Encontro ocorrido em 12/05/2018 entre Produtores e Cestantes da Rede Ecológica:
“Depois de uma rápida apresentação de cada um e da casa Anitcha, foi a vez da Apresentação da Rede Ecológica. Falamos do passado, do contexto agronegócio x agroecológia, e de nosso funcionamento em geral.
Em destaque na apresentação foi voltada para as vantagens na parceria com a Rede Ecológica:
· é uma compra garantida/ a encomenda saiu e foi recebida, ela vai ser paga;
· é uma compra sem desperdício, definida em números precisos;
· poupa o produtor de estar presente: as feiras muitas vezes têm tirado os produtores da produção;
· pagamento rápido e sem furos/interrupções
· possibilidade de se associar a preço especial (R$ 20,00 para um teto de compras de R$ 500,00), o que pode valer para um grupo inteiro, passando a ter acesso a uma alimentação de alta qualidade por um preço justo;
Duas vezes ao ano compramos sementes da Bionatur, assentamento do MST: Estão para instalar a produção de sementes da Bionatur em outros assentamentos, no ES, MG (onde já há) e possivelmente no Rio de Janeiro. Seria interessante espaços de fomento / capacitação de manutenção das sementes e propagação de sua biodiversidade.
· visibilização dos produtores (no site, produção de filmes e articulação de matérias jornalísticas);
· apoio financeiro quando há necessidade de antecipar para compra de algum equipamento, conserto ou veiculo, sementes, através de um fundo rotativo (sem juros, pagamento através do desconto em produtos a partir de prazo definido conjuntamente);
· apoio a lutas vividas pelos produtores, organizando abaixo-assinados por ex. (caso do assentamento Oswaldo de Oliveira e do Grupo Pedras (os processos de reintegração de posse foram revertidos);
· a redução de embalagens através da compra a granel;
· reaproveitamento de embalagens (vidros, caixas de ovos, bombonas) incorporando com esta prática o desenvolvimento de caminhos e práticas ecológicas /fica mais barato para o produtor, campanha contra os sacos plásticos.
A produtora Suély de Caxias aponta a dificuldade dos produtores entenderem os malefícios do saco plástico. Foi visto que os consumidores também contribuem, já que acabam exigindo.
O exemplo da campanha de eliminação do saco plástico na feira de Campo Grande foi citado, um trabalho conjunto cestantes-produtores.
Bibi aponta a responsabilidade da Vigilância Sanitária, que exige que os produtos orgânicos sejam embalados em plásticos nos supermercados. Por sua vez Mirani (Grajaú) mostra que existem documentos como o Guia Alimentar da População Brasileira que defendem a não utilização de plásticos. Acaba havendo um conflito do Ministério da Saúde com a Vigilância.
* Novíssima contribuição: parceria da Rede Ecológica com a APAC e Capina para viabilização de uma equipe que veja equipamentos para o campo através do reaproveitamento de materiais/ consertos. Ítalo (Faz parte do núcleo de São João de Meriti) – falou sobre a APAC, metalúrgica e associação que fez 30 anos, e que tinha como objetivo produzir implementos, insumos e maquinário agrícola para ajudar os agricultores. O projeto é antigo, mas na época o Governo Collor deu uma sucateada. Agora estão querendo retomar o projeto, em parceria com a Rede Ecológica.
Um assunto trazido espontaneamente durante a apresentação foi o SPG (Sistema Participativo de Garantia): Ana (produtora do CEM) fala dos quintais produtivos, tendo havido abertura para que também se certifiquem. João Pimenta produtor do Serorganico explica que o SPG é um sistema participativo que demanda confiança onde todos do grupo são responsáveis por garantir a qualidade do produto. Se um for pego com irregularidades, todos podem perder.
Ainda parte da apresentação foi o destaque dado à importância dos produtores, pela qualidade de vida e saúde que possibilitam às pessoas da cidade.
A seguir a apresentação do levantamento realizado por João Candido e Bibi, relativo ao abastecimento de produtos frescos (gráficos).
Bibi historia um trabalho realizado pela Comissão de Acompanhamento aos Produtos Secos, em função de sobrecarga no mutirão, separando nossa lista por:
itens essenciais: feijões, arroz, farinha, processados, conservas/salgados, derivados de animais;
itens desejáveis mas não essenciais,
itens supérfluos, que devem ser reduzidos ao mínimo
A ideia é que produtos com muito pouca demanda sejam retirados. João aponta que os processados são importantes para as sobras ou alimentos de estação não se perderem.
No caso dos frescos pensou-se em essenciais: Verduras/folhas, Legumes, Raízes, Frutas. A ideia é que tenha 4 variedades de cada grupo pelo menos garantida.
Tema: maior comunicação entre consumidores e produtores
O Serorganico compartilhou perda de berinjela, quando não estava tendo na Rede. E estão com quase 1 tonelada de batata doce cenoura. O Serorganico está fazendo uma programação de produção, mas seria interessante receber as demandas dos consumidores. Comenta que conseguem produzir mamão “caipira”.
Lucia, uma das produtoras do Serorganico sentiu uma baixa na demanda de polpa de manga, queria entender porque.
Também Ana do CEM aponta a necessidade de receberem retornos relativos à sua produção.
Fica claro que a comunicação entre produtores e cestantes precisa ficar mais fluente.
Proposta: Erika sugere que cada núcleo poderia ter um representante dos frescos para fazer um acompanhamento mais eficaz com os consumidores, repassando seus resultados aos produtores. Um papel central da Rede, em sua opinião, é o consumidor assumir uma relação de responsabilidade para com o produtor.
Tema: Mirani é gestora e consumidora do Grajaú e estão discutindo a passagem do núcleo para compra de frescos semanal (atualmente é quinzenal). Aponta que muitos consumidores que precisam de alimentos semanais acabam criando laços com outras iniciativas, sejam feiras ou grupos de consumo, que enfraquece a proposta da Rede. Os pedidos de secos no Grajaú são bem maiores que os frescos.
Tema: preços altos dos orgânicos
A questão dos preços altos dos orgânicos é apontada por Suély, levando a certa polêmica: seus produtos são sempre vistos como muito baratos, já que os orgânicos puxam para preços mais elevados, e colocar-se fora disto é mal visto pelos demais produtores. Coloca que como formato de produção isto não se justifica. Ela tem um slogan “orgânicos para todos”, que evidencia a preocupação com a popularização destes alimentos.
João Pimenta do Serorganico historia que quando em 2004 quando conheceu a Rede não tinha estrutura. Na época vendendo barato o que era orgânico e correndo para o supermercado para comprar o convencional para suas necessidades próprias. Agora já utiliza os próprios produtos e busca orgânicos em geral. O produto orgânico leva um diferencial de significado, trabalho e de dificuldades.
É apontado por Marcelo (produtor) que há a necessidade de se sustentar da terra, o que eles não conseguem ainda.
Raoni – Esse debate é muito rico. É importante estarmos discutindo soberania alimentar. Custos e custos históricos. Precisamos crescer enquanto articulação para compra coletiva de insumos e abaixar alguns desses custos.
Mirani – Caxias é a região com maior insegurança alimentar. A região da baixada está com esses problemas, mas as periferias do Rio tem a mesma questão.
Houve a pausa para o almoço, delicioso, e que deu oportunidade das pessoas em grupos menores, trocarem experiências.
CONTINUA NA PRÓXIMA CARTA.