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Relato sobre a IV Assembléia Regional (2a parte)

Retomando o relato da assembléia regional, realizado por Adelina Araujo, incorporamos na parte relativa ao Brejal o relato feito por Denise Gonçalves, Julia Eleana e Julia Stadler sobre sua reunião com os produtores. O relato se inicia com a parte do Brejal:

“A ida ao Pedras Altas teve o objetivo de verificar junto aos produtores qual a situação do fornecimento para a Rede Ecológica através do Douglas, diante da constatação de que ele estava trazendo produtos de fora (no caso vindos do Espírito Santo) e entregando para a Rede, não comunicando este fato. Deste modo dava a impressão de que estes produtos fossem produzidos lá.

Para situar, Douglas tinha sido auxiliar de Paulo Aguinaga na comercialização de sua microempresa – Biohortas – criada há aproximadamente 17,18 anos, desde que houve o fechamento da Coonatura. Quando Paulo se definiu por fechar a Biohortas, há aproximadamente 2 anos, Douglas resolveu continuar no grupo, agora não mais como Biohortas, mas ainda mantendo as funções relativas ao recebimento de pedidos, encomenda aos produtores, transporte ao Rio, e pagamento aos produtores.

A Rede, quando a Biohortas descontinuou, teve uma reunião com os produtores da fazenda Pedras Altas, estimulando-os a se organizarem por sua própria conta, o que não aconteceu. Argumentavam que não tinham conta telefônica, nem acesso a internet.

A percepção de que havia itens que não eram dos produtores, levou a Rede a suspender a compra,na semana anterior, e marcar uma reunião com os produtores. A reunião havia sido combinada na terça-feira (26/07) por Whatsapp com o Carlos Augusto, filho do Levy, mas ele nem estava presente nem tinha avisado o pai e os outros sobre a nossa ida. Foi uma primeira decepção porque estávamos achando que os filhos poderiam eventualmente assumir a organização das entregas. Levy chamou Geraldo e Joel, que vieram em seguida para conversar com a gente.

Falou-se em primeiro lugar da dificuldade de entender porque a Rede não foi comunicada das mudanças: Geraldo rompera com Douglas desde o início do ano e houve essa entrada de produtos de fora. Joel explicou que para eles a interlocução com a Rede tinha sido feita com o Paulo Aguinaga há muitos anos e ele passou para o Douglas.Eles não se sentiam à vontade para falar direto com a Rede.

Dissemos que a primeira coisa a resolver era se eles querem continuar fornecendo para a Rede. Destacou-se que esta decisão deles independe do apoio que a Rede está dando ao grupo no caso da ação na justiça (sobre a questão da posse). Não deve haver relação de dependência.

Buscamos também entender porque a preferência pelas feiras, o que falta para que a Rede supra as necessidades deles já que não há perda na compra coletiva e não é preciso o trabalho e deslocamento necessários para vender nas feiras.

Aos poucos entendemos que o problema parecia ser o preço porque eles estavam desinformados sobre o preço pago pela Rede a eles. Eles disseram que o Douglas repassava muito pouco para eles, por exemplo R$0,70 as folhas enquanto a Rede paga R$1,50 (Julia fotografou as notas que estavam com Levy mostrando esses preços pagos a eles). Isto significa que o Douglas estaria ganhando mais de 100% em cima do trabalho dos produtores, em vez dos 20 a 25% declarados como percentagem para fazer a administração.

Os três manifestaram interesse e vontade em entregar para a Rede. Tínhamos três problemas a resolver: ajuste nos preços; comunicação junto com organização dos pedidos e do frete, recebimento do pagamento.

Discutimos qual seria um preço justo incluindo o que teriam que pagar como frete (pagam R$3,00 a caixa para quem transporta, numa caixa cabem por exemplo 20 alfaces, 10 couves-flores, etc.). Insistimos que eles têm que fazer esse cálculo e chegar a um preço conveniente, eles concordaram, a alface por exemplo passaria a R$1,80 segundo nosso cálculo.

Joel tem Whatsapp e ficaria com a comunicação e organização dos pedidos, . Joel tem conta bancária na Caixa Econômica, então o pagamento fica resolvido. O transporte também tem como ser equacionado.

Ficou combinado de fazermos a primeira tentativa na semana seguinte. Dissemos que mesmo que comece sem funcionar muito bem vamos todos ajustando.

O que foi animador é que parecem realmente ter acordado para o fato de que precisavam assumir a própria organização e ficarem autônomos. Até o Levy, o mais refratário a assumir a comercialização, querendo apenas se dedicar á produção, agora mostra estar bem consciente disso e disposto a fazer as mudanças necessárias.

Assim como os produtores estão repensando suas práticas, talvez a rede e seus acompanhantes possam também refletir sobre seu papel. O quanto acabamos nunca realmente aprofundando nosso entendimento sobre situações mais delicadas, em que se precisa entender de fato o formato da comercialização, algo muitas vezes escondido. Fica claro, que precisamos estar mais próximos. Um desafio.

Na sexta feira passada, 05/08, Denise e Julia Eleana foram ao Brejal para ver se precisavam de alguma ajuda na organização mas estava tudo certo, o Joel já tinha distribuído o pedido entre os três (ele, Geraldo e Levi) e já estavam colhendo, o transporte tinha sido combinado com o Néia (irmão do Levi cuja família faz várias feiras no Rio). Os três produtores pareciam muito satisfeitos com a autonomia e com o valor do pedido. Levi tinha muita couve-flor que ia estragar, a sugestão foi enviar como extra, foi dito também para sinalizarem sempre que houvesse produtos passíveis de perda, e que pode haver entrega parcial de produtos, é só avisarem. Levi está falando que devem comprar um carro para ficarem totalmente independentes.

Continuando o relato da assembleia foi aprovado o novo limite de compras de secos para R$500,00 por associado. O limite de frescos ao longo do mês será também de R$500,00 total, caso o valor seja extrapolado voltaremos a colocar um teto.

Na próxima semana finalizaremos o relato, com a apresentação feita pelos núcleos.