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Relato do VIII encontro - NAU 14 de setembro de 2014

Prezada(o)s amiga(o)s,

Estamos encaminhando a vocês o relato do VIII encontro, que aconteceu no dia 14 de setembro,na NAU, a quem gostariamos de agradecer pela gentileza de ceder o espaço. Através deste relato se poderá entender o momento atual da Rede, que começa a se voltar para novos caminhos, comprometidos com a irradiação de grupos de consumo.

VIII Encontro da Rede Ecológica
Relato de Miriam Langenbach e Paulo Roberto Jansen

Estavam presentes 21 pessoas: Mariana Amaral, Paulo Roberto jansen, e Renata aderne ( Botafogo); Eva Ferreira, Joana Brunes (produtora de nossos ~produtos de limpeza), Rubenilto Freitas (produtor dos cadernos ecológicos), Tânia Franco e Juliana Tangaria (em processo de se associar)( (Humaitá). Denise Gonçalves (Itaipava), Valentine (não associada que veio de teresópolis) Rosangela Laranja, Julio Aurélio, e Thiago fontes (Niterói), Julia Stadler, Juliana Malerba,Ruth Freihof e Rose Prazeres (Santa Teresa), Miriam Langenbach(Urca), Brigida Ruchleimer, Ligia Bensadon, Rafaela Moreira (Vila Isabel)

Na parte da manhã foram apresentadas as características principais dos núcleos que estavam presentes, compartilhando suas qualidades e dificuldades.

Itaipava: Denise apresentou o surgimento do núcleo, em parceria com Bibi Cintrão e Miriam. Ficou claro que o núcleo está em um espaço privilegiado ( a Apa de Petrópolis), tendo como referencia importante o movimento do Slow Food do qual Denise faz parte (lá tem um convivium). Iniciou-se junto a uma feira de produtores locais que neste momento sofreu uma redução, mas agora está retomando.

Denise levantou questões importantes relativas a regionalização: o núcleo tem dificuldade em participar das atividades da rede, como mutirão e acolhida, devido a distância do Rio; os consumidores estão muito dispersos, em locais distantes uns dos outros, tanto que a entrega em geral demora muito tempo. Vários produtores locais gostariam de fornecer produtos aos consumidores do núcleo diretamente, mas não têm volume para abastecer a Rede como um todo.

O núcleo tem grande potencial para se articular melhor com Teresópolis e a região serrana, pela proximidade. Valentine veio especialmente de Teresópolis para entender melhor como isto poderia ser pensado, já que tem muita vontade de organizar um núcleo na cidade. Faz referência á Articulação de agroecologia de Teresópolis, e a feira agroecológica que ali existe, o que evidencia um bom avanço da organização de produtores. A questão dos secos deixa a desejar. Valentine, produtora ela, inclusive explicitou interesse em saber melhor se haveria interesse por parte da Rede de comprar produtos dos agricultores de Teresópolis.
Foi interessante que Rose Prazeres, que tem tido pouco tempo de participar mais da Rede, veio ao Encontro e partilhou seu sonho de criar um núcleo na região dos Três Picos, onde tem uma terrinha e abrigo. Os Três picos estão entre Teresópolis e Friburgo.

Botafogo: Renata trouxe que a organização do núcleo se dá muito por conta da participação da Érika e Anaí, mas neste momento o grupo se reduziu muito, pois várias pessoas saíram. Possui pelo menos mais 3 ou 4 cestantes ativos e as reuniões são freqüentes, com boa presença. O núcleo é pequeno, talvez porque esteja exigindo demais dos participantes quanto aos compromissos com a rede (lá todos tem que ir a 4 mutirões, 4 entregas de secos, além de participar em alguma comissão).

Urca: Continua em uma situação complicada de pouca participação na vida do núcleo e da rede, apesar da importância histórica e de ter um bom numero de associados. Há alguns meses o grupo foi cobrado mais de perto pela CG,através de uma ida ao núcleo de 2 integrantes, especificamente para discutir esta questão, e ainda assim os resultados continuam a não acontecer. Foi significativo que este Encontro aconteceu no núcleo da Urca, contando entretanto apenas com a participação da Miriam.

Niterói: núcleo com maior número de pedidos da rede, está se mostrando forte internamente. Recentemente reformulou sua logística nas entregas, utilizando rodízio do responsável e implementando uma conferência aos pares. Com isso não existem mais filas de espera, como acontecia anteriormente e a relação entre os associados durante a entrega ficou mais agradável, gerando momentos de articulação, como as oficinas que estão sendo realizadas com as crianças. Possuem participações importantes na rede, como estas oficinas, o blog de receitas, a organização do histórico da carta semanal. Também é um núcleo que exige presença nas entregas, presença nos mutirões, e participação em comissões.
Também apresentam grande potencial de regionalização, devido ao tamanho e a
Proximidade da região de Itaboraí, são Gonçalo, Cachoeiro de Macacu, Casimiro de Abreu, etc.

