânica de usinagem que permite a fabricação de equipamentos. A eles se agregou um assentado do MST que atua na Rede Ecológica há vários anos, com um conhecimento profundo da produção agrícola e da confecção de equipamentos alternativos para o campo, a partir do reaproveitamento de materiais, destacando-se por sua inventividade. Estas três pessoas compõem a equipe principal deste projeto.
Parceiros e Público-Alvo
Movimento dos Trabalhadores Sem Terra do Estado do Rio de Janeiro (MST-RJ)
Como público-alvo, este projeto estará focado em dois assentamentos do MST no Rio de Janeiro: Assentamento Irmã Dorothy e Terra Prometida. Foram indicados por estarem entre os que têm maiores carências e dificuldades de infra-estrutura. Apesar da ação direta estar focada nestes dois, a proposta é que as tecnologias sociais desenvolvidas sejam posteriormente expandidas para outras áreas.
No estado do Rio de Janeiro existem 19 assentamentos que resultaram de lutas pela terra lideradas pelo MST, que ser organiza em 4 regiões: Sul fluminense, Baixada Fluminense, Norte Fluminense e Região dos Lagos. As famílias assentadas estão organizadas em cooperativas e associações, além dos grupos coletivos de produção e comercialização, com destaque para os de mulheres e de jovens.
O MST do estado do Rio de Janeiro vem atuando na área de produção e comercialização. Realiza uma ou duas vezes por ano a Feira Estadual da Reforma Agrária, que em dezembro de 2018 teve sua nona edição e desde a IV edição, em 2013, recebeu o nome de Cícero Guedes, militante do MST assassinado naquele ano, no município de Campos dos Goytacazes. Cícero era referência na produção de alimentos saudáveis, e foi o grande idealizador da feira.
E desde 2017 o MST organiza quinzenalmente um espaço de exposição e comercialização dos Produtos da Reforma Agrária, a Terra Crioula, para a venda direta de produtos no centro do Rio de Janeiro, com o objetivo de aproximar e divulgar a produção da agricultura camponesa e dialogar sobre a Reforma Agrária, como forma de fortalecer a relação campo e cidade. É vendida uma diversidade de produtos, como frutas, verduras, legumes, ovos e produtos processados, além de fitoterápicos e fitocosméticos. Estes produtos recebem a marca Terra Crioula que representa os produtos dos assentamentos e acampamentos do estado do Rio de Janeiro.
Assentamento Terra Prometida
No assentamento Terra Prometida vivem cerca de 60 famílias, numa área de 552 hectares. É composto famílias de trabalhadores rurais organizadas a partir do MST, que chegaram em 2008 a esta área, após árduas batalhas pela conquista do direito à terra, tendo ficado mais de 5 anos acampadas. Fica localizado próximo à reserva florestal de Tinguá, nos municípios de Duque de Caxias e Nova Iguaçu, na baixada fluminense, a cerca de 60 km do centro do Rio. As famílias estão organizadas em uma cooperativa vinculada ao MST – a Coopaterra – e produzem em sistemas agroecológicos. Os principais alimentos produzidos são aipim, cana, milho e frutas. Fornecem desde 2011 produtos à Rede Ecológica.O assentamento tem pouco apoio do poder público e ainda com muitos problemas de infra-estrutura (habitação, estradas, energia elétrica e água).
Assentamento Irmã Doroty
Abriga cerca de 50 famílias, numa área de 1.049 hectares, no município de Quatis, no Rio de Janeiro, a cerca de 180 km da capital. A terra foi conquistada em 2014, depois de nove anos que as famílias ficaram acampadas. Está ligado à regional Sul Fluminense, do MST. Tem forte carência de infra-estrutura, com as famílias vivendo em situação bastante precária. As famílias produzem em sistema agroecológico.
ONG Capina (Brasil)
Atua no campo da “Economia dos Setores Populares”, que envolve toda e qualquer atividade econômica de resistência à falta dos meios de sustentação da vida. A Capina tem 30 anos de existência e busca a afirmação da cidadania dos trabalhadores. Entendendo cidadania como a capacidade de crítica, de resistência e de incidência sobre as condições que geram as desigualdades e a deterioração social, política e ambiental; A Capina estará dando um apoio em assessoria na análise de sustentabilidade do projeto e nas atividades de capacitação e formação.
