De Silvia Baptista (Vargem Grande):” Segunda feira estarei apresentando à banca do ICICT/FIOCRUZ, a pesquisa “Práticas de comunicação na Produção e consumo de plantas medicinais: a intertextualidade entre informação científica e o conhecimento tradicional” realizado participativamente com um grupo que tem ao longo dos últimos oito anos trabalhado as políticas voltadas para plantas medicinais na região metropolitana do Rio de Janeiro. Somos muitos os co-autores desse trabalho, no entanto, coube a mim relatar essa jornada, a partir desse ponto de vista da informação e comunicação em saúde. Espero ter sido leal às vozes que compõe essa pesquisa. Busquei aplicar o método da sistematização, como aplicado no campo da agroecologia, o que foi um aprendizado fundamental. Então você é meu convidado para esse momento de avaliação que será promovida por quatro valorosas mulheres – pesquisadoras que compõe a banca. ”
Local: Instituto de Comunicação e Informação e Comunicação em Saúde (ICICT/FIOCRUZ)
Endereço: Av. Brasil, 4036 | Prédio Expansão do Campus – Sala 209 | Manguinhos tel: 3882-9033 ou 9037
Referência: Fica no lado esquerdo da Avenida Brasil quem segue em direção ao centro, ou seja, é o prédio que fica do lado oposto ao Castelo da Fiocruz.
Data e hora: 31 de março, 10h.
s usos e diferentes apropriações das plantas medicinais mobilizam desejos e recursos por todo o mundo. Laboratórios, instituições de pesquisa, indústrias investem bilhões de dólares em busca de novas moléculas tendo como ponto de partida o acesso ao conhecimento tradicional associado à biodiversidade. Os povos e comunidades tradicionais e agricultores familiares tem se utilizado de estratégias, muitas vezes insuficientes, para proteger ou negociar o conhecimento constituído por seus antepassados.Enquanto objeto de estudo, nessa dissertação, investigamos o conhecimento sobre plantas medicinais tanto do ponto de vista da Saúde Coletiva como da Agroecologia. Utilizamos esses campos como fronteiras epistemológicas para analisar a intertextualidade entre informação científica e o conhecimento tradicional na comunicação informal que vincula os atores em redes sociotécnicas de plantas medicinais. Essas redes são delineadas a partir de projetos e práticas orientadas à produção e consumo de plantas medicinais entre a zona oeste do Rio de Janeiro e a Baixada Fluminense, na região metropolitana. Utiliza como procedimentos metodológicos a sistematização, entendida como pesquisa não convencional e composta de análise documental, observação participante, entrevistas semiestruturadas e duas reuniões. Como resultado identificou o estado de reciprocidade ao conhecimento tradicional em grupos de pesquisa brasileiros e em quatro periódicos de comunicação científica. Analisou esses elementos em razão da multi e interdisciplinaridade nas pesquisas apresentadas. Verificou o papel das feiras agroecológicas como nós da rede e como mercado simbólico onde a intertextualidade se manifesta na comunicação informal. Conclui que a existência de múltiplas fontes de informação sobre plantas medicinais na memória dos atores dessas redes e identificada na comunicação formal ou informal qualifica a rede sociotécnica. O elemento do conhecimento tradicional mais relevante para a formação dessa rede não é a agrobiodiversidade mas a reciprocidade. A partir dos resultados apresentados espera-se que o imperativo ético derivado dessa dimensão da dádiva se estenda aos objetos ou quase objetos como elementos críticos da promoção da saúde e inclusão produtiva dos agricultores familiares, povos e comunidades tradicionais