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Reunião do Programa Campo e Cidade se Dando as Mãos (Final)

“Foi feito um intervalo para o almoço, como sempre delicioso, com o compartilhamento de comidas levadas por cada um(a), a maioria feitas com ingredientes da Rede! Pães maravilhosos, salpicão vegano preparado por Ângela (com carne jaca e maionese de castanha de caju), cuscuz paulista feito com canjiquinha e palmito da Rede, a torta salgada de aipim da Bibi, goiabas do quintal da Lucimar, entre outras tantas delícias salgadas e doces, acompanhadas de muita conversa e trocas, como sempre.

II Curso de capacitação para criação de coletivos de consumo e buscas iniciais de parcerias na Baixada Fluminense Miriam Langenbach

Tinha sido feito um 1o Curso de Capacitação em 2015 com vários módulos trabalhados em dia inteiro. Pensou-se em retomar em 2017, como parte do Programa Campo-Cidade dando as Mãos, reformulando um pouco, ficando um curso mais curto, colocando mais temas no mesmo dia, fazendo 5 módulos de um dia inteiro. Foi pensado como um elo de integração e animação para preparar pessoas para a criação de potenciais novos coletivos de consumo na baixada.

Houve uma procura boa, 30 pessoas se interessaram. Mas não houve nenhum contato presencial anterior e o local escolhido foi o Museu São Bento em Caxias, com acesso um pouco difícil. Apenas 5 pessoas vieram e se avaliou que não valia a pena dar continuidade.

Propostas de continuidade

Para conseguir implantar o curso, visto com muitos elogios, como um produto de destaque que a Rede Ecológica tem a oferecer, algumas ideias foram colocadas, ficando para pensar melhor mais para frente:

– tentar fazer um curso a distancia, com pouquíssimos encontros presenciais.

– tentar encaixar dentro de um evento, mais concentrado, com alguns dias seguidos, nele passando alguns dos conteúdos.

– ter um curso para os associados da Rede Ecológica

– pensar um formato de seminário com pessoas de diferentes lugares, convidando pessoas de universidades.

– pensar alguma atividade de formação, mais concentrada, de 2 dias, que pode envolver os próprios cestantes da Rede, pode envolver universidade, trazer pessoas de fora, trazer também produtores.

CRIAÇÃO DE NOVO COLETIVO DE CONSUMO (Núcleo Caxias) Mariana Oliveira

Começou com um trio, que envolveu Ana Santos (Grajaú) e as 2 Marianas, que já tinham certa experiência de organização. Encontraram-se durante 2 meses uma vez por semana fazendo um levantamento de preços dos produtos e um comparativo, entrevistas para saber de interesses das pessoas, definição de cesta básica, etc. Houve receptividade, mas ficou claro que o grupo se dividiu entre os que não deram continuidade e um grupo que quis mesmo se associar. Acabaram se criando 2 grupos diferentes no zap. A partir do inicio do grupo as 2 Marianas assumiram a liderança do coletivo.

Fizeram uma lista fixa de produtos – a cesta básica agroecológica -, a proposta era o pagamento de R$ 10 de mensalidade, e esta cesta fixa ficar em R$ 100,00. O processo se concentrou muito nas duas Marianas. A entrega é no Centro de Caxias, muita gente mora longe do Centro. Não teve propriamente uma acolhida, e vão resolver isto através de Rafael Carvalho, que é da comissão de acolhida e irá ao núcleo para fazê-lo.

Iniciaram com o pagamento antecipado, que acabou dando problemas porque vários produtos não vinham e atualmente decidiram combinar com o pagamento sendo feito no dia. Também a cesta acabou ficando limitada e passou-se à lista aberta da Rede. A partir disto a mensalidade ficou em R$ 15.

Tentaram determinar funções para cada pessoa, dividindo financeiro, comunicação, acolhida, mutirão. Algumas pessoas vão ficar fixas nos mutirões da Rede, uma pessoa coordena o mutirinho e agora cada uma das 11 pessoas tem alguma função.

Quando começaram, emitiam notas fiscais pela empresa de uma das cestantes, que cedeu o espaço. Isto agora foi reformulado porque envolvia contador e ficou muito complicado já que entrava na contabilidade da empresa que cedia o espaço. O grupo do whatsapp tem funcionado bem para a comunicação interna.