ONG AMAR (França)
A AMAR realiza há 30 anos os “Chantiers”, intercâmbio com visitas de jovens franceses a assentamentos no estado do Rio de Janeiro, buscando fortalecer laços de solidariedade entre países do Norte e do Sul. Seu foco tem sido os assentamentos vinculados ao MST e sempre articula a vivencia e o trabalho dos jovens franceses oa financiamento de projetos de infra-estrutura, de acordo com as necessidades explicitadas pelo assentamento. Uma parceria da Amar com a Rede Ecológica já vem acontecendo desde o Chantier 2016. A ONG Amar apoiará na busca de fundos junto às instituições francesas. E as atividades deste projeto devem se integrar e fortalecer as ações apoiadas nos Chantiers.
Casa Anitcha
A Casa Anitcha fornecerá o CNPJ e a estrutura para a administração contábil e financeira deste projeto. A Casa Anitcha é uma casa colaborativa situada no Grajaú, bairro da região norte do Rio de Janeiro. É voltada para a cultura da paz, para estimular o cuidado consigo mesmo e com o outro e para promover a expansão da consciência. Uma casa sem dono, de todo mundo para todo mundo. Um espaço aberto para infinitas possibilidades. Possui espaços de coworking temático(cozinha, escritório, ateliê, oficina, salões, jardins), para escritórios, reuniões, vivências, cursos e etc. Seu diferencial é o espaço Ninho destinado ao cuidado com as crianças, cujos pais estejam cocriando em outros espaços da casa.
A casa Anitcha abriga um dos grupos de consumo da Rede Ecológica e cede seu sepaço para a realização dos mutirões mensais das compras coletivas, além de sediar assembléias e encontros da Rede Ecológica. A Rede Ecológica tem participado da Feira Desapegue-se, organizada pela Casa Anitcha.
II. Objetivos do Projeto
1.Desenvolver tecnologias sociais, em especial equipamentos simples, duráveis e de fácil manutenção, voltados para assentados, camponeses e agricultores familiares agroecológicos, adaptados às condições do meio rural brasileiro (e ao mesmo tempo adaptáveis à diversidade de situações de cada local de produção), que permitam melhorar suas condições de vida e de produção. Os equipamentos devem ser desenvolvidos e produzidos na contramão da obsolescência planejada, seguindo o princípio dos 3 Rs – Reduzir, Reaproveitar e Reciclar.
Estas tecnologias sociais devem permitir: Diminuir a penosidade e aumentar o rendimento do trabalho, em todas as etapas, incluindo o preparo da terra, o plantio, a capina, a colheita e processamento dos produtos para a venda. Melhorar o conforto das habitações rurais e facilitando o trabalho doméstico. Alguns princípios que devem guiar a criação destes equipamentos:
A participação de agricultoras e agricultores no desenvolvimento desse processo tecnológico, de forma a abarcar suas necessidades e realidades.
Baixo custo, simplicidade, durabilidade e adaptabilidade a diferentes situações, com fácil conserto e substituição de peças. Diminuir a geração de lixo poluente.
Permitir o aproveitamento de materiais e fontes de energia locais. Reaproveitar materiais e equipamentos descartados pela obsolescência planejada, buscando reverter a lógica atualmente dominante de produção de equipamentos com curta vida útil e de difícil conserto.
3. Formação: Formar pessoas nos assentamentos para que saibam produzir e consertar estes equipamentos; Formação geral geral dos envolvidos com relação à economia solidária, obsolescência programada, sustentabilidade e princípios dos 3 Rs.
4. Criar um Fundo rotativo solidário: A partir de relações solidárias entre consumidores e produtores, consolidar um fundo rotativo e desenvolver mecanismos de financiamento para a compra destes equipamentos, que possam incluir, além dos pagamentos em moeda, pagamentos em produtos e/ ou serviços.
Este projeto deverá acontecer durante um ano. Após este período será feita uma avaliação sobre sua continuidade. Espera-se que no médio prazo ele possa se tornar auto-sustentável, através da venda de equipamentos e de serviços.
