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Relato sobre a visita à agricultora Leodiceia Salles

Relato da Visita ao Sitio Canaã: “Em 02/11/16 fomos visitar o sítio Canaã, da agricultora Leodiceia de Lima Salles. Era um feriado de finados de muito sol e conseguimos sair do Rio de Janeiro às 8:30 da manhã. Estávamos no carro: Miriam, Eva, Beto, Lúcio e Leonardo (amigo de Lúcio).

Tínhamos 3 objetivos em mente:

  • Conhecer o sítio e sua produção
  • Falar sobre a Rede Ecológica, pois há tempos que tentamos estabelecer a relação de consumo com ela.
  • Propor uma vivência rural em que um grupo de participantes da Ecovila coordenada por Lúcio, nosso associado, junto com consumidores da Rede Ecológica ficariam 4 dias alojados no sítio para ter uma experiência de imersão na vida rural, aprendendo na prática o dia a dia do campo.


Foi uma visita muito significativa, porque evidenciou muita troca, especialmente Lúcio e Leonardo, da Ecovila, que enquanto consumidores foram adquirindo muitos conhecimentos relativos a agroecologia, através de cursos, internet, vivencias junto a uma agricultora guerreira apaixonada pela agricultura agroecológica, com muita bagagem também. Sua vida, de muitas dificuldades, o ter que deixar uma terra a qual se dedicou por 12 anos e que lhe foi tirada para a extração de areia. Lutou muito e conseguiu que a ressarcissem com outro pedaço de terra, onde está há 3 anos, com cerca de 4 hectares. Os 4 filhos, dos quais dois já se encaminharam para a agroecologia, e o filho Júlio, adolescente, também parece estar tomando gosto com a comercialização na feira. De seu modo simples, Leodiceia mostra muito conhecimento e familiaridade com a agroecologia. Ela no caso era, junto com Juliana, no território onde estão, praticamente as únicas que trabalhavam desta foram. A região onde está inserida em realidade é uma comunidade de agricultores, mas que seguem as práticas convencionais.

Ela foi se aproximando dos vizinhos, em geral são todos parte de algumas poucas famílias, e atualmente já tem alguns que estão trabalhando em parceria com ela, dentro do mesmo enfoque. Ela é a referência para a comercialização de seus produtos, sendo que a feira da UERJ se coloca como um canal de escoamento importante, que está se iniciando, assim como a Rede. Não quer mais do que uma feira por semana, exatamente porque isto a afasta demais do campo. Ela está numa pequena feira local, da comunidade também. Está sozinha, o que é um problema em vários sentidos.

A primeira parte da visita se voltou para o pedaço de mata que faz parte de seu terreno, e a questão da água que considera um de seus grandes problemas. A água e o transporte parecem ser seus grandes nós.

Tinha 4 nascentes no terreno que secaram com exceção de uma, que também é precária, em função de uma pedreira que agia nos fundos da sua área. Há poucos anos acabaram sendo denunciados e presos, mas retomaram na surdina e ela não pode fazer nada.

Na medida em que se visitava o sítio, Lucio foi fazendo sugestões no sentido de ver espaços onde poderia ser reforçada uma estrutura para água ainda existente, que de certo modo fosse simples e ajudasse na captação da água de modo mais permanente.

Outro aspecto levantado por Lucio para enfrentar a falta de água, é zelar muito por uma cobertura forte sobre as plantações, o que vai praticamente eliminar a necessidade de irrigação. A irrigação saliniza muito a terra, e acaba provocando mais necessidade de água. Foi dado destaque ao vetiver, e de como funciona como elemento que também ajuda na questão da irrigação. Se propôs a introduzir esta planta no sítio, planta esta bastante desconhecida.

Ele avaliou, entretanto que mexer com esta parte de água na mata seria trabalhosa para os poucos dias que terão. Ficou clara a preocupação da Leodiceia manter essa região da mata mais preservada para tentar recuperar o rio que ali passava. Além de ser uma área com temperatura bem mais agradável que o restante do sítio. Ela pensa em começar uma horta na beirada da encosta, por ser mais protegida. do sol. E na parte alta plantar algumas frutíferas como cupuaçu, cacau, café.
A segunda parte da visita se voltou para vários espaços de produção de hortaliças, e também frutas. Foi fazendo experiências, que foram dando certo. Algumas plantações identificadas foram: aipim, quiabo, couve, jiló. Ficou visível que não utiliza nenhum tipo de veneno, mostrando os adubos que prepara.

O espaço de moradia é muito precário, bagunçadíssimo e abandonado, falta um banheiro que tenha um chuveiro, motivo de preocupação para a vivência. No caso ela justificou porque está mexendo na casa. Se visitou o galpão onde prepara os produtos que irão para comercialização, que já está mais arrumado. Lá tem um quarto com computador onde ficava Julio, seu filho.

Passou um menino buscando alface, o que parece prática bastante freqüente junto aos vizinhos, para quem comercializa também.

Vimos ainda a agroindústria, bem equipada, e que pertence à associação, da qual Leodiceia participa. Está bastante abandonada, e parece que Leodiceia terá um papel forte na sua gestão. Mas é um espaço muito bom, uma pena não ser bem aproveitado. Não chegamos a conversar com mais alguém, porque a pessoa em questão estava ocupada. Lá também tem a possibilidade de abrigar pessoas. Marimbondos atacaram um dos telhados, que está em situação precária.

Leodiceia prometia uma solução e encaminhamento para as várias precariedades, mas percebe-se que vai ser difícil, há muitos desafios.

Na parte final fomos ver sua estufa, que foi muito atingida por uma tempestade, e que ela recuperou de modo precário e pretende melhorar em breve. Onde planta alface e radicchio.

Fizemos ao final uma pequena apresentação sobre a Rede, para dar um mínimo recado. Leodiceia vai se associar e está muito animada, com uma série de produtos aos quais terá acesso.

Abordamos a campanha Xô Saco Plástico! e percebemos um desejo muito grande seu de aderir. Já o fez por sua própria conta, na barraca da feira da UERJ, que acabou de iniciar, levando umas 20 sacolas que tinha, que deu às pessoas com o pedido que devolvessem, o que não aconteceu.

Fomos pensando formas, de ela poder assumir de modo mais tranquilo esta campanha: o empréstimo deverá cobrar pela sacola, havendo o retorno do dinheiro se a pessoa devolver. Se fazer um painelzinho que explica minimamente a campanha.
Pedir à pessoas da Rede que doem sacos plásticos á ela, para o empréstimo.

Eva sugeriu que durante a vivência/mutirão se poderia convidar as pessoas da comunidade a participarem, além de pessoas da Rede Ecológica. Também poderia ser uma oportunidade de agricultores e consumidores do projeto Campo e Cidade se dando as mãos na baixada estarem presentes. Seria o primeiro evento, endossado pelo projeto.

Foi considerado que para a Vivência Rural acontecer seria necessário resolvermos com os vizinhos – ou com a Juliana, que ao que parece tem mais estrutura, – a questão do alojamento, banheiro e banho já que são 5 a 10 pessoas e na casa da Leodiceia não existem as condições mínimas, nem mesmo água encanada.

Lucio levou uma muda de manga Palmer e Miriam 2 de aroeira, que foram plantadas.
Foi muito legal a troca e o aprendizado adquiridos por toda(o)s nós neste dia.