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10 anos da Agrovargem

Silvia Baptista (Vargem Grande) publicou um artigo muito bom no site Sertão Carioca (http://sertaocarioca.org.br/2017/12/dez-anos/), sobre os 10 anos da Agrovargem:

 “Assisti muitos momentos de resistências e pelo menos dois grandes momentos de levante popular nas Vargens. Todos já na origem, desautorizados, difamados e até ameaçados. O povo preto e pobre nunca teve vez. Parecia improvável que um grupo de organização autônoma e popular tivesse algum sucesso contínuo nestas paragens. A Agrovargem ousou e conquistou vitórias.

 E, como diz o poeta do cancioneiro do samba* em uma das expressões mais elegantes de nossa cultura oral:

 “A gente chegou muito bem, sem desmerecer a ninguém…”

 Sim,

“Enfrentamos no peito muito preconceito e um certo desdém…”

 Fomos superando as fofocas, as difamações e ameaças nem tão sutis. Sabe qual foi a estratégia? Conversar com quem queria conversar. E aí fomos tecendo redes na vizinhança, na Zona Oeste do Rio, na cidade, no estado. Participamos de articulações nacionais e internacionais. Neste sentido, convém afirmar que a Agroecologia bebe da mesma fonte onde fomos criadas: utiliza a oralidade, o modo tradicional de construir conhecimento. Para fazer transformações se une à uma constante pesquisa científica (horizontal e ética) .

 Somos pessoas acostumadas a este saber ligado à nossa terra com todos os seus caminhos e descaminhos (nossas contradições). Encontrar a agroecologia foi tudo.

 A importância desta forma oral de construção nesta década foi tão grande que fiz do tema o trabalho que me deu o título de Mestra em Ciências (MsC). Chamou-se “Comunicação oral em redes sociotécnicas orientadas à plantas medicinais”. Meio pomposo não? Pois bem, agora quero traduzir essa reflexão para uma voz muito nossa, muito coloquial. Conto com a tua resposta. Sempre que eu não for clara, me pergunte, interaja.

 Estou neste momento me sentindo completa e sobretudo empática para tratar tanto do adubo como das pragas nas nossas relações em rede. Estou pronta a analisar o bem, o mal e suas matizes na oralidade. É tempo de pensar a dádiva e a ‘contra-dádiva’, as forças que constroem e as personagens que nos dispersam, os nossos antagonismos. E é bom lembrar do que encontramos na Bíblia:

“quem conosco não ajunta, espalha”.

 Convido você a acompanhar a Campanha a ser feita em alguns artigos, vídeos e memes a partir de agora. Ela se chama “Comunicação oral em redes e economias” #Core. Assim mesmo: do verbo corar.

 Nesta Campanha nós vamos contar a nossa história, dando honra a quem tem honra, de dentro do movimento, resgatar as nossas raízes e valores e, sobretudo, ganhar forças para continuar a lutar.

 Bora!!!