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Relato da reunião com parceiros Aspta, Capina e Repos (1a. parte)

Relato da reunião entre os parceiros Rede, Aspta, Capina e Repos feito por Miriam Langenbach:

“Estávamos Brigida , Julie, Miriam e Tania, especificamente pela Rede ecológica,

Fernanda e Ricardo (Tb da RE, mas representando soltec e Repos) e Maiara da Repos,

Terezinha Pimenta(Capina) e Marcio Mendonça (Aspta).

Houve uma apresentação, especialmente das pessoas novas, entre as quais Julie, que

trouxe a experiência que acabou de viver e organizar, que foi um fórum entre atores de

circuitos locais, que contou com convidados franceses, e várias iniciativas brasileiras de

produção local agroecológica e consumo direto local, em Pinheiral.(haverá um relato

especifico a respeito do assunto). Julie integra a equipe da AMAR,ong francesa organizadora do evento, é que é vista como uma parceria importante para nosso grupo.

Abordamos três pontos:

– visita à feira da Roça

– curso junto a Coopaterra

– fundo rotativo

A visita à feira da Roça, associada a idéias em relação a como desenvolver mais a

interação produtores e consumidores agroecológicos na baixada foi o primeiro assunto.

Inicialmente a feira da roça visitada por Brigida, Tânia, Malu e Marcio foi trazida como

algo um pouco decepcionante para Brigida e Tânia. Assinalou-se haver poucos produtos,

pouca quantidade e variedade. Brigida relata que entendeu que o nucleo NI não ficasse

satisfeito com os produtos lá existentes.

Marcio trouxe sua percepção diferente daquela ida, que tinha mais o caráter de

observação, ver como funcionam, conversar um pouco. Acha que a feira tem

diversificação, não tem hortaliças, que é algo muito desejado pelos consumidores. A

baixada não tem aptidão para produzir hortaliças. Para se produzir hortaliças, se tem

que ter uma tecnologia de ponta. É vista a situação da Fazendinha da Embrapa, integrada pela UFRRJ e Pesagro, e que representa um modelo de agricultura para pequenas áreas, ( um hectare). Mas em realidade é uma proposta toda subsidiada. infelizmente em torno tem no maximo 2 ou 3 agricultores que conseguiram reproduzir esta proposta.

A proposta da Fazendinha tem eco na região serrana, que tem outras conções. As

hortaliças demandam muita mão de obra e cuidados, difíceis de conseguir na baixada.

Tem outras tentativas possíveis como estufas, mas que muitas vezes não se adéquam as

condições dos agricultores, não conseguem se manter.

Marcio considera a feira diversificada, grande, com muita procura. Questiona as

expectativas nossas enquanto consumidores que não respeitam sazonalidade, e as

possibilidades regionais. A feira da roça tinha desde seu inicio a proposta de reforçar e

resgatar produtos que estavam sendo perdidos na roça, ligados a outros hábitos

alimentares. Não é uma produção intensiva comercial. Tem a ver com uma agricultura

que está em declínio, e que através da feira tenta-se revalorizar, já que muitas vezes são

produtos que não são acessíveis no supermercado. E a feira – as feiras da roça – são um

sucesso, com muita demanda e suprem financeiramente bem os produtores.

Começa a falar da Univerde, uma iniciativa que veio a partir da Petrobrás, mais especificamente da Transpetro, impondo as condições, em áreas de dutos. Envolveu

mulheres, e na época traziam o adubo de SP, eram condições altamente especiais .

Quando acabou o projeto, ficaram com os galpões lotados de adubo, e não sabiam como

usar em novas condições em que não tinham mais apoio. Era uma tecnologia de ponta,

que não se adequava a realidade local.

Marcio apresenta 4 tipos de feiras:

1. feiras orgânicas: que se constituíram a partir de grupos ,atendendor a consumidores que buscavam produtos sem veneno. Se tornaram um nicho de mercado.

2. feiras agroecológicas difentes pelo trabalho de organização, assumida pelo

grupo de modo mais simétrico. Nelas os problemas ficam visíveis, o que as vezes nas feiras orgânicas fica camuflado. Foi citada a feira da Freguesia, e se viu que além de produtores e consumidores, vários projetos confluíram para o apoio a esta feira dando formação aos produtores, incentivando reuniões e a criação forte de um espírito de grupo.

3. feiras da roça: estão ligadas a municípios da baixada, região urbana mas que tem

ainda muitos sitios. Tem problemas. Resgate de culturas que tem perdido força

junto aos consumidores. São então feiras locais, em que a questão do veneno

tem importância relativa.

Vimos que ao mesmo tempo há uma ambigüidade nestas feiras, no sentido de que elas acabaram ficando com uma imagem – talvez até pela proximidade da roça mais antiga – de oferecerem produtos sem veneno e isto nem sempre é o caso. Isto fica problemático junto ao consumidor.

4. feira da agricultura familiar que tem a ver com uma agricultura intensiva, mais convencional, buscando abrir nicho para os produtos do município, em disputa com os supermercados, com o Ceasa.

Miriam lembrou as feiras da reforma agrária, que tem um significa político mais

explicito, na medida em que se ligam ao MST, MPA que tem a busca da reforma

grária e das mudanças que isto envolve. Ao mesmo tempo este tipo de feira tem

muito a ver com uma vitrine dos produtos e da cultura dos agricultores no campo. Até o momento tem sido eventos relativamente raros, de uma vez ou duas por ano.

Viu-se que era importante o esclarecimento de que na feira da roça a prioridade não

são os produtos agroecológicos, apesar de que em realidade estes produtores estão

com o caminho quase todo andado para serem agroecológicos. Mas ainda vários não

assumem isto. Seria importante de se trabalhar nas duas pontas: o consumidor entender as características destas feiras, e o produtor ao mesmo tempo se propor a assumir uma

transição, e definir-se explicitamente pela agroecologia. Entender-se pelos dois lados que a agroecológia não é uma tecnologia e sim um estilo de vida. (continua na próxima carta)