Desde a posse interina, Michel Temer prega a necessidade de “pacificar e unificar a nação”, mas suas pretensões têm tudo para conflagrar o País, em vez de acalmar. As reformas trabalhistas e da Previdência, por exemplo, levaram centrais sindicais às ruas de São Paulo na terça-feira 16. No campo, não será diferente. Talvez seja até pior.
Afinados com os ruralistas, os planos de Temer prometem aumentar as tensões no campo, sobretudo na reforma agrária e na luta por terra. Ele quer liberar a venda de terra a estrangeiros, um convite à especulação fundiária, e distribuir de forma maciça títulos de propriedade a assentados, um estímulo à reconcentração agrária e mais lenha na especulação. Já cortou verba de programas como o de aquisição de alimentos da agricultura familiar e o de construção de casas no meio rural. E deixou no limbo uma agência nacional criada há apenas dois anos para dar suporte técnico aos camponeses.
Isso tudo enquanto abre as portas federais no setor fundiário ao partido Solidariedade e a seu presidente, Paulinho da Força, já processado por fraude na reforma agrária.
Em movimentos sociais rurais, já é possível perceber disposição para grandes mobilizações e ocupações de fazenda no governo Temer, a um passo de ser confirmado de vez pelo impeachment. O espírito de confronto é reforçado pela crença de alguns grupos, como o MST, de que o interino é um “golpista” e não tem legitimidade. Não é à toa que Temer recorreu ao Exército para monitorar o MST, revelação nascida de uma conversa gravada pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado com o senador peemedebista Romero Jucá, fugaz ministro do interino.
Segue o texto na íntegra:29
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