Segue o relato feito por Vinicius Rodrigues (Santa) que esteve presente na reunião em Nova Iguaçu, em que os movimentos sociais, especialmente ligados ao campo se manifestariam.
“.A reunião, organizada pela candidata a prefeitura do Psol (Leci), previa a participão do MST, do MPA e da CPT (Comissão Pastoral da Terra). No entanto, só a representante do MST (Bia) e a Leci estavam presentes. A reunião juntou, aproximadamente, 20 pessoas.
Bia, assentada do Terra Prometida, mencionou a Rede Ecológica como experiência positiva de escoamento de produtos. Isso porque o problema do escoamento é considerado um dos mais relevantes para os pequenos produtores da região. A infraestrutura de estradas e falta de postos de venda encarecem os produtos e dificultam a venda. O PNAE foi mencionado como possível solução.Contudo, no momento, as escolas da região ainda não o aplicam devidamente e, quando aplicam, dão preferência a produtos de longe (São Paulo). Além do problema de escoamento, o pequeno produtor rural também enfrenta barreiras quanto a regulamentação de suas terras. A prefeitura dificulta todos os processos burocráticos, tentando forçar o esquecimento da área rural, como se Nova Iguaçu fosse somente uma área urbana. Isso se intensificou com a construção do Arco Metropolitano, que aumentou mais ainda a especulação imobiliária na baixada. Terras do INCRA, por exemplo, estavam sendo doadas para o setor privado e a superintendente que tentava frear isso, a Maria Lucia, foi retirada do cargo em cinco meses. Bia propôs uma reforma agrária popular, que seria a população se unir em parcerias com os produtores para consumir produtos orgânicos/agroecológicos.
Além disso, também comentaram sobre o que denominam de “capital verde”. No caso de Nova Iguaçu, a Danone, que agora possui uma “fábrica” de água mineral no município, está financiando projetos de horta agroecológica para os agricultores (Técnicos, inclusive, já visitaram o Terra Prometida). Contudo, isso é encarado com suspeita, já que trata-se de uma multinacional que parece desejar melhorar sua imagem.
Em relação aos assentamentos, mencionou-se que o maior problema de Marapicu é a falta de água e que São Bernardino recebeu algum tipo de investimento para agroindústria da Petrobras.
Foi salientado que, para projetos futuros, os técnicos que auxiliarem os agricultores terão de focar não apenas no plantio em si, mas também nas burocracias, uma vez que essas estão deliberadamente difíceis dentro do município.