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Reunião para a criação de coletivo de consumo em São João de Meriti

O relato é de Milca Colombo (Grajaú):

Presentes: Alexandre Lazzari, Elizabeth Bessa, Frei Chicão, Milca Colombo e Miriam Langenbach

“O encontro foi na residência do Frei, na Avenida Roberto da Silveira, 430 – Agostinho Porto, São João de Meriti, no dia 21/11/2016, no período da tarde. Ele se mostrou agradável e acolhedor. Ficamos bem à vontade porque sentimos o seu real interesse não só em divulgar o programa na sua paróquia, mas também em organizar e conscientizar os futuros coletivos.

O conhecimento dele sobre a Rede era vago e foi feito então um resumo da sua história, como funciona no dia-a-dia, propósitos, etc. destacando e discutindo com ele todos os seus processos.

Falou-se do apoio da Rede aos assentamentos e que a compra de alguns itens é, além da qualidade, também simbólica, ideológica e de apoio, exemplificando com o queijo Canastra. Seus produtores são perseguidos por produzirem com leite cru e artesanalmente. A Rede ajuda na sua luta para mostrar que é valido e importante. Palmito de reservas e castanha do Pará também estão nesse quadro.

Frei Francisco esteve até o ano passado em Parada Angélica, periferia de Caxias, e tentou encontrar lá alguma ONG que o apoiasse na implantação de algum projeto social, mas não conseguiu, embora tivesse mão-de-obra e necessitados, mulheres com quem trabalhou na pastoral da criança e da terra e também espaço para agricultura.

Foi explicado o programa Campo e Cidade se dando as mãos, através do qual a Rede Ecológica dará apoio a certas capacitações aos agricultores, estimulando simultaneamente a criação de coletivos de consumidores na região.

A Rede analisou que precisa olhar mais para a baixada porque ainda existem agricultores lá, a população é grande e ainda não tem acesso aos produtos agroecológicos. A demanda por eles pode ser grande (reprimida).

O projeto para 2017 é estimular e fortalecer os agricultores que já existem com trocas, intercâmbios e visitas (assentamentos de Campo Alegre, Marapicu, Terra Prometida de Tinguá) e em paralelo tentar criar novos grupos de consumidores, em que haja também produtores – em Caxias, Belford Roxo, São João de Meriti e Mesquita.

Frei Francisco mostrou-se bem animado com o projeto reafirmou seu interesse em implantá-lo em São João de Meriti e também se prontificou a fornecer nomes de pessoas em Caxias, onde atuou até o ano passado. Possivelmente as pessoas de lá terão interesse porque já consomem orgânicos. Citou produtores de tomate de Santa Maria Madalena. Ele frisou que é importante não só consumir mas também conscientizar. Destacou a necessidade de esclarecer questões ideológicas com os grupos de consumidores.

O frei atua há muitos anos, e é envolvido com a teologia da libertação, desenvolvendo trabalhos com as comunidades eclesiais de base.

Falou-se do Centro de Atendimento Comunitário (CAC), em SJ Meriti, escola que atende a 80 crianças, funcionando com mínimo apoio da prefeitura e basicamente com voluntariado. É um ótimo espaço de 4.000 m2 com árvores frutíferas e uma hortinha, mantida por avó e mãe. Eles pedem apoio técnico e de pessoas. A Rede está colaborando dentro de suas possibilidades para apoiar esta horta, especialmente através do associado Vinicius Rodrigues ao mesmo tempo. A idéia é que os pais e integrantes do Centro poderiam fazer parte do novo coletivo de consumo que está se formando em São João.

Discutiu-se o programa das atividades para a criação desses coletivos destacando que a partir de março, haverá um curso (4 oficinas), um sábado por mês e as atividades para integração entre produtores e consumidores do projeto (mutirão que acontecerá no dia 4 de dezembro em Magé e a oficina culinária que acontecerá no dia 5 de fevereiro no CAC com o objetivo de se repensar a alimentação e os hábitos alimentares hegemônicos. A Rede Ecológica tem uma comissão que está tratando da organização destas oficinas.

O público com o qual frei Chicão trabalha é popular e ele vê que a questão maior será conscientizar ideologicamente as pessoas.

A preocupação para criação de grupos de consumo na baixada seria a questão de preço e sua formação. Essas questões serão discutidas observando-se a realidade de cada grupo de consumidores.

Foi abordada a experiência do Movimento Integração Campo e Cidade, objeto de uma tese de mestrado neste ano (Isis Leite, pelo CPDA). Lá há muitos anos tem um coletivo de consumo junto a paróquia na zona leste de São Paulo. Através de assentamentos de Ibiuna oferecem cestas fixas de frescos, com preço bem baixo, e em seu trabalho dão muita enfase para a educação alimentar. Frei Francisco gostou da ideia

Para diminuir custo de mensalidade, foi enfatizada a necessidade da participação de voluntários no grupo popular tanto na logística quanto para receber e distribuir os produtos etc.. Foi consenso de que teria que ser cobrado um valor de mensalidade, mesmo que simbólico, para que se crie consciência de coletivo, colaboração, solidariedade…

Para o próximo encontro, (7/01/17) aí já com consumidores interessados, serão possivelmente discutidos o perfil e a necessidade do grupo, ou de seus eventuais subgrupos.Saímos de lá bem animados!”