Blog

retomada da rede ecológica com a coopaterra

Há alguns dias, Andrea Matheus ( MST) , agrônoma da UFRRJ que está acompanhando o assentamento, como parte de sua pesquisa de mestrado, Lucia Helena Almeida ( Santa Teresa ), Miriam Langenbach (Urca) e Tânia Franco (Humaitá) estivemos em visita ao assentamento Terra Prometida, em Tinguá, para combinarmos a retomada das compras. Os interlocurtores de lá foram Raoni e Cosme , que nos falaram do atual momento do assentamento. Naquele dia, estava acontecendo um trabalho de formação em relação à educação das crianças e parece que muita coisa está de fato acontecendo.

A Coopaterra é uma cooperativa do MST que abrange grupos de 2 regiões: Baixada Fluminense, que abrange Campo Alegre, perto de Nova Iguaçu, é um acampamento histórico, mas que ainda não conseguiu regularizar sua área, assentamento Terra Prometida Nova Iguaçu/Duque de Caxias e o acampamento Marli Pereira em Paracambi; Sul Fluminense que abrange os assentamentos Roseli Nunes e Terra da Paz em Pirai e Vida Nova em Barra do Pirai

Somando todos os produtores, são aproximadamente 70 cooperados, sendo que especificamente de Terra Prometida, umas 15 famílias.

Além da agricultura, eles estão envolvidos com apicultura e fitoterápicos. A Cooperativa escreveu projetos para produção de fitoterápicos e apresentou para as secretárias de saúde dos municípios como forma de potencializar o trabalho já existente, principalmente com os coletivos de mulheres. Através de participação da Coopaterra na Feira organizada na Fiocruz (manguinhos), onde foi apresentada a produção de fitoterápicos a Fiocruz se mostrou interessada em contribuir para qualificar a produção e comercialização dos produtos.

A cooperativa tem um papel para organizar a logística para lidar com as dificuldades dos produtores na organização da produção.

Lá em Terra Prometida, estão neste momento com os trabalhos em ritmo lento em relação à casa de sementes. Os mutirões de agrofloresta neste momento estão suspensos, devendo em breve ser retomados. Também querem desenvolver um viveiro de mudas nativas .

Falaram das dificuldades existentes , como a agricultura está sendo tocada nos assentamentos basicamente por pessoas de terceira idade e mulheres, algo bastante preocupante. Mulheres que trabalham também com beneficiamento.
Estão também planejando fazer um parquinho para crianças no assentamento.

Conversamos também sobre um agricultor que está explicitamente em transição (ainda usa agrotóxicos), e definiu-se o acompanhamento por parte do grupo ao mesmo, e acertamos que, nesse momento, a Rede Ecológica não compraria seus produtos. Firmou-se este compromisso , apesar de ele parecer exemplar em termos de organização e variedade, mas ainda iniciando a aproximação com a agroecologia .

A Copaterra quer se tornar spg, vendo as feiras como relativamente pouco garantidoras financeiramente da produção. Acreditam que as agroindústrias e´que poderão trazer realmente um aproveitamento mais completo da produção e uma renda maior, e o selo pode ajudar neste sentido. Tendo em vista que a Cooperativa também participa de um Termo de Cooperação INCRA/UNB com objetivo de avançar em processos agroindústrias, que enfatiza a produção agroecológica.
Lucia Helena aponta a importância de conhecerem melhor o grupo da associação agroecológica de Teresópolis, que é considerada exemplar em termos de organização e funcionamento. Lucia estará realizando ali oficinas uma vez ao mês relacionadas à ecologia da paisagem, que poderão ser interessantes de serem acompanhadas por um ou vários integrantes da coopaterra, de modo que conheçam também melhor sua maneira de organizar seu spg. Menciona a visita prévia, iniciativa do spg de Teresópolis: que já assinala os problemas, mas ainda não representa o inicio formalizado de spg, que prepara o produtor para poder se adaptando às exigencias da certificação, antes de entrar para valer para o spg.

Através de Andrea fica visível também a proximidade tanto do assentamento quanto da cooperativa da fazendinha da Embrapa.

também ficou claro que o agroturismo é uma possibilidade que lhes interessa, inclusive eles tem tido experiências com escoteiros da França, promovido vivências dos estudantes de agronomia, e também recebido visitas por parte de escolas. Falamos também do núcleo recém-criado de Nova Iguaçu, que possivelmente se interessará em conhecê -los.

Para a retomada de nossa parceria, viu-se que eles, neste momento, basicamente tem bananas ( maçã, mel, figo, prata mel, terra e ouro ) , que poderiam ser encaminhadas, além do aipim branco e amarelo, natural, ralado e descascado. Mas isto vai exigir toda uma preparação da logística da Rede para a recuperação dos vasilhames, questão que a rede começa a encaminhar neste momento.