Segue o relato do primeiro núcleo que organizou um café da manhã com roda de conversa: o núcleo Urca. O relato foi preparado por Miriam Langenbach, e é muito importante para entendermos a dinâmica dos núcleos, e a realidade dos produtores. Que os relatos dos outros núcleos sigam em breve.
V Encontro da Rede Ecológica
O café da manhã no núcleo Urca
Foi o melhor encontro deste núcleo que presenciei na Rede Ecológica: desde o café propriamente dito, com variadas contribuições, muito gostosas, arrumado com tanto esmero por Sueli. Os que não puderam estar presentes, como Carolina e Daniel, Márcia e Rolando mandaram algo gostoso, e junto, o carinho.
Fizemos uma roda em que basicamente cada um trouxe sua relação com a Rede, seu sentimento a respeito. Este era o mote.
Iniciou com João Pimenta, se lembrando em 2007, dos primórdios, quando participou em uma reunião em que estava a Rede Ecológica. Este era um momento em que os produtores da região estavam abandonando o campo, por falta de perspectivas. A Rede Ecológica representou, na medida em que garantia a compra, uma animação para os produtores, que os levou posteriormente a se organizarem como grupo. Assim seu processo de fortalecimento aconteceu, inserindo-se em feiras, na estrutura da Abio, ficando um grupo bastante forte e organizado .
A seguir André falou dos Pães Pessolini, de como trabalhava numa autarquia que lhe dava pouco prazer e renda, e como a produção dos pães se colocou como um complemento de renda, já há vários anosa, antes de ele e Erika entrarem para a Rede.
Integrar-se à Rede representou a perspectiva de produzir com produtos orgânicos,desenvolvendo outros olhares, que se verificaram quando Erika e André se esmeraram na busca de embalagens realmente biodegradáveis , a partir de muita pesquisa. Foi interessante saber como a produção dos pães possibilitou sua formação universitária, que está acontecendo agora.
A seguir foram vários consumidores falando: Efigenia,superveterana, que acompanha a Rede desde as primeiras compras, e que tem um profundo afeto pela iniciativa. Ela auxiliava nas entregas. Atualmente mora e trabalha em Itaguaí, mas sempre acaba dando um pulinho no núcleo.
Passou por Beth, cofundadora, falando dos primeiros tempos, árduos, de sua amizade com Sebastiana, assentada em Trajano de Moraes, e que estava produzindo e não tendo como escoar. A ida lá, suas lembranças levando palmitos no ônibus de Trajano até o Rio, em caixotes, as peripécias. Lembrou-se de sua ação em que os pedidos eram feitos telefonicamente, tudo muito artesanal. Tempos heróicos.
Beth compartilha seu ceticismo na época com a possibilidade de um coletivo de consumo, como tendia mais a valorizar as feiras.
Sueli, também integrada á Rede desde o inicio, e que fica muito satisfeita em ver que a Rede extrapola as compras, e se volta para as questões sociais mais amplas. Preocupa-se muito com a questão das sementes, e acha que a Rede deveria ter um protagonismo mais forte em relação a isto. Surgiu a idéia de se fazer um grupo para trabalhar a questão das sementes.
Dario, espanhol, conta como veio para a Rede através da escola. Fizemos um destaque para a importância da Nau, desde o primeiro momento de surgimento da Rede, nos acolhendo sempre, ajudando no que fosse necessário. Por muitos anos o espaço do mutirão foi nesta escola.
Houve a curiosidade porque a NAU não compra da Rede, já que são, através da cessão do espaço, automaticamente associadas da Rede. Vimos que a escola tem um cotidiano muito movimentado e exigente, e que neste sentido nós, do núcleo teríamos que pensar formas de sermos mais ativos, ajudando mesmo a viabilizar a compra. Isto ficou de ser melhor visto mais para a frente.