III. Justificativa
A mão que o campo estende à maioria urbana e os retrocessos atuais no Brasil
“Se o campo não planta, a cidade não janta” (refrão do MST)
O refrão diz tudo: Os agricultores familiares são os principais atores a garantir diariamente à população suas necessidades alimentares. Os agricultores familiares agroecológicos destacam-se ainda mais, ao produzirem sem veneno, em um país que é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. O Brasil tem atualmente cerca de um milhão e cem mil famílias assentadas, fruto de intensas lutas pela Reforma Agrária. Deste total, cerca de 400 mil permanecem na base do MST em 1.226 municípios, nas diferentes regiões do país. O movimento calcula que hoje já são 8 milhões de hectares de terra com produção de alimento saudável em, mais ou menos, 1% do território nacional.” (fonte: jornal GGN Lourdes Nassif-3/5/2018). Desde a segunda metade dos anos 1990, o MST passou a investir na agroecologia e tem se desdobrado para generalizar, junto a seus assentamentos, a produção de alimentos em bases ambientalmente sustentáveis e sem o uso de produtos químicos. Assim, evidenciam seu potencial de cuidar da saúde e do bem estar da população de um modo muito mais amplo.
Infelizmente o Brasil tem andado para trás, após o golpe parlamentar que destituiu a presidenta Dilma Roussef em 2016, com inúmeros retrocessos nas conquistas sociais, econômicas e ambientais. O governo golpista extinguiu o Ministério de Desenvolvimento Agrário, e paralisou uma das principais formas de minimização da desigualdade social que caracteriza nosso país: a Reforma Agrária e a criação de novos assentamentos rurais. Parece não importar a esse governo que os assentados, com sua produção agroecológica, beneficiem a população como um todo, já que esses trabalhadores tem como meta a popularização de alimentos de boa qualidade. Hoje, os assentados vivem sob constantes ameaças. Houve um grande aumento da violência e dos conflitos no campo por parte dos grandes proprietários de terra, que ganharam enorme força e se sentem apoiados pelo governo golpista. De acordo com dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT), foram 65 pessoas assassinadas em conflitos no campo no ano de 2017, muitos com requintes de crueldade.
Há ainda uma investida parlamentar, liderada pela bancada ruralista no congresso nacional, no sentido de criminalizar os movimentos sociais do campo, tendo como alvo principal o MST, que tem sofrido fortes intimidações e perseguições. Há um um Projeto de Lei em tramitação que pretende modificar o artigo 2º da Lei 13.260/16, conhecida como Lei Antiterrorismo, para enquadrar manifestações e ocupações promovidas por movimentos sociais como atos terroristas. A forte bancada ruralista na Câmara e no senado Federal tem imposto uma nova legislação (chamada de PL do Veneno) que flexibiliza ainda a aprovação de agrotóxicos, facilitando seu uso, apesar de uma forte reação contrária na população. Não esqueçamos que desde 2008 o Brasil é o campeão mundial de consumo de agrotóxicos. Isto gera um processo de poluição ambiental, adoecimento e mortes alarmantes no Brasil, conforme atestam muitas instituições de pesquisa brasileiras, com especial prejuízo para a própria população do campo, mais diretamente atingida.
Apesar dos retrocessos, os produtores, especialmente o MST, continuam a se desenvolver e resistir, reforçando a produção dos alimentos, alimentando nossos filhos e nossos sonhos. Uma das frentes de atuação têm sido a criação de canais diretos de comercialização, através da organização de feiras da reforma agrária, de cestas de compras coletivas, da organização de armazéns do campo nas cidades, participação em eventos que visibilizem seu movimento, simultaneamente reforçando a cultura popular brasileira e criando laços de solidariedade entre campo e cidade. Um bom exemplo é a III Feira Nacional da Reforma agrária, que aconteceu em maio de 2018 em são Paulo (https://www.youtube.com/watch?v=g0ZEm5-LtpQ (). Feiras semelhantes têm sido organizadas nos estados, como no caso do Rio de Janeiro.
Um dos problemas estruturais que as famílias assentadas enfrentam é a dificuldade de acesso a máquinas e equipamentos, que aumentem o rendimento do trabalho e possibilitem sua permanência e produção na terra.
De que modo a população urbana pode atuar de uma maneira mais efetiva para reverter o quadro de ameaça à Reforma Agrária e à agricultura familiar camponesa? A agroecologia é vista como a alternativa de produção que permite ao mesmo tempo uma produção de alimentos de forma ambientalmente sustentável e uma maior autonomia das famílias camponesas em relação aos insumos produzidos pelas gigantes agroindústriais E uma ponta básica a ser considerada na agroecologia é o papel dos consumidores, que ao perceberem que estão ingerindo alimentos envenenados e ultra processados, isto é, nada saudáveis, passam a aderir a um modo mais proativo para a mudança desse quadro. Vem crescendo na sociedade civil a percepção de que é necessário aderir a uma alimentação sem veneno, cuidar melhor da saúde. Entretanto, tem que se ir além: é fundamental o apoio dos consumidores organizados a algumas frentes que fortaleçam a proposta agroecológica, levando-se em consideração que o agronegócio também tende a se organizar para incorporar esta temática em seus supermercados e negócios, através da produção de alimentos orgânicos em grande escala, sem reverter o quadro de profundas desigualdades econômicas e sem se constituir numa alternativa que de fato tenha sustentabilidade ambiental e social.