Estão tendo uma produtora, que se tornou associada, que começou com os ovos e agora está querendo fornecer mais hortifruti. Outros produtores não se interessaram muito em ser fornecedores. Resolveram ter um produtora que assumiu a entrega dos frescos. Ela não tem muitos itens.

Têm uma despesa com transporte, gastam R$ 50 do Grajaú até o núcleo em Caxias. Quando as pessoas voltam de mutirão levam as coisas e o núcleo paga um táxi para elas irem até a casa delas (+ R$ 20,00).

Desde o inicio estão buscando produtores locais a partir de sua busca, e um deles é o café. Está tendo problemas porque o café é torrado demais, com problemas de aceitação pelos consumidores. Estão buscando ajudar no assunto. Falamos da Coofeliz, nossa produtora, que também passou por este problema e nos lembramos do café de Guapimirim (da Afojo), que também teve que reformular muito.

Adotaram os 3% para doar para a Rede pela sua consideração. Sugerimos que guardassem para gastos com o núcleo.

No local onde estão não têm geladeira, então se pensou algumas alternativas para ter uma mais para frente, pois faz alguma falta nas entregas.

Papel do coletivo de consumo de Nova Iguaçu – relação com a estratégia de regionalização da Rede Ângela Prado

Nova Iguaçu já é um núcleo com 4 anos, com o principal desafio de como incluir os frescos. O pedido de secos é bom, as pessoas estão começando a participar um pouco mais, mas vai ser preciso fazer algum mecanismo para forçar a inclusão dos frescos nos pedidos. O grupo tem um whatsapp se comunica. Tornar os frescos semanais ou quinzenais também reforça o grupo, que acontecendo apenas uma vez por mês, fica distante.

Está prevista uma nova feira em Nova Iguaçu, a partir da UFRRJ. Haverá uma reunião para sua organização no inicio de fevereiro. Pensamos inicialmente em se integrar a esta feira, mas ficou claro que seria difícil, porque ela acontecerá nas terças. Esta impossibilidade também aconteceu com a feira da roça, que acontece 4a e 6a. E a grande maioria trabalha, e só poderia mesmo no sábado. Mas talvez possa ser pensada uma barraca ligada a campanhas e interação com consumidores, que poderia acontecer a cada 2 meses nesta nova feira da UFRRJ e envolver associados do núcleo, que através da feira, possivelmente atrairiam pessoas para se associar ao núcleo. Feira e coletivo de consumo são propostas complementares.

Aparentemente as pessoas associadas querem produtos certificados e a feira da roça os tem em minoria.

Assim há um quebra-cabeça que exigirá protagonismo dos integrantes do núcleo e uma proximidade maior até para ajudar em certas transições.

Ângela coloca que terão em breve uma reunião do grupo, e que é a favor que se coloque pressão neste assumir os frescos: o mínimo de frequência de entrega com compromisso seria quinzenal. Uma das possibilidades seria colocar um valor mínimo de pedidos de frescos, obrigando a ter uma compra de frescos, com um compromisso. Um ponto básico é que as pessoas entendam que o ponto de partida da Rede é o fortalecimento dos agricultores familiares agroecológicos locais e que a compra é uma das principais formas de empoderá-los. Isto tem que ficar muito claro.

Neste sentido Érika trouxe a contribuição de como ouvir o produtor falando de sua realidade, tem um forte impacto. Esta proximidade tem que acontecer. Guilherme falou de um áudio que o produtor mandou e que teve um papel forte no sentido de sensibilizar consumidores, isto também podendo ser uma forma a ser mais desenvolvida, de comunicação entre produtores e consumidores.

Annelise falou de uma produtora que vende na feira da Freguesia e é de Campo Alegre (onde está o assentamento cujos agricultores foram entrevistados) e pega de vários vizinhos. Como estas pessoas articuladores tem um papel fundamental, dado que o transporte é uma das grandes dificuldades.

O desafio do núcleo neste primeiro momento é o seu compromisso com a compra. O segundo é buscar produtores que possam abastecê-los. A perspectiva da criação de um terceiro núcleo na baixada, ou um outro em Nova Iguaçu, pode ser uma forma de fortalecer estes grupos.