Lucio, que está há poucos meses na Rede Ecológica, falou bastante do seu projeto de ecovila, e de como, dentro da Rede vislumbrou uma participação significativa para todos, que seria a organização de vivencias rurais junto a produtores nossos. Estas vivências acontecem ficando os integrantes por alguns dias,trabalhando na terra, ajudando em relação ao que for necessário. Falou um pouco da ecovila que há 3 anos toca, tendo o facebook tendo tido um papel importante. 30.000 seguidores no facebook, versus 6 pessoas que se envolveram para valer. E como atualmente, momento em que estão procurando terra para comprar – tem a perspectiva de arrendar uma – estão indo a terras de agricultores, para ir aprendendo, trocando,etc.
Carlos, que entrou há poucos meses, mas já tinha ouvido muito a respeito, através de amigos que estão envolvidos com o montanhismo. Manoel seguiu , falando da sua entrada na Rede desde seu inicio, e de como a Rede tinha sido uma referencia e ponto de partida para muitas pesquisas, descobertas (mexe com muitas formas de produzir alimentos, fez pão, desidrata certos produtos).
Chega Antunes, nosso motorista, que conta para o grupo sua satisfação em ter se tornado assentado de um assentamento do MST em Quatis. Pretende trazer produtos de lá, e vai compartilhando sua paixão pela produção, que fazia quando morava no Espírito Santo. Agora quer fazer um trabalho com alforquias, processo que explicou detalhadamente para o grupo, que ficou fascinado. Ficou claro que é um pesquisador, criador de tecnologias sociais – agora está fazendo um equipamento para o assentamento Terra prometida, para facilitar a capina.
O grupo pediu uma oficina em que possa aprender a fazer as alforquias.
Partilhou sua atividade intensa de reaproveitamento, a partir do transporte de objetos e materiais da rua , da av. São Sebastião para os vários espaços que conhece, ajudando as pessoas a se instrumentar com coisas não mais usadas.
Miatã e Ana falam de sua presença há mais ou menos 2 anos na Rede, e como gostam do funcionamento, vendo a autogestão acontecer, entrelaçada com a participação.
Paula fala também de como gosta da Rede, nunca vislumbrou sair, e como é rica a troca que acontece. Esteve a frente da logística nestes últimos meses.
Rose, uma veterana convidada para o aniversário, trouxe sua passagem por vários núcleos, tendo começado e ficado bastante tempo na Urca. Atualmente como está a frente de um trabalho que a ocupa aos sábados, não consegue se organizar para buscar os produtos. Mas de coração continua sendo Rede Ecológica.
Trouxe sua preocupação com a saúde dos produtores, a partir de sua vida árdua, trazendo lesões físicas, na coluna especialmente. Observa como o trabalho agachado, muito artesanal, acaba provocando estes problemas e sugere que a Rede pense na busca de formas de aliviar isto. Antunes falou do equipamento para a capina que está confeccionando com o Terra Prometida, e que é exatamente para aliviar esta atividade.
Miriam fala de que as atividades da Rede já foram muito contempladas, mas acha importante falar deste momento, em que a Rede busca a regionalização – isto é , fortalecer criação de grupos de consumo em regiões, descentralizando. No bojo deste processo, está-se finalizando uma proposta de ação na baixada fluminense, que vai realizar um diagnóstico preliminar de agricultores de 4 assentamentos, desenvolvendo posteriormente algumas ações que os fortaleçam como agricultores agroecológicos.Paralelamente haverá um diagnóstico de potenciais coletivos de consumo nas grandes cidades da região, buscando, através do Curso de Capacitação para o Consumo responsável, oferecido pela primeira vez em 2015, e em 2017 tendo sua segunda edição, mais encurtadas. Esta seria a forma de incentivar novos coletivos de consumo na região.. Este projeto estará sendo garantido pela Rede Ecológica e seu fundo, assim como pelas contribuições de cestantes, estando em parceria com a Aspta.
Luiz Augusto traz sua relação com a Rede, a partir de sua atuação com a sustentabilidade no seu trabalho, onde atua num programa.
Foi muito rica a troca, posteriormente alguns de nós fomos comemorar, no almoço.