Na madrugada do dia 05 de maio de 2014, centenas de famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST, de todo Estado do Ceará, e das famílias sem terra de 36 comunidades de Limoeiro do Norte, Quixeré e Tabuleiro do Norte, ocuparam a II etapa do perímetro irrigado Jaguaribe Apodi, reivindicando que a área fosse destinada para as famílias de agricultores sem terra e não para as empresas do agronegócio que envenenam, exploram e destroem a natureza na chapada Apodi.
Esta ação de enfrentamento na Chapada do Apodi contra este modelo do agronegócio vem sendo organizado por agricultores, entidades e movimentos sociais e outras formas de resistência, como foi o caso das lutas pela terra dos pequenos agricultores e contra os agrotóxicos, realizadas por Zé Maria do Tomé (através de Associações). Zé Maria foi brutalmente assassinado dia 21 de abril de 2010 a mando do agronegócio por defender terra, água e alimentos livres de venenos. Ele lutava pela proibição da pulverização aérea e por terra para quem nela trabalha. Para homenagear este companheiro que teve sua voz calada, as comunidades batizaram a ocupação com o nome de Zé Maria do Tomé.
Por isso, nós, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e comunidades da Chapada, com o apoio do Movimento 21 (Conlutas, FAFIDAM/UECE, UFC/TRAMAS, CPT Ceará, Cáritas Diocesana de Limoeiro do Norte, STTR do Apodi), ocupamos o Perímetro Irrigado Jaguaribe-Apodi para exigir do Governo Federal e Estadual, o atendimento imediato de nossas reivindicações. O Perímetro Jaguaribe Apodi foi implantado no final da década de 1980, quando ocorreu a expropriação, expulsão e desmantelamento da produção de cerca de 6 mil famílias da região, que antes produziam alimentos e mantinham relações de identidade com o território. Apenas 316 agricultores conseguiram entrar na I etapa do projeto irrigado, destes, 255 foram expulsos, ou seja, o equivalente a 81% de expropriação, segundo estudo realizado pela Universidade Estadual do Ceará/FAFIDAM. Esse processo levou a luta desses agricultores pelo retorno à terra, através da Associação dos Ex-irrigantes Expropriados do Perímetro Jaguaribe-Apodi (AIJA), que foi presidida por Zé Maria do Tomé.
Após a denúncia ao Ministério Público realizado pela AIJA, o DNOCS realizou no ano de 2009, a mando da Justiça, um estudo sobre a estrutura fundiária do Perímetro Irrigado Jaguaribe-Apodi.
O resultado identificou que, dos 10 mil hectares do projeto, 4 mil estão invadidos e grilados, principalmente, por empresas nacionais e transnacionais, que concentram 50% desse total (invadidas e griladas), somente em áreas acima de 100 hectares, são elas: Del Monte (1.223,27); Banesa (356,74); Fruta Cor (284,29) e WG Prod. e Distrib. De Frutas Ltda. (174,46).
O Governo Federal e o DNOCS vêm prolongando há mais de 08 anos a solução desse problema, que para nós significa retomar estas áreas de terras e entregar para as famílias, já que a implantação do referido Perímetro ocorreu dentro de um processo de expulsão de agricultores familiares e camponeses da Chapada.
O mais grave é que além dessas empresas dominarem as terras públicas, o que gera a expulsão de agricultores trouxe para a Chapada um modelo de agricultura que só funciona com muito veneno. Esse modelo denominado de agronegócio se caracteriza pela monocultura e destruição da biodiversidade ambiental, leva ao uso intensivo de agrotóxicos e exploração da mão-de-obra com empregos precários. Esse problema também tem se tornado uma preocupação dos camponeses e da população do Vale do Jaguaribe, em função do alto índice de casos de câncer em municípios dessa região, que é 38% a mais que em outros municípios que não incorporam o modelo de agronegócio, segundo pesquisa realizada entre 2013-2014 pela Universidade Federal- UFC.