Milca percebe que o consumo de frescos no Grajaú tem diminuído. Grajaú também tem uma dificuldade muito grande para passar a ser semanal. Isto aconteceu em alguns núcleos, mas tem que se conseguir reverter, e isto só vai acontecer se o consumidor perceber a centralidade de sua importância.

Encaminhamento: reunião em março da Rede com Nova Iguaçu, que será preparada por uma reunião por agora, e se concordou que a postura tem que ser mais firme.

Ideia de aproximar os consumidores dos produtores: isto vale tanto para Nova Iguaçu quanto para os núcleos que não estão inseridos em feiras. Seria o caso de levar produtores aos núcleos para conversar com as pessoas, trazer sua situação. Fazer pequenos áudios ou vídeos com falas dos produtores quando acontece alguma coisa, que possam ser mandados por zap.

Foi comentado como a vinda de Talita, responsável pela logística, a uma reunião do núcleo foi muito bom, deu para perceber melhor o processo.

Outra coisa que foi vista foi mobilizar pessoas que nunca foram nos encontros da Rede – cada núcleo indicar 3 pessoas que nunca foram para estar nas próximas reuniões gerais.

OFICINAS DE COZINHA

As oficinas de cozinha surgiram como uma proposta de ação junto aos consumidores, tanto para uma troca de experiência em relação à alimentação agroecológica e ao consumo responsável quanto para uma conscientização e incentivo ao uso dos alimentos produzidos na própria Baixada, valorizando o uso de ingredientes naturais (não industrializados) e de origem o mais local possível. Foi montada uma comissão de cozinha, composta por Beth Bessa e Milca Colombo (Núcleo Grajaú), Bibi (Santa Teresa), Denise Gonçalves (Itaipava), Ana Santos (Grajau) e Irma Bello (Vargem Grande).

Foram realizadas 3 Oficinas de Cozinha, em sábados, de 10h às 16h. Duas foram realizadas no CAC – Centro da Ações Comunitárias de São Joao Meriti e uma com a Rede Fitovida (Belford Roxo). A proposta das oficinas era inverter a lógica da receita, partindo os ingredientes disponíveis para pensar o cardápio, seguindo as orientações do Guia Alimentar da Alimentação Brasileira, publicado pelo Ministério da Saúde e levando em conta o princípio dos 3 Rs, tentando aproveitar ao máximo os ingredientes e reduzir os desperdícios. Nas oficinas, se levava alguns ingredientes básicos, como o arroz e o feijão, além de produtos disponíveis na Rede e nos assentamentos da Baixada (como aipim, jiló, batata doce, abóbora, banana). No CAC se fez colheitas de PANCs existentes no quintal (uma das oficinas foi sobre PANCS. A proposta era ter oficinas rotativas, cada vez num local pensando em envolver as pessoas que participam das organizações anfitriãs, mas a participação foi muito baixa de pessoas dos locais e se viu que para envolver a população local talvez se precisasse ter outras estratégias.

Acompanhamento ao CAC – Centro de Ações Comunitárias de S. João do Meriti – potencial novo coletivo de consumo (Beth, Zolmir, Milca, Bibi).

Como desdobramento das oficinas, descobrimos a existência, no CAC, de um Quintal maravilhoso de quase 4 mil metros quadrados (numa região da cidade onde há carência de áreas verdes) e onde funciona uma escola comunitária com 80 alunos entre 5 e 7 anos. O quintal estava com boa parte em situação de abandono e então a comissão de cozinha resolveu concentrar os esforços da comissão em algumas atividades como objetivo recuperar o Quintal do CAC e transformá-lo num espaço de educação ambiental e de educação alimentar, em articulação com a escola e com a comunidade escolar. Com o apoio de Zolmir (cestante da Rede e participante do Verdejar) se realizou alguns mutirões para a limpeza do quintal do CAC. Zolmir fez o curso da Escolinha de Agroecologia de Nova Iguaçu, participou das vivências rurais e soube do mutirão no CAC, se dispondo a dar um apoio. O quintal tinha uma parte grande com muito lixo e muito capim colonião. Foi feito todo um trabalho de limpeza (Zolmir levou máquina para roçar do Verdejar). A direção do CAC conseguiu que a prefeitura retirasse o lixo e os entulhos que os vizinhos de trás jogavam no quintal (foram tirados mais de 8 caminhões de lixo), foi feita uma capina do capim que estava bem alto. A Rede apoiou com a reforma do muro de trás, que estava com uma parte caída. As professoras organizaram uma passeata com as crianças na rua de trás para pedir aos vizinhos que não joguem mais lixo no quintal.

