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a comissão de compostagem vai se apresentando

Estamos começando a trazer alguns relatos relativos a comissão de compostagem, que acaba de reiniciar seus trabalhos, contando com Daniele Soutilha e Raquel Soares, novas associadas. David Henderson de Vargem Grande, que tem um sitio e que está trabalhando com este assunto, também faz parte da comissão. Mariana amaral (Botafogo) está dando suporte. Ela fez parte há alguns meses da comissão e fez um levantamento junto as pessoas da Rede que estavam usando compostagem e baldes. Novamente se destacou o relato de bibi Cintrão (Santa), que deu uma visão pessoal e também panorâmica sobre o assunto. Na próxima carta haverá a contribuição de david henderson, e assim aos poucos quem quiser ir se familiarizando com o tema, pode acompanhar, e também entrar em contato com …

Segue o depoimento de Bibi:”Eu sou do núcleo de Santa Teresa e já tinha uma preocupação com o destino do lixo. Participar da Rede Ecológica me estimulou a começar a compostar em casa e já faz uns dois anos a gente enterra todo o nosso lixo orgânico (incluindo restos de comida). Para a coleta de lixo, praticamente só vai lixo “seco”.

Acho importante que as pessoas saibam que há muitas opções. A das caixas/ baldes com minhocas californianas é uma das possibilidades (mais rápida), provavelmente a melhor para quem mora em apartamento e quer compostar individualmente. É também uma boa entrada e um bom laboratório para observar a compostagem. Mas a melhor alternativa para cada um depende do número de pessoas, do volume e do tipo de lixo, do espaço existente. A diversidade de situações, mesmo na Rede Ecológica, é muito grande e é interessante as pessoas conhecerem um leque de possibilidades para poderem ir ajustando e pensando o que é melhor em cada caso.

Assim de fato acho que um dos caminhos importantes é mapear quem já está fazendo, quem fez e parou, quem quer começar e ir trocando experiências, que é o melhor aprendizado. Vender o minhocário eu acho também super-importante. Talvez pudesse vender também os baldes (de reaproveitamento) separadamente, não sei o que vocês acham. Eu estou há um tempão querendo ir atrás de um balde a mais para mim, mas sempre deixo para depois. Para quem quer enterrar, só precisa de um balde fechado para ir colocando o lixo. Talvez seja legal estimular também a “troca de minhocas” (para quem composta nos baldes), para o caso das pessoa viajarem, parar por um tempo ou por qualquer razão as minhocas morrerem.

Quando participei do Consea-Rio (pela Rede Ecológica) a gente promoveu duas oficinas sobre compostagem, trouxemos o pessoal da “revolução dos baldinhos”, de Florianópolis, que é uma experiência incrível. Tem vários vídeos no youtube sobre eles e vale a pena divulgar. Também tivemos contato com pessoas da Secretaria de meio ambiente e da educação do município do Rio, com experiências interessantes
de compostagem (em escolas e em parques). O Alvaro Madeira, por exemplo, funcionário de uma das coordenadorias regionais de educação na zona Oeste, é um batalhador em defesa da compostagem. Tem um relato destas oficinas no blog de agricultura urbana do Consea, dêem uma olhada (copio abaixo de tudo o link). A gente vai vendo que as opções são muitas: em casa, no prédio, no bairro, na escola, etc.

Por exemplo, se as pessoas moram em casa ou num prédio com área verde ela pode enterrar. Se há possibilidade de compostagem através do condomínio, em grande quantidade, o composto com termofilia (que esquenta) pode ser a melhor opção, pois ele permite compostar tudo (inclusive animais mortos) e as altas temperaturas praticamente eliminam qualquer problema de contaminação. O composto termofílico
também é possibilidade interessante para escolas, mas demanda organização coletiva e gente que se capacite, pois é cheio de nuances na sua montagem e precisa ser revirado. Dá mais trabalho e demora um pouco mais para “pegar o jeito”, mas é muito bom para quantidades maiores. Mesmo individualmente, as soluções podem ser muito variadas.

Aqui em casa, por exemplo, chegamos a pensar em comprar a minhocasa (antes da rede disponibilizar), mas era cara e fui adiando. No final, a melhor solução acabou sendo ter um balde grande bem fechado para juntar o lixo orgânico e cada vez que ele enche a gente enterra em duas pequenas áreas de terra que reservamos para isso (no nosso caso, enche a cada 10 dias, então enterrando em dois locais diferentes
quando volta no primeiro local já está compostado). Ao enterrar, misturamos com a terra e cobrimos com folhas que caem das árvores e já são jogadas neste local quando o quintal é varrido. Para isso precisamos de uma enxada. Tem dado super-certo.

Colocamos todo o lixo orgânico (em casa consumimos pouca carne então mesmo restos de carne eu jogo, mas tem que monitorar para ver se não dá problema). Jogo também cascas de cítricos, mas se são em muita quantidade às vezes não ponho.

É um aprendizado bem legal! Numa das áreas, na frente do prédio, onde há árvores perto, as minhocas apareceram aos montes, sozinhas e de vários tipos (comuns e algumas californianas – eu sempre fico pensando no impacto que estas minhocas “importadas” podem ter no meio ambiente quando são soltas, mas na terra parece que as minhocas comuns são maioria…).

Na outra área, que é nos fundos, num quintal anteriormente cimentado onde foi cavado um canteiro embaixo de uma escada (de ,70 cm x 2 m, mais ou menos), aparecem montes de outros bichichos, incluindo minhocas, mas elas não parecem ser o principal… Um dia, quando fazia pouco tempo que estávamos enterrando o lixo ali, choveu muito e encharcou o canteiro. E houve uma “invasão” do quintal por
larvas pretas que pareciam de mosca. Nós ficamos super-preocupados achando que o composto estava gerando mosca (uma preocupação que temos…). Fomos procurar na internet e descobrimos que esta larva é de um inseto (parente da mosca, o nome em
inglês é “black soldier”, que está por ali mas a gente quase nunca vê… ). Vimos que em alguns locais esta larva é vendida para processos de compostagem em tonéis (assim como vendem as minhocas). Ficamos bem felizes porque descobrimos que era um sinal que nosso composto estava saudável!

Conto isso porque acho que na troca de experiências com pessoas que estão buscando dar destino ao lixo (que vocês estão propondo, acho que é mesmo por aí…) as pessoas vão aprendendo que há muitas possibilidades e podem decidir qual a melhor para elas, dependendo da quantidade e do tipo de lixo, da disponibilidade de espaço e de áreas abertas, das possibilidades de soluções mais coletivas, da disponibilidade de mão de obra (para virar o composto), etc.

Uma sugestão que pensei seria talvez incluir no cadastro da rede uma planilha a mais com informações básicas de pessoas/ instituições/ condomínios) que compostam, como fazem (minhocário em baldes, enterrando lixo, fazendo composto, se é coletivo ou individual, etc), com email e telefone de contato.

Segue o link para as atividades organizadas pela Rede Ecológica, dentro do Consea:

http://agriurbanario.blogspot.com.br/search?updated-min=2011-01-01T00:00:00-