Finalizando o relato da reunião da CG em Vargem Grande, destacamos a participação em movimentos sociais que os dois núcleos trabalham muito.
Outro movimento social em que integrantes da Rede Ecológica, especialmente de Vargem Grande e Campo Grande atuaram, foi a retomada do Conselho de Desenvolvimento Rural sustentável. Nas palavras de Annelise Fernandez (Vargem Grande):
A ideia de reconstituir o Conselho nasceu a partir da mobilização dos conselheiros do CONSEA-Rio que encontraram um ambiente favorável para fazer esta discussão na SMDEI. A Secretaria de Desenvolvimento, Emprego e Inovação tomou a iniciativa e organizou uma plenária com os setores representativos da sociedade civil, realizada na UERJ, no dia 23/11/2017, que por sua vez resultou na criação da Comissão organizadora do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural, em 12 de janeiro de 2018, encarregada de apoiar a SMDEI na reconstituição do Conselho e na organização da Conferência Municipal de Política Agrícola. Nesta Comissão, tiveram a participação de vários cestantes da Rede, com diversas outras representações: Annelise (VG) pela UFRRJ, Pedro Paulo (C.G.), representando o Sindicato Rural, Marcelo (VG e CEM) representando a Rede CAU, Silvia, Ana Santos, Berna (VG e CG) fizeram parte da equipe de Metodologia para organização das Pré-Conferências e Conferência que foi realizada nos dias 07 e 08 de junho. Por fim, considerando que as agendas defendidas pela Rede Ecológica estavam bem representadas por esses diversos atores e assim, descartando a possibilidade de a Rede Ecológica reivindicar um assento formal no Conselho a ser constituído, tivemos a participação oficial da cestante Rebeca (Grajau), representando a Rede Ecológica na Comissão eleitoral da Conferência. Todo o processo de construção e votação das diretrizes que farão parte no futuro de um Plano Municipal de Desenvolvimento Rural foi uma oportunidade muito importante de fazer constar as principais questões, conflitos e propostas de desenvolvimento das diversas agriculturas na cidade, com base em princípios agroecológicos.
Outra luta mencionada foi o Plano Popular das Vargens, que envolveu alguns consumidores do núcleo, em luta contra a especulação imobiliária. O grupo elaborou um projeto apoiado pelo IPPUR/UFRJ para a região, que aparentemente tem incluído novos aspectos na luta pelo Direito à Cidade. Neste sentido, novos atores têm apoiado a luta das Vargens, mas por outro lado, novas leis são propostas exigindo uma articulação constante dentro do legislativo municipal. A pauta atual é a Lei de Usos e Ocupação do Solo (LUOS) que traz invisibilidade para muitas favelas cariocas e para todas da zona oeste, cita a agricultura, mas não dá formas eficazes de proteção às iniciativas urbanas de agroecologia. Não regulamenta o Relatório de Impacto de Vizinhança (RIV). Adensa ainda mais a região das Vargens e de toda a Baixada de Jacarepaguá. Os índices de aproveitamento de terreno (IAT) propostos são incompatíveis com a estrutura viável possível. Em recente reunião sobre a LUOS pesquisadores sinalizaram para o aspecto ilegal da proposta atual da LUOS. Por ir contra o Plano Diretor da Cidade essa proposta de lei deve ser totalmente modificada. O sumiço das favelas e das áreas de especial interesse social faz supor uma nova onda de ameaças de remoção.
O Plano Popular das Vargens se orienta por duas prioridades: uma ação contra as remoções e pelas agriculturas, reunidas na síntese produzida nos movimentos sociais locais: “Terra e Água: Morar e plantar”. Convidamos a todas as / os cestantes a acompanhar os diálogos sobre o Plano Popular das Vargens através do site:
http://sertaocarioca.org.br/2018/01/plano-popular-das-vargens-versao-completa/ e da página no Facebook.