A ideia é reforçar e diversificar o pomar já existente, implantar plantios, que podem ser horta, horta medicinal, agrofloresta, roça (mandioca, batata-doce, quiabo, milho, amendoim). A proposta é implantar um sistema de irrigação e de captação de água da chuva. Todo o trabalho no quintal está sendo integrado com os alunos, que plantam sementes e visitam a área, comem as frutas do quintal na merenda. A presença da Rede Ecológica tem valorizado as PANCs e as frutas do quintal (reforçando o trabalho das professoras de incentivo ao consumo de frutas), mas ainda há muito que avançar.

Lucimar é mãe de ex-aluno do CAC e voluntariamente ajuda com o quintal do CAC, junto com Sandra (outra mãe de aluno). Ela estava presente na reunião de avaliação do Programa falou sobre a importância da Rede ter apoiado o trabalho no quintal do CAC, porque elas não estavam dando conta.

Entre os contatos que haviam sido feitos pela Rede Ecológica na Baixada, estava um professor do Curso de Educação Ambiental do Colégio Estadual Presidente Kennedy, de Belford Roxo, que se interessou em colaborar com as atividades no Quintal do CAC e alguns alunos e professores começaram a participar dos mutirões. Atualmente, está em implantação um estágio-vivência no quintal, ainda informal, numa parceria CAC-Rede Ecológica-Colégio Presidente Kennedy e uma aluna está indo ao local uma vez/semana. Paulo (cestante da Rede e da Fundação Xuxa) realizou uma oficina sobre compostagem no quintal, envolvendo os alunos e professoras, que por sua vez estão envolvendo seus pais e mães para levar os restos de comida para compostar. A proposta é fazer algo no mesmo sentido da revolução dos baldinhos, proposta iniciada em Santa Catarina, incentivando a compostagem do lixo orgânico.

Esperamos que deste trabalho por um lado se estruture ali um futuro grupo popular de consumidores. Incentivar a participação das pessoas locais é o grande desafio, incluindo as famílias dos alunos. Percebeu-se que um bom caminho é através da escola, das crianças e seus pais. A experiência da introdução da compostagem foi um caminho interessante, pois as crianças ficaram animadas e trouxeram os pais.

Encaminhamentos

– Dar continuidade ao acompanhamento ao Quintal do CAC, com mutirões periódicos. Retornar as oficinas de cozinha, voltadas para as famílias dos alunos, fazendo atividades que envolvam mães/pais e crianças. Pensar alternativas ao uso de refrigerantes e bebidas industrializadas (muito presentes nas merendas e nas festas do CAC).

– Fazer o projeto para a captação da água de chuva e irrigação e ver como conseguir os recursos. A AMAR, que já apoiou o CAC, pode ser um caminho para um apoio, articulando com o Chantier 2018.

– Existe uma proposta de talvez realizar oficinas de cozinha mais voltadas para a própria Rede Ecológica de uma maneira geral, tendo em vista incentivar um maior consumo de produtos existentes na baixada e pouco consumidos (como aipim, por exemplo), discutir temas como desperdício, data de validade, trocar experiências sobre uso de alguns produtos (cacau, carne de jaca, PANCs, etc.).

ENCAMINHAMENTO GERAL:

O horário chegou ao limite e não houve tempo de voltar ao planejamento geral. Cada frente/ação tem indicativos para a continuidade e na reunião do Comitê Gestor de maio/2018 vai ser retomar o planejamento

AVALIAÇÃO GERAL DA REUNIÃO

Foi vista muito positivamente, alguns ainda não ou pouco conheciam o programa, e ficou algo mais próximo, percebendo sua importância. Unanimidade de que muito tinha sido feito em 2017 e o clima animado continuava. Fica muito visível que a reflexão coletiva ajuda muito a pensar e avançar, o que especialmente neste momento difícil vivido, é fundamental.

No Programa fica muito forte a referencia a outro paradigma, que não é o capitalismo, com sua preocupação com o lucro, a acumulação, a aparência. É outro modo de funcionar pautado na troca, na solidariedade, e no qual fica muito clara a abundancia.