Santa Teresa: segundo núcleo em número de compras, mas muito bem articulado e com uma relação muito viva entre os associados. Eles estão muito preocupados em garantir o funcionamento de um núcleo grande, mas manter as responsabilidades junto à Rede como um todo. As entregas são muito bem organizadas com um responsável que separa as entregas individualmente antes da hora da entrega, em cestas empilháveis; a participação dos associados é levada em conta como critério de distribuição quando há menos produtos que chegam. Este formato acabou unindo mais o grupo, que conversa muito, praticamente todas as semanas. Estão vivendo um momento complexo relativo ao espaço onde é a entrega, já que mudou a direção da escola estadual, e novas exigências estão sendo colocadas. O núcleo está mobilizado para enfrentar esta situação.

Humaitá: a entrega funciona de forma rápida através da organização da Joana. No entanto existe pouca comunicação entre os associados. Acaba se tornando um espaço só de retirada dos produtos. Também há pouco interesse dos cestantes pela ideologia da rede e por uma participação mais ativa. O ponto de união mais significativo recentemente foi pela decisão coletiva de retirar um associado que estava causando problemas.

Vila Isabel: funciona bem, tem crescido muito a participação, tanto que a partir de outubro passarão a ser um núcleo semanal, o que já foram em anos anteriores. Poderiam se articular melhor com o espaço onde estão funcionando, o CCS – Centro de Cultura Social, uma associação anarquista que desenvolve muitos trabalhos comunitários.

Após a apresentação, Julia abordou a inserção da Rede no projeto coordenado pelo Instituto Kairos, que está promovendo uma Rede nacional de grupos de consumo. Ela está participando junto com Lígia e Isis desta atividade. São neste momento 19 grupos de consumo. A Rede no projeto está tendo papel importante de referência, pois se mostra o grupo com maior movimentação de compras(aproximadamente RS 50.000 mensais) e com maior complexidade de tipos de iniciativa e ação. Mas fica visível que a Rede também tem muito a aprender com as características próprias dos outros grupos. Está sendo criado um wiki de compartilhamento de informações que será aberto para consulta e articulação.

O almoço foi a soma da contribuição de todos, e como sempre uma delicia, com várias iguarias.

Após o almoço Miriam explicou rapidamente as questões que se colocam sobre as 3 áreas da rede, já que na manhã tínhamos abordado a área 1 .
Na área 2 ficou claro que seria necessário se reforçar a parte do SPG ou congêneres, tipo OCS para intensificar a relação com os produtores. Na área 3, de formação/educação/comunicação ficou claro que há várias iniciativas educativas que foram realizadas ao longo destes anos, como ppts, 2 filmes, pegada ambiental, caderno ecológico, compostagem. Mas ou as comissões não conseguiram “pegar” ou o material acabou sendo muito pouco utilizado até agora. Quanto a área 4, dos movimentos sociais, foi visto que a representação da Rede deveria ser melhor vista, no sentido de que as pessoas que entram nos movimentos sociais, acabam perdendo algo sua identidade Rede Ecológica, havendo pouco retorno, com exceção do Consea, para a Rede como um todo, e também pouco sendo levadas as questões da Rede para este fórum.

Algumas decisões aconteceram:

1.a definição pela regionalização, tomando como primeira iniciativa Itaipava. A presença da Valentine de Teresópolis foi muito boa para reforçar o desejo de um novo núcleo em Teresópolis,possivelmente integrado ao de Itaipava. Ficou perceptível, pela explanação de Denise, que esta perspectiva pode motivar o grupo mais fortemente: se organizar de modo mais autônomo, dentro de seu tamanho, e fomentando trocas locais.. E este processo já iniciou, na medida em que já começaram a preparar um grupo de mulheres da comunidade de Carangola a fornecer massas na entrega de secos para este nucleo, o que aconteceu na ultima entrega.
A disponibilidade e interesse de Teresópolis de se integrar a este núcleo já existente foi muito animadora

O acompanhamento aos produtores do Brejal, que foram visitados há uma semana por Denise,Julia, Mariana, Miriam e Paloma explicitou o papel que Itaipava poderá ter em relação à Rede. A idéia que se fomente estes produtores a terem uma relação mais direta com a Rede. Foi historiado que a Biohortas, microempresa coordenada por Paulo aguinaga, parou suas atividades, e isto possibilita uma nova abordagem aos produtores, que estão inclusive se organizando para criar uma OCS. Esta tentativa foi iniciada, e será executada principalmente por Itaipava, com apoio inicial de outros núcleos.