A criação de canais diretos compra de modo consistente e planejado junto a famílias camponesas e assentadas gera renda, prestigio e potência em suas vidas e organizações. As compras coletivas, ao serem compras garantidas, trazem estabilidade, permitindo uma previsão de renda. Um ponto essencial das compras coletivas é o fomento da organização de consumidores conscientes, que tenham um outro olhar para a alimentação e, sua origem, sobre todo o processo. E que, consequentemente, passem a se preocupar com os agricultores e com sua vida. Consequência desta preocupação, em que citamos a Rede Ecológica, é a estruturação de um pequeno fundo rotativo, que possibilita empréstimos, até o momento sem cobrança de juros, a produtores e motoristas de nosso movimento. Ainda outro tipo de ação que se verifica pela luta por implantação de políticas públicas que beneficiem essa atividade. Medidas que garantam a manutenção desses agricultores no campo, plantando com dignidade, são o primeiro desafio. Isto dá uma dimensão política à atuação dos consumidores. Todas estas iniciativas têm muito valor.
Mas tem uma atividade muito especial para o fortalecimento dos laços entre campo e cidade, em que uma oficina mecânica de usinagem como a Apac, com um histórico de atuação engajada com a agricultura familiar pode contribuir: desenvolvimento de equipamentos simples, baratos e eficientes, fáceis de consertar. Destaque deve ser dado à inadequação dos maquinários existentes: caríssimos, imensos, voltados para larga escala e monocultura, para condições de terreno e de produção que não são as dos assentamentos, criadas dentro da lógica da obsolescência programada (com baixa resistência e durabilidade e com dificuldades para manutenção e reposição de peças). Isso porque, a tecnologia é produzida de acordo com os interesses daqueles que a desenvolvem, sendo que no caso da tecnologia convencional impõe-se um controle assimétrico sobre os trabalhadores e as indústrias (cada vez mais concentradas), o que, em geral, gera exploração e alienação de trabalhadores, maximização de lucros e degradação do meio ambiente (DAGNINO, 2009). O reaproveitamento, base do deste projeto, se coloca como uma contraposição à obsolescência programada, que infelizmente tem ganhado força no processo de globalização que está em curso, ignorando os custos e ameaças ambientais que envolvem. A adesão ao descartável é cada vez mais rápida, impositiva, generalizada e nociva. O que podemos observar é que as máquinas se sofisticam a tal ponto que sua manutenção se torna inacessível, a não ser para alguns poucos especialistas, impedindo seu conserto e, com isto, a exclusão da atividade profissional de mecânicos e artesãos locais que tinham em nesta atividade sua fonte de renda. Assim, várias profissões estão condenadas ao desaparecimento, e junto desaparece o conhecimento acumulado através de gerações. Força-se o consumo do novo. A consequência imediata da obsolescência planejada são os enormes lixões, geralmente existentes em países do terceiro mundo, acompanhada de toda a contaminação que dela faz parte. Além de todos esses dados, ficam reforçados no cotidiano das pessoas a alienação, os distanciamentos dos processos de como as coisas chegam e para onde vão, e a responsabilidade em relação às práticas da vida.
Ao contrário, neste projeto, o valor que está em jogo é a simplicidade, e a capacidade de muita gente lidar com o conserto, com a confecção, situação em que a criatividade de cada um passa a ter valor, inspirando autonomia. Esta criatividade já está presente nas populações rurais e pode ser incentivada. A produção deixa de ser reserva de mercado de grandes empresas e especialistas. Mujica, ex-presidente do Uruguai, é muito feliz com sua convocação à sobriedade como caminho. Construir e fortalecer projetos e ações de contraposição à obsolescência planejada é um caminho árduo, na contramão dos modelos de desenvolvimento hegemônicos. Mas acreditamos que é somente a partir da consolidação de experiências deste tipo – baseadas na economia solidária e no respeito à natureza, calcadas no uso de materiais e equipamentos reaproveitados e que se baseiem em técnicas que sejam simples de serem executadas – que a luta contra a obsolescência poderá avançar, ao mesmo tempo fortalecendo a capacidade de autonomia e resiliência das populações camponesas.
