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Relato da II Assembléia Regional da Rede Ecológica (1a parte)

II Assembleia Regionalização 22/05/16 no Cenfor, Nova Iguaçu (relato de Beto Jansen e Miriam Langenbach)

Presenças:

Nova Iguaçu – Angela Prado, Kátia Soares, Maria de Fátima

Serorgânico – Fátima, Iraci Felix da Silva e João Pimenta

Santa Teresa – Charles Antonio, Julia Stadler, Paloma Medina, Sandra Kokudai

Botafogo – Maria Adelina Araujo, Beto Jansen

Campo Grande – Irma e Pedro Paulo Belli

Urca – Miriam Langenbach, Lúcio Lambert

A reunião começou as 10:30 com alguns informes intercalados com informações sobre o histórico do SerOrgânico, um grupo que tem muito sua origem vinculada à Rede Ecológica, que num periodo em que ainda não estavam organizdos, se colocou como uma alternativa de compra e apoio. No interim o grupo se organizou, está em várias feiras, Iraci hoje faz parte da direção da Abio, no que se refere á comercialização.

Júlia relatou um pouco sobre o Fórum Brasil-França de Circuitos Curtos Agroalimentares em que falou em nome da Rede Ecológica junto com a Brígida e ouviu sobre experiências de circuito curto na França, relato que sai em breve na carta semanal. Destaque para o interesse de pessoas no curso de formação de grupos de compras coletivas realizado pela Rede Ecológica.

Como a Amar, ong francesa organizadora do evento,em parceria com a ong brasileira Idalco, foi importante na relação com o assentamento sol da Manhã, que foi uma das bases para a criação do Serorganico, foi solicitado que João Pimenta contasse um pouco a respeito. foram realizados no assentamento sol da Manhã 3 chantiers ( visita de imersão, sempre vinculada a ações de ajuda ao assentamento na produção ou na infraetrutura) no caso realizada por um grupo de estudantes franceses. esta iniciativa, que existe há mais de 20 anos, tendo o ultimo chantier sido em Pinheiral, onde foi realizado o encontro sobre circuitos curtos. a partir destes chantiers, tendo observado uma impossibilidade de escoar sua produção, a AMAR comprou um quiosque a beira da estrada no centro de Seropédica, para apoiar a comercialização do grupo. O quiosque já foi objeto de um projeto da UFRRJ, que preparou uma cozinha para o processamento de produtos, que é utilizada eventualmente, quando a quantidade é grande de produtos. Já se tentou abrir a comercialização no quiosque, mas não se tem conseguido, em função da exigencia de presença de pessoas no mesmo, o que não tem sido possivel para os produtores.

Iraci relata uma experiência recente na produção de variedades de arroz vermelho e preto com auxílio de um professor da UFRRJ (MauricoBreja ??) e Annelise Fernandez. A produção foi bem interessante e satisfatória, apesar de 50% ter sido “perdida” para os pássaros variados que surgiram para se alimentar do arroz.

Fica claro que a presença da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro tem sido um apoio significativo, sendo que mais e mais os produtores se colocam em relação ao que de fato precisam. está para ser implantada uma feira organica no campus da UFRRJ

Beto e Júlia repassam um pouco sobre a Rede Brasileira de Grupos de Consumo Responsável e das possíveis parcerias com a Rede Ecovida de produtores.

Iraci conta que foi procurada pelos administradores do Comida da Gente e conseguiu vender uma boa quantidade de jaboticaba, pela plataforma. Depois disso, devido às dificuldades enfrentadas com fornecimento de água na sua produção, contou que o grupo fez uma proposta de construção de poço artesiano em seu sítio, tendo como contrapartida a venda de seus produtos a preço de custo até o abatimento da “dívida”. Ela conta que resolveram não aceitar a proposta por poder caracterizar um vínculo de dependência, colocando em risco a liberdade e autonomia que possuem na produção e comercialização dos produtos. Essa experiência deixa claro que o Comida da Gente está tentando novas possibilidades de atuação, além da simples compra.

A questão da falta de água toma conta da reunião, principalmente com a presença de produtores (de Campo Grande e SerOrgânico), que sentem o problema constantemente. Iraci conta que os alagados em sua região que nunca secaram estão secando. Acredita que a captação de água da chuva seja um dos únicos caminhos possíveis. Várias questões são levantadas, por exemplo, que a coleta não é o maior problema, mas o armazenamento em larga escala, já que algumas regiões chegam a ficar meses ou anos sem água.

é trazida novamente a parceria REde/Aspta/Capina/Repos como uma possibilidade de se pensar um projeto piloto para a questão da água, contando com crowdfunding, o que tem a ver com o fundo rotativo, que está começando a ser organizado na Rede.

Miriam faz um informe sobre o ato contra a Monsanto e a preocupação com a unificação dessa multinacional com a Bayer. Lúcio destaca divulgação recente de pesquisa acadêmica que coloca em dúvida os prejuízos dos transgênicos a saúde, justamente dias antes do ato mundial contra a Monsanto. Isso mostra o poder de articulação e propaganda destas corporações, que atualmente estão nas mãos do sistema financeiro (que controla essas empresas) e evidencia que precisamos constantemente nos posicionar enquanto movimento contra essas ações.

Miriam também coloca que a comissão criada para discussão e atuação política neste momento de mudanças no governo é importante para direcionarmos politicamente nossas atuações.

É discutido na reunião que o aumento da procura de orgânicos e a oferta de feiras orgânicas não está em sintonia com o aumento da produção do estado. João Pimenta destaca que a mão de obra continua escassa e sem perspectiva de aumento, considerando que os jovens em sua maioria continuam não se interessando pelo trabalho no campo. Fica o questionamento sobre quem está atendendo esta demanda.

Miriam coloca a possibilidade de pensar em parcerias como a WOOF e Work Away, esquemas internacionais que possibilitam a vinda de estrangeiros para trabalhar na terra por periodos curtos, em troca de alojamento e alimentação. Lucio falou de seu grupo ligado à criação de uma ecovila, e de como estas participações em sitios de agricultores, é algo que buscam fazer, e com certeza poderão fazer ali. Beto fala sobre o mutirão que tinha acontecido na véspera no Fundão, organizado pelo MUDA RJ, envolvendo a possibilidade de realizar mutirões junto aos produtores. João Pimenta fala da proposta de interessar alunos da UFRRJ, que em geral apenas tem um contato livresco com o tema, para fazerem uma espécie de estágio em sitio dos produtores.

Iraci traz a perspectiva de um espaço muito significativo de organicos que está sendo organizado na CADEG, sendo que os produtos basicamente virão de são Paulo, o que possivelmente vai afetar a produção dos agricultores agroecológicos do estado.