Para Niterói se viu também esta perspectiva, de ir se aproximando de produtores da região, talvez mais especificamente Itaboraí e São Gonçalo, que estão próximos. Mas esta questão ainda terá que ser levada ao nucleo.

Foi muito enfatizado por Julia que a Rede está mais do que no seu limite, ela representa um grupo grande demais para pequenos produtores como os nossos. Então a regionalização, além de fortalecer a movimentação local, vai se adequar ao tamanho e possibilidades dos produtores, que poderão ser estimulados a plantar especificamente para o núcleo em questão.

2. o caminho de atribuir responsabilidades especificas a integrantes da cg, é algo importante. Assim, por ex.,a coordenação e subdivisão da comissão de acompanhantes dos produtores, com coordenações próprias; o próprio cadastro da Rede, em geral desatualizado, ficaria por conta de cada núcleo/pessoa atualizar, mas tendo um integrante da cg, que minimamente acompanha/cobra este assunto. A acolhida, até por necessitar trimestralmente um quadro atualizado de necessidades, também vai ter uma integrante que vai estar atento a isto.

3. a necessidade de se aprofundar e clarear o que seria a representação da Rede Ecológica dentro de um outro grupo/movimento.Ficou claro que isto é algo complexo, que precisa de uma preparação das pessoas para entender a Rede como movimento político, quais são suas ênfases especificas enquanto tal. Que tipo de retorno á Rede seria desejável?
O papel do relato tem destaque, apesar de que algo maior do que isto que vai ser necessário.
Foi levantada a sugestão de se fazer encontros de imersão, de 2 a 3 dias, que possibilitaem um aprofundamento.

Dentro deste contexto viu-se que as área deverão se unir mais como um todo, para tentar equacionar este tipo de questão.

4. a necessidade de rediscutir e reformular a participação na Rede: especificamente Botafogo, e também Niterói, parecem ter uma carga grande de exigências para os associados, o que afasta os novos. Ficou claro que o próprio termo de compromisso está colocando uma exigência alta, e isto teria que ser revisto com cuidado.
A questão da entrega ser feita como Santa Teresa faz, através de caixas empilháveis, fica como um desafio na busca para simplificar a entrega. O desafio é equilibrar pessoas que atendem a área 1 com pessoas que atendem a Rede como um todo. Deverá se rever o termo de compromisso, e o que está colocado no site.

5. foi discutida a situação de Itaipu, ficando combinada a ida de Rosangela e Thiago ao nucleo.

6.A passagem da Urca para ser um núcleo de funcionamento 2 vezes ao mês (quinzenal).

7. a parte de educação/formação precisando receber mais atenção, já que ela faz parte da espinha dorsal do que a rede tem para transmitir,para novas iniciativas que possam surgir.
Miriam falou do projeto Alimentos saudáveis Mercados locais, coordenado pela aspta, e que tem possibilitado avanços na área 3 (formação). Parte disto é a criação neste ano do Circuito do Consumo Consciente do Estado do Rio de janeiro, que pode ser uma excelente oportunidade de contemplar esta necessidade.

Para 2015, a idéia é ter uma proposta que organize um grupo de formação, que participará em continuidade do processo. Esta também será a oportunidade de reunir o material educativo que a Rede tem organizado ao longo dos anos.

8. a outra base para a irradiação é a logística, que vive grandes dificuldades de se organizar como comissão, dando grandes contribuições graças a garra da Julia. Esta situação precisa se modificar, já que esta parte é percebida como fundamental para o surgimento e bom funcionamento de qualquer novo grupo de consumo. O sistema online que vai se aperfeiçoar ainda mais no próximo ano, representa uma grande facilitação para a criação de novos núcleos. A logística também deverá ter presença no Circuito do Consumo consciente, instrumentando as pessoas neste sentido.

9 – programou-se um novo encontro no aniversário da Rede, mas ainda sem data definida. A proposta foi fazer no museu Benjamin Constant em Santa Teresa.

Encerramos satisfeitos com tudo o que abordamos e sentindo que estamos iniciando nova etapa da Rede Ecológica.

A lei da mente é implacável.

O que você pensa, você cria;

O que você sente, você atrai;

O que você acredita, torna-se realidade. (Buda)