De Julia Stadler (Santa Teresa):
No fim de maio a Brígida Ruchleimer (Humaitá) e eu tivemos a a honra de representar a Rede Ecológica no primeiro Fórum Franco Brasileiro de Circuitos Curtos em Pinheiral, RJ. Não vou entrar muito em detalhe, já que a Julie Terzian (Santa) fez o favor de traduzir um relatório completíssimo do Gilles Marechal que mandamos em anexo. Queria mais compartilhar um pouco das nossas impressões:
A interlocução da Rede com a organização do evento se deu através de Julie e foi um encontro muito feliz por vários motivos: foi um encontro das mais variadas instancias e dos mais diversos atores imagináveis: produtores, consumidores, políticos eleitos, funcionários públicos administrativos, acadêmicos.
Estávamos todos juntos e ouvindo as experiências de cada um. Das experiências de produtores humildes sem nenhuma estrutura, de jovens netos de produtores que se dedicam a manter a tradição dos avôs „a pesar dos pesares“. Vimos a vulnerabilidade dos produtores frente aos interesses políticos até a sincera vontade de vários grupos de atores de criar um ambiente favorável para um outro sistema de produção e de alimentação. O papel dos municípios ficou evidente em vários momento e me fez lembrar do papel do CONSEA e do circuito de feira no Rio que depende muito da boa vontade da administração da cidade. Foi um momento rico de troca e aprendizado em que foi nítido que todos nós – na França ou no Brasil (ou então no mundo inteiro, como bem sabemos) enfrentamos muitas dificuldades quando desafiamos o sistema do agrobusiness. Embora a situação dos produtores aqui no Brasil seja muito mais precária do que dos produtores franceses que participaram, os amigos franceses também enfrentam dificuldades que por vezes ameaçam a agricultura familiar.
A Rede e as AMAPS representaram o lado dos consumidores e foi bacana perceber como o nosso ativismo ocupa um vazio – tanto na França quanto no Brasil. A Rede talvez se destaque pelo meio termo de assistência e lealdade sem gerar dependência. Os AMAPS por sua vez se destacam pelo compromisso de longo tempo e a confiança mútua que conseguem estabelecer uma outra forma de troca. Foi muito legal comparar as diferentes formas de organização dentro do seu respetivo contexto. É mais um lembrete de investir melhor na troca com os outros grupos da Rede Brasileira de Grupos de Consumo Responsável.
Contamos com hospedagem solidária o que mostra que com boa vontade consegue-se organizar um evento de muito conteúdo e com alto padrão mesmo com recursos escassos.
No sábado após o evento uma delegação francesa chegou a visitar o núcleo de Santa e lá conseguimos conversar com um pouco mais calma e distração. A minha impressão é que eles gostaram bastante da proposta e do funcionamento da Rede. Os produtores franceses que visitaram a gente na maior parte são responsáveis pela comercialização (com logísticas bastante complexas) e me parece que ficaram impressionados com a nossa maneira „leve“ de bolar uma logística sem espaços fixos.
Agradeço muito à organização pela realização do intercâmbio e espero que a Denise Gonçalves (Itaipava) consiga dar continuidade em setembro. Eu fiquei muito curiosa em conhecer as plantações de lá e espero poder visitar num futuro não tão distante.