Está em jogo outra cultura, com outros valores. Algo complexo, que envolve a educação e a vida profissional. Para que consigam vingar, esses caminhos deverão ser pensados de uma maneira que os profissionais que nela se envolvem sejam valorizados e viabilizados, podendo garantir a permanência na atividade. A proposição de uma tecnologia diferente tem em seu bojo a alteração das relações de poder no desenvolvimento tecnológico, ou seja, em que os excluídos sejam incorporados no processo de desenvolvimento tecnológico e que o produto final gere uma mudança social, apropriada por aquele coletivo de trabalhadores/as, sob a forma de práticas de cooperação (DAGNINO, 2009). Assim, percebem-se os elementos constitutivos da tecnologia, quais sejam: a sua construção social por meio de atores sociais, seus elementos materiais (como máquinas e equipamento) e imateriais (como as intenções políticas, processo organizativo). O que orienta o desenvolvimento de uma tecnologia que busca a maximação dos seus impactos sociais e ambientais, bem como de suas funcionalidades, no conceito denominado tecnologia social, ou seja, práticas de intervenções sociais que se destacam pelo seu êxito na melhoria das condições de vida da população, conceito que nasce com o esforço de reconhecimento do tipo de produção e atuação específica de organizações da sociedade civil, como as entidades envolvidas no presente projeto, em uma relação diferenciada entre a produção e a aplicação de conhecimentos (ITS, 2004). E ainda, a busca por desenvolver produtos, técnicas e/ou metodologias replicáveis, desenvolvidas em interação com agricultores familiares agroecológicos, e que representem efetivas soluções de transformação social.
IV – Metodologia e atividades por objetivos
Neste projeto, buscamos apoio para que uma pequena equipe da APAC que está iniciando seu trabalho no 2o. Semestre de 2018, de maneira voluntária, as atividades, possa receber um apoio de financiamento durante 12 meses, para se dedicar a criação de 2 ou 3 protótipos de equipamentos elaborados a partir da realidade dos dois assentamentos do MST escolhidos. O ponto de partida para os primeiros protótipos virá a partir de levantamento de demandas junto às famílias assentadas. Algumas frentes de atuação prioritárias foram identificadas:
• equipamentos para a otimização hídrica (problema gravíssimo de falta ou excesso de água)
• máquinas que permitam o beneficiamento dos produtos agrícolas, agregando valor e diminuindo as perdas .
• tecnologias para preparação e manejo do solo
• equipamentos que aumentem a autonomia energética ou que permitam a melhoria das moradias a partir do uso de materiais locais (como confecção de tijolos, por exemplo).
Haverá a escolha de 2 a 3 protótipos de equipamentos a serem desenvolvidos e testados em um prazo de aproximadamente um ano. Isto a partir de um processo de discussão coletiva com as famílias e suas organizações nestes locais.Estes protótipos já possibilitarão dar retornos sobre seus resultados.
O projeto será desenvolvido diretamente por uma equipe de 3 pessoas da APAC, em parceria com a Rede Ecológica e o MST. Prevê um processo pedagógico dialógico entre os parceiros.
Paralelamente, a proposta envolve um processo de formação de duas pessoas por assentamento (assentados interessados ou jovens), que terão momentos de aprendizado sobre a confecção dos equipamentos na oficina da APAC (no período de férias escolares). Estas pessoas acompanharão as visitas dos trabalhadores da Apac aos assentamentos, dentro de uma lógica da pedagogia da alternância. Serão formados a conhecer a confecção, testar o funcionamento dos protótipos, simultaneamente se qualificando para poder manejar e consertar estes equipamentos, inclusive sendo estimulados a criar novos. A formação incluirá reflexões sobre a economia solidária, o papel das tecnologias sociais, a obsolescência planejada, a sustentabilidade ambiental e o princípio dos 3 Rs.
O projeto será desenvolvido pela APAC e a Rede Ecológica em conjunto com os parceiros destacados, sendo necessária a realização de reuniões mensais, moderadas por um processo pedagógico dialógico entre os parceiros. E ainda, o acompanhamento das atividades, bem como a relatoria das mesmas.