O acampamento Zé Maria do Tomé, conta com a participação e apoio de organizações e entidades da classe trabalhadora que vem fortalecendo as lutas e negociações com o DNOCS, Ministério da Integração Nacional, INCRA, Presidência da República, Ministério Público Federal e Governo do Estado. Seguiremos em luta, em defesa da terra, da vida e pela construção da Reforma Agrária Popular! Convocamos toda a sociedade para apoiar a luta dos (as) trabalhadores (as) e camponeses (as) na defesa de suas terras e territórios.
A chapada é nossa!
A chapada e do povo!
TIREM SUAS MÃOS, A CHAPADA É NOSSO CHÃO
Fortaleza, 20 de novembro de 2018
Direção Estadual do MST Ceará
Observações:
O Zé Maria conseguiu que a Camara aprovasse uma lei antipulverização, que foi revogada logo depois que ele foi assassinado.
Atualmente foram feitas 3 tentativas de despejo do acampamento, por enquanto pela força policial do Estado, e foram conseguindo que não fosse efetivada. Desta vez ã execução vai estar nas mãos da Força Nacional, o que promete a execução do despejo. Está nas mãos de um juiz, que ainda não despachou. Se ele não despachar até o dia 20, será adiado para 2019.
*Rio de Janeiro, 07 de dezembro de 2018*
🚩 *Car@s Amig@s do MST,*
Estamos a 2 dias para a realização da 10° edição da Feira Estadual da Reforma Agrária Cícero Guedes no Largo da Carioca/RJ, quando recebemos nesta noite a notícia de que o INCRA não fez o empenho do recurso articulado por uma emenda parlamentar destinada a feira. O que significa que não teremos recurso para executá-la este ano.
Desde julho estamos cobrando do INCRA o empenho da emenda e entendemos que o descaso dessa autarquia já é o início da nova gestão e a crença de que assim potencializam o desmonte da Reforma Agrária.
Entendemos que a feira é de enorme importância, pois promove o diálogo com a sociedade sobre alimentos saudáveis, diante da massificação de agrotóxico em nossas vidas, mais a feira é também a forma que encontramos para apresentar e distribuir a produção já organizada pelas famílias assentadas e acampadas. Por isso, tomamos a decisão de realizar a feira assim mesmo, com todas as dificuldades que serão geradas.
Desta forma, solicitamos que você companhei@, nos ajude a levantar recursos, doando pessoalmente, articulando fontes de financiamento, ou mesmo realizando um empréstimo temporário para que assim consigamos construir nossa tão aguardada 10° Feira Estadual da Reforma Agrária Cícero Guedes. Organizaremos uma vakinha on line também.
Lembrando que hoje nossa feira é contemplada com duas leis da cidade do Rio de Janeiro, sendo a Lei 5999/15 que reconhece como Patrimônio de Interessa Cultural e a Lei 6218/17 que coloca como evento oficial do calendário da cidade.
💰 *Precisamos dos valores abaixo:*
Infraestrutura: R$47.000,00 (tenda, balcão, palco, som, energia, água, cadeira, sala)
Alimentação: R$15.000,00 (para 150 pessoas: café da manhã, almoço e janta)
Transporte: R$14.000,00 (4 caminhões, 1 ônibus, 2 vans)
*Total: R$ 76.000,00*
💸 *Conta para depósito:*
Banco do Brasil
Luana Carvalho Aguiar Leite
Ag 4686-8 Conta corrente 6425-4
CPF 058.058.827-01
📞 21 99823-9624 Luana
📞 21 99568-8848 Raoni
#FEIRAÉPATRIMÔNIO
#ALIMENTARÉUMATOPOLÍTICO
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Att,
Marina dos Santos, Raoni Amaral Lustosa e Marcelo de Souza
Direção Estadual do MST Rio de Janeiro
O Doce Veneno nas Terra do Senhor
reportagem de Roberto Cabrini/Conexão Repórter – SBT
PARTE 1 (veja abaixo ou clique aqui)
PARTE 2 ( clique aqui)
Parte 3 ( clique aqui)