Relato preparado por Bibi Cintrão (Santa) e Miriam Langenbach (Urca) sobre o encontro entre produtores e consumidores da Rede:
“”Realizamos no sábado passado, 12/maio/2018 o nosso Encontro de consumidores e Produtores de frescos da Rede Ecológica, na Casa Anicha. Mais uma vez foi um “encontro”, no sentido mais amplo do termo, com muitas trocas, aprendizados e informações. Ele praticamente inaugurou este tipo de encontro (há vários anos houve uma rápida reunião com alguns de nossos produtores) e ficou clara sua importância. Ele deverá ser realizado pelo menos uma vez ao ano (idealmente uma vez por semestre). Promete uma união muito maior entre campo e cidade, e entre os próprios produtores, que até então se desconheciam.
Estavam presentes cerca de 43 pessoas, sendo 30 consumidores e 13 produtores.
Consideramos que quatro produtoras (todas mulheres!) que tem uma dupla inserção, prioritariamente na contagem como produtoras: pães Pessolini – núcleo Humaitá, Erika Molini, Suély produtora de frescos do núcleo Caxias – núcleo Caxias, Ana Santos (CEM) – núcleo Vargem Grande e Flora (Terra Prometida em Nova Iguaçu e núcleo Nova Iguaçu). Decidimos por contabilizá-las como produtoras, apesar de serem associadas atuantes nos núcleos dos quais fazem parte.
Dos consumidores foi muito bom ver a forte representação do Grajaú (10 pessoas), seguida por Santa (7), Humaitá (6), São João de Meriti (4), Nova Iguaçu (3), Urca (2) e Campo Grande (1). Do núcleo Niterói não havia ninguém presente.
Dos produtores estavam: Assentamento Roseli Nunes, Assentamento Terra Prometida, Bemposta, CEM, Pães Pessolini, parceira do produtor Fabricio da Umami, Serorganico. Apresentou-se um novo produtor para nós, o Frutos da Floresta, com polpa de juçara, que deverá entrar na próxima chamada de secos.
O encontro começou com uma apresentação rápida das pessoas presentes, incluindo uma breve fala da Casa Anitcha feita por Renata Lara. A casa Anitcha foi a anfitriã do encontro, uma organização parceira, com espaço maravilhoso e com uma energia muito positiva. Em seguida houve uma apresentação da Rede Ecológica preparada por Miriam (Urca) e Thais (Santa Teresa), que tinha como objetivo que um conhecimento mais amplo da complexidade e riqueza da organização e das ações realizadas pela Rede Ecológica, pensando especificamente nos benefícios para os produtores. Esta exposição ajudou também a entender o papel diferenciado que a Rede Ecológica representa em relação aos grupos de consumo existentes no Rio de Janeiro. A presença de pessoas dos dois núcleos novos da Baixada Fluminense, fruto do trabalho no Programa Campo-Cidade dando-se as mãos, trouxe questões importantes e explicitou o alto grau de interesse e participação destes dois grupos.
Depois disso, João Cândido (Santa Teresa) apresentou um levantamento sobre a oferta e demanda de frescos na Rede, feito por ele e por Bibi com base numa planilha enviada por Aline Almeida, puxada a partir do sistema de pedidos, com todos os produtos frescos que foram ofertados entre jan/2017 e abril/2018. A apresentação buscou dar um panorama geral dos produtos existentes e dos produtos que costumam faltar. Viu-se que a lista de produtos ofertados pela Rede é bastante extensa e é possível analisar produto a produto para dar uma ideia aos produtores sobre quais as oportunidades de produtos que podem ser oferecidos. Em torno disso foi feita uma conversa bastante rica, envolvendo a questão dos preços, da sazonalidade, das dificuldades enfrentadas pelos produtores, da necessidade de organização conjunta para enfrentar os graves problemas (fundiários, ambientais, de violência) que os produtores estão enfrentando. Ficou claro que um desdobramento fundamental vai ser dar continuidade às questões em grupos menores, no que se refere ao planejamento de produção, que possibilite um aprofundamento também da interação dos agricultores entre si. Quanto aos graves problemas relacionados à violência urbana e no campo, precisaremos pensar em caminhos viáveis para apoiar mais nossos produtores.
A questão dos núcleos quinzenais apareceu e a necessidade deles se tornarem semanais.
No intervalo para o almoço, como sempre havia delícias feitas com carinho trazidas pelas pessoas participantes. À tarde retomou-se a conversa com uma fala dos produtores sobre a sua participação na Rede e as questões mais importantes, tanto em possibilidades de ofertas de produtos, de reaproveitamento de embalagens, de dificuldades de comunicação com os cestantes, etc. Viu-se a necessidade de uma maior integração entre os produtores, tanto para apoios mútuos em problemas enfrentados quanto para equacionar a questão de produtos que podem ter sobreposição e para o planejamento da oferta. Conversamos também sobre a necessidade de melhorar a comunicação entre produtores e consumidores e talvez de reorganizar a comissão de frescos. O encontro terminou com uma dança circular coordenada pela Renata.
Agradecemos a todas as pessoas que colaboraram com o contato com os produtores, assim como a organização do encontro, feito a muitas mãos. Na comissão organizadora ficaram Cecília e Érika (coordenadoras da comissão de frescos), com apoio de Bibi, Guilherme, João Candido e Miriam Langenbach.
Um relato mais detalhado está sendo preparado e será colocado numa próxima carta semanal.
Apresentamos em anexo registro fotográfico feito por Ruth Freihof (Santa Teresa). A presença de Ritinha (filha de Beto) e Isis (filha de Rafael) foi muito benvinda.