Para cada um dos objetivos do projeto serão realizadas as seguintes atividades, que detalham o seu desenvolvimento metodológico:
1. Desenvolver tecnologias sociais, em especial equipamentos para melhoria das condições de vida e do trabalho no campo;
• Sistematização das necessidades e demandas junto a agricultores/as; Definição dos problemas a serem solucionados • Pesquisa sobre tecnologias existentes frente aos problemas levantados • Seminários e debates sobre o tema das tecnologias sociais junto dos parceiros do projeto e de convidados/as externos • Definição de 2 a 3 protótipos • Ida mensal aos assentamentos do MST, acompanhando o processo e testando os protótipo • Breve estágio de aprendizado na metalúrgica, envolvendo a participação dos jovens assentados nas atividades na APAC • Organização de oficinas de formação junto dos jovens ou adultos assentados • Reuniões mensais de acompanhamento • Desenho de protótipos • Confecção de protótipos.
A proposta metodológica desse objetivo é o elemento central no presente projeto: busca-se a geração de uma tecnologia social que permita: Diminuir a penosidade e aumentar o rendimento do trabalho, em todas as etapas, incluindo o preparo da terra, o plantio, a capina, a colheita e processamento dos produtos para a venda. Melhorar o conforto das habitações rurais e facilitando o trabalho doméstico. Estes equipamentos devem ser desenvolvidos e produzidos na contramão da obsolescência planejada, seguindo o princípio dos 3 Rs – Reduzir, Reaproveitar e Reciclar. Alguns princípios que devem guiar a criação destes equipamentos: A participação de agricultoras e agricultores no desenvolvimento desse processo tecnológico, de forma a abarcar suas necessidades e realidades. – Envolver e formar jovens ou adultos de assentamentos nesse processo para que saibam produzir e consertar estes equipamentos desenvolvidos; Durabilidade e adaptabilidade a diferentes situações, com fácil conserto e substituição de peças. Serem de baixo custo, dentro do possível reaproveitando materiais e equipamentos descartados pela obsolescência planejada, buscando reverter a lógica atualmente dominante de produção de equipamentos com curta vida útil e de difícil conserto. Permitirem um aproveitamento máximo de materiais e fontes de energia locais. Diminuição da geração de lixo poluente.
2. Criar um Fundo rotativo solidário (FRS);
• Estudo sobre os FRS no Brasil • Sistematização do fundo rotativo existente da Rede Ecológica • Reuniões mensais de acompanhamento com agricultoras/es, entidades e parceiros interessados • Definição dos objetivos e recursos do FRS • Acordos de operacionalização.
V. Detalhamento das atividades previstas por parceiro
1- Execução – Equipe Técnica para execução direta do projeto (APAC)
A equipe técnica é composta por três profissionais vinculados à APAC, com experiência em metalurgia e desenvolvimento de equipamentos, mas também com experiência organizativa e de formação de trabalhadores.
Os três profissionais se dedicarão em tempo parcial ao projeto, em média três dias por semana (12 dias por mês), o que inclui uma visita mensal aos assentamentos. A diária foi calculada num valor de R$ 100,00 por dia (abaixo do valor de mercado, o que supõe um trabalho em parte voluntário). As despesas com transporte e alimentação para as atividades serão cobertas com outras fontes de recursos.
Atividades previstas:
Visitas mensais aos assentamentos, para visitas aos lotes, reuniões com o grupo de assentados interessados nos equipamentos, identificação de demandas, priorização dos equipamentos a serem desenvolvidos, testes e ajustes nos protótipos, etc.
Desenvolvimento, ajustes e consertos dos protótipos dos equipamentos (em grande parte feitos na sede da APAC), incluindo o reaproveitamento de materiais.
Capacitação de assentados para a fabricação, manutenção e conserto dos equipamentos projetados.
2 – Apoio e acompanhamento organizativo e formativo nos assentamentos
2.1. Equipe Local (MST):
Cada um dos dois assentamentos terá uma liderança local (agricultora ou agricultor assentado), indicada pelo MST, que servirá como ponto de apoio para as atividades do projeto, com as seguintes responsabilidades:
auxiliar de maneira geral no contato da equipe técnica com os assentados: ajudar no agendamento e organização das visitas mensais, auxiliar no agendamento de reuniões.
receber e acompanhar a equipe técnica nas visitas ao assentamento.
auxiliar nos encaminhamentos das ações do projeto nos assentamentos.
Esta pessoa receberá uma ajuda de custo para estas atividades, de duas diárias por mês, no valor de R$ 100,00, que inclui seus custos com comunicação e deslocamentos dentro do assentamento.