Sandra está participando da Comissão de Assistência Técnica para Habitação de Interesse Social (ATHIS) do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do RJ, mencionou que foi criado um Fórum Permanente de Fomento à ATHIS, que pretende envolver a multidisciplinaridade de áreas técnicas envolvidas e movimentos sociais, também será lançado em agosto um edital de fomento à elaboração de projetos e/ou obras de produção ou melhorias habitacionais coletivas ou comunitárias ou defesa do direito à moradia, seria interessante também envolver os movimentos rurais e as demandas habitacionais dos nossos produtores.
Annelise destacou que o núcleo se dá bem, dá conta de tarefas mais internas, mas não atende a seu papel mais amplo dentro da Rede Ecológica, havendo pessoas que não cumprem um mínimo. Ficou de ser marcada uma reunião para ver estas questões. Falou-se do conceito de inadimplência participativa, e de que isto tem que ter consequências para estes consumidores.
Foi mencionada uma parceria com o polo gastronômico de Vargem grande, que quer ajudar na feira, trabalhando a questão de uma sacola patrocinada.
Um ponto que ficou claro mais para o final a partir do questionamento de Miriam em relação a porque Vargem grande pede frescos, quando tem uma feira local, foi a descrição de como o núcleo Campo Grande ganhou grande protagonismo através de sua presença dentro da feira. Miriam destacou que os núcleos da baixada nunca receberam frescos, exatamente para buscarem soluções locais, e no caso de Vargem Grande já existe esta oportunidade, que é a recente feira da roça de Vargem Grande, que parece que poucas pessoas do núcleo frequentam.
Viu-se a importância de transferir o núcleo para a feira. Campo grande relatou sua forma de funcionamento, que reforça muito a autogestão e o formato proposto pela rede, o “fazer em mutirão”. Assim, os produtos são recebidos pelo coletivo, desde a retirada da Kombi (pois Everaldo- motorista não apoia nessa parte, fato que irão conversar novamente com ele), seguindo a arrumação na barraca cedida pela feira para isto e conferência geral, distribuição (uma pessoa “canta” os produtos de cada cestante e outros vão ajudando a separar) e por fim são refeitas as contas (quando há falta de produtos e são redivididos ou têm extras) e por fim, pagas no dia. Uma cestante é responsável por levar o dinheiro recolhido e realizar o depósito do núcleo, após relatório concluído, cujo prazo da RE é ate a segunda-feira seguinte à entrega. Chama-se sempre atenção para o coletivo que anteriormente possibilitou a vinda dos produtos (se organizando no mutirão geral). A reunião que sempre acontece também fortalece o grupo. Isto fica visível no mutirão da Rede Ecológica que acontece uma vez ao ano, e que tem sido superelogiado pela organização e pelo clima positivo que lá é vivido.
Também é interessante que os R$ 120,00 pelas entregas pagas pela Rede Ecológica são destinados a um fundo para a feira.
Também a Campanha Xô Saco Plástico! foi abordada, com bons resultados em Campo Grande, principalmente pela adesão dos produtores e pela união dos consumidores e produtores ao redor do tema. Hoje quem não traz sua sacola fica sem graça e tenta resolver adequadamente a situação. Já em Vargem Grande na feira esta questão ainda é problemática, e certamente com a presença de consumidores conscientes o panorama poderia se modificar.
Campo Grande externou o pedido que houvesse um rodízio da entrega, pois os produtos chegam muito tarde para Campo Grande, isto durante anos. Pediram para inverter isto agora por um tempo.
Ficou muito nítido que estes dois núcleos tem muito que trocar. A presença de lideranças da Rede Carioca de Agricultura Urbana nos dois núcleos proporciona um salto de qualidade na conscientização dos consumidores. Importante maximizar isto.
Em Campo Grande vai se formar uma associação da feira por conta de um espaço de abastecimento agroecológico. Foi ocupado um galpão abandonado onde funciona a feira, em que existe uma cozinha industrial abandonada. Muitas possibilidades interessantes. Há a ideia de durante a Semana de alimentação Carioca este espaço fazer um evento ali.
Finalmente foi abordada a importância de se trabalhar melhor a comunicação na Rede, explorando o Facebook, o zap, etc.
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