Tentando explicar: atuamos em 4 áreas porque desde o inicio temos claro, que para além das compras coletivas, o potencial de uma rede como a nossa é muito grande, em termos de conscientização ambiental e ações diversificadas.
Sabemos que o capital se organiza para conseguir os orgânicos a preços mais baixos em seus supermercados e lojas – esta é uma questão de tempo – e o consumidor apenas interessado na compra facilmente partirá para outros espaços mais vantajosos financeiramente ou mais práticos.
Estas quatro áreas foram se organizando ao longo do tempo e certamente os anos iniciais ficaram totalmente voltados para a organização das compras coletivas. Mas desde o inicio temos claro que nossa proposta para além das compras, busca entender e apoiar o pequeno produtor do campo, especialmente assentados, que estão organizados coletivamente. Nosso lema Campo e Cidade se dando as mãos reflete este espírito. Outro aspecto crucial é que queremos ter acesso e controlar a cadeia percorrida pelos alimentos que nos chegam. Assim teremos oportunidade de colocar em prática os valores de um outro paradigma, que tem a ver com solidariedade, confiança, sustentabilidade. Esta prática reforça o nosso o poder de escolha.
Não esquecer: com o encaminhamento que damos ao nosso dinheiro estamos diariamente reforçando grandes corporações, apenas interessadas no lucro máximo, com exploração de terceiros ou apoiando pequenos grupos autogestionários que buscam outra proposta.
Hoje gostaríamos de falar da primeira área, que se volta para o funcionamento das compras coletivas e que exige bastante enquanto estrutura: desde as encomendas, onde temos Jana Araujo a frente, captando todos os pedidos de frescos e secos, acompanhada pela estrutura de informatização das compras, implantada e acompanhada por Aline Almeida (Núcleo Santa Teresa); passa pela Logística, que é uma comissão diversificada que trabalha com o transporte dos produtos, a chegada à feira da Glória, os equipamentos necessários para nossos espaços de recebimento de produtos (geladeira, freezer, balanças, cestas,etc); e, finaliza, com o Mutirão organizado de um modo descentralizado, ficando ao cargo, em rodizio, dos Núcleos da Rede.
Para garantir a continuidade e estabilidade, há uma Subcomissão que atua como ponte para o Mutirão, que é bastante trabalhoso. Desta Subcomissão faz parte um grupo que trabalha com o retorno de embalagens para os produtores, criando um círculo virtuoso de reaproveitamento de materiais, beneficiando os produtores e o planeta.
Muito trabalhosa são as finanças, que tem uma comissão com representante em cada Núcleo da Rede.
Ainda parte desta área 1 é a própria vida de cada Núcleo, que é um espaço de convivência e de definições coletivas, dentro do espirito e dos princípios da Rede. Lá haverá pessoas voltada para a acolhida, pendencias (financeiras e de participação), representação junto a Comissão Gestora. Mas falaremos da comissão gestora na nossa próxima carta.