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A Participação da Rede nos 30 anos da AMAR – Atores do Mundo Agrícola e Rural - Rennes–Bretanha/França - PARTE 1

A AMAR (Acteurs dans le Monde Agricole e Rural), representada por Gilles Marechal, Sarah , Himene e Stephane, convidou a Rede Ecológica para o seu aniversário de 30 anos, no período de 22 a 29 de setembro deste ano, garantindo todos os custos para uma pessoa, o que foi dividido entre Bibi Cintrão e Miriam Langenbach, nossas representantes.    As duas dividiram uma passagem e a AMAR arcou com os custos de hospedagem, alimentação e transporte. Agradecemos muito por esta oportunidade.

A comitiva brasileira foi composta ainda por: Raoni Lustosa (MST);José Arimatéia (professor professor do Instituto Federal do rio de Janeiro e ex-prefeito de Pinheiral ; Joaquim atuante na secretaria de meio ambiente de Volta Redonda; Patricio (técnico da Emater de Volta Redonda) e Leila Xavier (Conexão das Artes – Anchieta).

Foi o aniversário dos 30 anos da AMAR que ao longo deste tempo tem organizado anualmente chantiers em assentamentos do Estado do Rio de Janeiro, lá deixando sempre uma contribuição concreta, seja de construção ou investimento em algum equipamento. Uma iniciativa ímpar de longevidade e resultados.

Desde o inicio a parceria era com o IDACO (Instituto de Desenvolvimento e Ação Comunitária), sendo que desde 2015 reforçou uma parceria direta com o MST e o Conexão das Artes que se somou à Rede Ecológica.

O MST foi representado por Raoni, com o qual já tínhamos familiaridade, já que morou e atuou por muitos anos no Terra Prometida e, atualmente está no Roseli, de onde vem nosso delicioso leite. Atualmente faz parte da coordenação estadual do MST, ficando responsável pela produção.

Só para situar o Conexão das Artes: Leila Xavier que está a frente, associou-se à Rede Ecológica no Núcleo São João de Meriti, o mais próximo de onde está o centro. Ela tem feito um trabalho de muitos anos de valorização da cultura negra, das mulheres, jovens e crianças, tendo entre suas ações a organização de um cineclube que apresenta regularmente filmes com debates. Começou a realizar filmes, sendo que seu ultimo filme foi  incluido em festival.

Leila tem estabelecido excelentes vínculos com a França, participando durante alguns anos de uma atividade em que um sitio que produz maçãs, doa um dia de sua produção a uma instituição brasileira, no caso auxiliando uma creche, no estado de Pernambuco. Faz isto há 20 anos com muito sucesso: um pequeno grupo organiza um grupo maior, de tal modo que ao redor de 100 pessoas colhem durante um dia toneladas de maças. No fim de semana posterior novo encontro, desta vez com tudo preparado: garrafas com tampas, , espremedores, rótulos, caixas. Tudo flui as mil maravilhas. Novamente ao redor de 70 pessoas completam o trabalho. O dinheiro arrecadado por muitos anos apoiou uma creche no Ceará que se tornou sustentável e a partir de agora irá para o Conexão das Artes e outras iniciativas.

Nestes dias de intercambio vivemos um processo intenso de visitas e trocas, de vários tipos, com agricultores especialmente, mas também com consumidores e o poder publico.

No sábado estivemos na fête des possibles, (festa das possibilidades) uma pequena feira das associações cidadãs e solidárias de Rennes, na qual apresentavam seus trabalhos e iniciativas alternativas. Chamou atenção a quantidade de organizações existentes: cerca de 1.200 para uma população de 30o.ooo habitantes)

A presença de um banheiro seco em praça publica, feito em madeira reaproveitada por um artesão com muita simplicidade e bom gosto, totalmente sem cheiro, quebrou totalmente com o preconceito em relação a este objeto. Vimos em outros espaços públicos o banheiro seco utilizado. Iniciativas relativas a transporte, habitação, criticas a publicidade, hortas orgânicas.

Este artesão ensinou a outras pessoas como confeccionar objetos a partir de madeira reaproveitada.

Tivemos oportunidade de conversar com um dos coordenadores da luta contra os agrotóxicos que é forte na cidade. Ele nos contou como organizam sistematicamente eventos em que trazem agricultores contaminados pelos agrotóxicos, que se seguem a exibição de um filme sobre o assunto. Isto deu ensejo a um convite para estarmos presentes num evento que iria acontecer.

A AMAR tinha uma barraca em que expunha seu trabalho.

No domingo visitamos os “Jardins do Rocambole”, uma horta orgânica e artística de um promotor histórico da agroecologia e dos circuitos curtos na Bretanha. Uma horta multivariada alimenta as duas famílias que moram no sitio. O produtor em questão foi um dos primeiros a entregar cestas orgânicas diretamente a consumidores urbanos, nos anos 1980, sendo precursor das AMAPs, que são grupos de compras coletivas, organizadas por consumidores e que através desta compra apoiam pequenos produtores. Ele se juntou a outros produtores, observando que era muito difícil para um único produtor atender aos requisitos que ele considera básicos: quantidade, qualidade e diversidade havendo regularidade na entrega. Então se especializaram entre alguns produtores e dividiram os produtos entre si.

Na fase atual criou o jardim Rocambole, juntando-se a uma artista plástica, transformando o sitio num espaço de visitação e produção, que autossustenta duas famílias em termos de alimentação. O produtor realiza cursos de formação em relação a jardins e hortas. Foi impressionante a variedade e junto, a criação de espaços e objetos a partir de materiais reutilizados, criando um ambiente de encanto e beleza difíceis de serem vistos.

Outro destaque foi um produtor de hortaliças, oriundo do movimento camponês, que decidiu tentar ter uma ação politica mais concreta. Conseguiu uma área de meio hectare da prefeitura não aproveitada. Começou colhendo frutas silvestres fazendo compota. No segundo ano conseguiu montar uma estufa. Ele mostrou uma grande preocupação em economizar água. Tem uma bicicleta com uma estrutura adaptável à bicicleta, na qual transporta e expõe seus produtos. (continua na próxima semana)