2.2. Apoio de pessoa da Equipe da Rede Ecológica no acompanhamento e organização do trabalho nos assentamentos
Está previsto o recebimento uma diária nos dias das visitas ao assentamento (até 3 diárias por mês, no valor de R$ 100,00, exceto os custos de deslocamento) para uma pessoa da Rede Ecológica que apoiará e acompanhará (do ponto de vista da formação e organização) a realização das atividades formativas e organizativas, tanto junto aos assentados envolvidos na escolha e teste dos equipamentos, quanto das pessoas que serão capacitadas (estagiários).
Posteriormente será definido se sempre a mesma pessoa, se haverá um rodízio entre mais de uma pessoa ou se será a mesma pessoa responsável pela coordenação geral do projeto.
3- Coordenação e Gestão do Projeto
A coordenação geral será composta por três pessoas: uma da Rede Ecológica (coordenação geral), uma do MST e uma da APAC que receberão uma ajuda de custo para o desenvolvimento das atividades:
– Coordenação Geral (1 representante da Rede Ecológica)
Remuneração: 6 diárias por mês a R$ 100,00 (R$ 600,00/ mês)
Responsabilidades:
Planejamento geral e acompanhamento da execução das atividades do Projeto, em conjunto com os coordenadores da equipe técnica a APAC e MST
Coordenar a organização dos Estágios e reuniões realizadas no Rio de Janeiro
Organização da prestação de contas para envio ao contador
Consolidação bimestral de relatórios das atividades, cobrando informações das equipes
Relatório Mensal das Atividades Realizadas (incluindo fotos e pequenas filmagens)
Finanças
– APAC – Coordenação da Equipe técnica
Recebimento de duas diárias por mês para apoiar o trabalho de coordenação, que se somam às demais diárias.
Coordenar o trabalho da equipe técnica
Fazer contato com assentamentos para combinar as visitas, em articulação com a pessoa de apoio da Rede Ecológica.
Encaminhar relatórios de atividades – coordenador geral
– MST – Coordenação do Projeto
Responsável pela articulação com os assentamentos
Acompanhar a equipe local e auxiliar na avaliação dos trabalhos e na solução de problemas locais
Auxiliar na indicação de pessoas para a equipe local e para os estágios, incluindo a articulação e o contato com os estagiários das outras regionais.
Auxiliar na avaliação e planejamento dos trabalhos.
Estágio de Aprendizado
Cada assentamento indicará duas pessoas , que acompanharão os trabalhos no assentamento e serão capacitadas para a montagem, manutenção e consertos dos equipamentos.
Haverá dois módulos do estágio no Rio de Janeiro, com 8 pessoas, sendo dois de cada assentamento diretamente envolvido (Irmã Dorothy e Terra Prometida) e duas pessoas de cada regional do MST não incluída (região Norte e Região dos lagos)
Além dos aspectos técnicos, a capacitação envolverá a formação em relação aos princípios da economia solidária, discussão crítica em relação à obsolescência programada e aos 3 Rs.
Além do acompanhamento aos trabalhos no assentamento, estas pessoas terão dois estágios de 5 dias cada um, na sede da APAC. Um dos dias coincidirá com um Seminário/ atividade de formação.
Encontros Ggrais do projeto: avaliação e debate sobre tecnologias sociais
Realizar dois Encontros gerais de 1 dia cada, reunindo toda a equipe do projeto (incluindo representantes dos assentamentos) e pessoas convidadas com um total de 20 pessoas cada um. Um dos encontros será realizado ao final de um ano do projeto.
VI – Resultados esperados
• Criar condições favoráveis para a vida dos assentados/as no campo, indo à raiz dos problemas e no encaminhamento de soluções;
• Preservação do meio ambiente;
• Facilitação da produção e comercialização dos produtos dos assentamentos;
• Estímulo aos jovens, tanto no sentido de uma compreensão maior da importância das tecnologias sociais, quanto no sentido de se qualificarem tecnicamente;
• Estimular na APAC a comercialização destes equipamentos, retomando uma prática já anteriormente desenvolvida, e também estimulando a recriação de um curso que já houve durante muitos anos;
• Desenvolver, replicar e reproduzir uma tecnologia social em conjunto com agricultores familiares agroecológicos, tornada acessível a sua realidade, promovendo uma melhoria nas formas de produção e cultivo agroecológicos.
• Criação de um Fundo Rotativo Solidário, de modo a viabilizar a aquisição e ao acesso a financiamento para agricultores familiares agroecológicos.
Rio de Janeiro, 20 de setembro de 2018
VII. ORÇAMENTO PROJETO CAMPO-CIDADE
Descrição Atividade Observações/ Detahamento Valor Unitário Unidades Unidades Total Subtotais
Execução – Equipe Produção / Teste / Acompanhamento dos Equipamentos Remuneração diárias – Equipe APAC (3 Pessoas) 3xsemana, R$ 100,00/ dia, 3 pessoas = 1.200,00/ pessoa 1200 X 3 12 meses 43.200,00
Material para Protótipos 3 Protótipos de R$ 2.000,00 2.000,00 3 protótipos 10.000,00
Deslocamentos Visitas aos Assentamentos 1 vez /mês/ pessoa,com gasto médio de R$ 100,00/vista 300,00 12 meses 3.600,00
Transporte dos Equipamentos (para testes e ajustes) 6 transportes a R$350,00 cada 350,00 6 pagamentos de transporte 2.100,00 58.900,00
Coordenação e Acompanhamento Organizativo /Formativo do Projeto
Estagiários (duas pessoas /assentamento) 2 pessoas/assentamento x R$ 100,00/ mês (apoio no desenvolvimento e teste dos equipamentos) R$ 100/ pessoa/ mês x 4 pessoas (duas por assentamento)
Equipe Local-Liderança MST (dos assentamentos) 1 pessoa /assentamento x 2 dias/ mês (para acompanhar as atividades no assentamento – preparando a ida da equipe e acompanhando) R$ 100,00 /pessoa/ dia /mês x 2 dias/mês 200,00 12 meses 2.400,00
Equipe Rede Ecológica (Acompanhamento Organização Assentamentos) – 3 dias/mês 1 pessoa para acompanhar as idas nos assentamentos R$ 100,00 /pessoa/ dia /mês x 3 dias/mês (2 dias Irmã Doroty e 1 dia no Terra Prometida) 200,00 12 meses 2.400,00
Coordenação MST 4 dias/ mês a R$ 100,00 a diária (1 pessoa) R$ 200,00/ mês 200,00 12 meses 2.400,00
Coodenação APAC 4 dias / mês a R$ 100,00 a diária (1 pessoa) R$ 200,00/ mês 200,00 12 meses 2.400,00
Coordenação Geral Geral (Rede Ecológica ou APAC) 2 dias / semana a R$ 100,00 a diária (1 pessoa) R$ 800,00/ mês 800,00 12 meses 9.600,00
Ajuda de custo visitas assentamentos Ajuda de Custo Deslocamento + Alimentação (2 dias/mês x 2 assentamentos) R$ 100,00/dia x 2 dias/mês 200,00 12 meses 2.400,00 21.600,00
Descrição Atividade Observações/ Detahamento Valor Unitário Unidades Unidades Total Subtotais
Estágio de Aprendizado na APAC (para 8 assentados interessados, de preferência jovens) Diárias (3 refeições ) x 10 pessoas (8 estagiários + 2 professores) R$ 50,00/ pessoa/ dia x 5 dias 2.500,00 2 estágios 5.000,00
Deslocamento dos estagiários Doroty e Terra prometida R$ 100,00/pessoa x 2 por assentamentos 200,00 2 estágios 400,00
Deslocamento dos estagiários MST Região Norte (2 pessoas) 300/ pessoa x 2 pessoas 600,00 2 estágios 1.200,00
Deslocamento dos estagiários de Macaé (2 pessoas 250 por pessoa x 2 pessoas 500,00 2 estágios 1.000,00
Diária para monitor – Formação geral – 1 dia R$ 150,00 /pessoa 300,00 2 estágios 600,00
2 Encontros Gerais do Projeto (Balanço, Avaliação, Debate sobre Tecnologias Sociais) 2 Encontros Gerais, envolvendo Equipe e Parceiros, com momento de Avaliação e momento de Debate sobre Tecnologias Sociais, com cerca de 20 pessoas x um dia R$ 1.000,00 de ajuda de custos deslocamento (para assentados) + R$ 20,00/pessoa de alimentação 1.400,00 2 Encontros 2.800,00
11.000,00
Fundo Rotativo (para financiamento solidário de máquinas e equipamntos) Recursos para Iniciar a composição de um Fundo Rotativo, atrelado ao projeto 10.000,00 10.000,00 10.000,00
SUB-TOTAL ATIVIDADES 101.500,00
Taxa Administrativa (Casa Anitcha) 12% 12.180,00
TOTAL GERAL 113.680,00