LPC - cadastro internacional

 

 

 

193 países assinaram os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) em 2015. Em 2016, 167 países ratificaram a Nova Agenda Urbana (NUA) – um roteiro para o desenvolvimento urbano sustentável.

O Desafio de Projeto Local (LPC) é um projeto desenvolvido pela Universidade de Columbia (Nova York) em parceria com o Programa de Pós Graduação em Arquitetura da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PROARQ/UFRJ) que busca aumentar a conscientização dos ODS e da NUA, fomentando a divulgação de boas práticas em projetos sustentáveis em todas as esferas da vida: na educação, nas profissões e na sociedade civil.

A galeria de projetos online elaborada pelo projeto, apresenta atualmente mais de 110 projetos elaborados e desenvolvidos em 39 países ao redor do mundo.

O projeto promoveu no ano de 2019 um concurso dos melhores projetos desenvolvidos em cada área que foram escolhidos por voto popular e pela avaliação de um renomado corpo internacional de jurados formado por profissionais, educadores e líderes mundiais. A premiação dos projetos vencedores foi realizada em fevereiro de 2020 no 10ª Fórum Mundial Urbano promovido pela Organização das Nações Unidas.

A Rede Ecológica foi escolhida como uma das instituições que integram o projeto.

Divulguem junto a amig@s!

Preparando nosso próximo encontro da Campanha: Comida de Verdade/cadernos ecológicos

Preparando nosso próximo Encontro!

A comissão de cozinha da Rede Ecológica, integrada por Ana Santos, Beth Bessa, Bibi Cintrão, Denise Gonçalves, Irma Ferreira e Milca Colombo, estão a pleno vapor organizando nosso próximo Encontro, voltado para comida de verdade e território, pensado para início de agosto. O título deve estar saindo brevíssimo.

Faz parte deste Encontro o lançamento de novo caderno ecológico de receitas que será encaminhado para os 7 territórios onde estamos atuando. Estamos pensando em doar estes cadernos, mais enxutos e com uma linguagem mais popular, para os envolvidos com nossas doações. Entretanto a ideia é que a confecção e distribuição seja mais gradativa. Nossas parceiras Jac Carrara e a Coopcarmo, um grupo de mulheres que fazem coleta seletiva há mais de 20 anos em Jacutinga, desde o ano passado, com a bonequinha Tati, sempre com elementos de reaproveitamento. Serão elas as protagonistas da confecção destes cadernos.

Como os cadernos serão doados, pensamos em colocar como uma maneira de cobrir os custos, estes cadernos na nossa lista de compras, a um preço que ajude a custear estas doações. Contamos com vocês!

A coleta de papel deve ficar por conta do núcleo Santa, mais próximo de onde mora Jac. Precisamos destes papéis logo, então se alguém quiser oferecer, pode entrar em contato com o gestor de seu núcleo.

Relato do I Seminário de Agricultura Urbana (parte final)

Paulo Monteiro (FAG): Fala dos primórdios da agricultura urbana e das atividades em Campo Grande, começando a agir junto aos quintais, realizando. atividades com famílias, crianças, através de encontros semanais e isso fortaleceu o território. A Fundação Xuxa, que há poucos anos virou Fundação Angélica Goulart, passou por etapa de busca de novas parcerias, retornando em 2019 com novos projetos. O trabalho envolve práticas sustentáveis com crianças, trabalhando o cuidado com a terra, focando trabalhos com composteiras de cilindro. Pegam o resíduo orgânico da Fundação, de escolas parceiras e de jardins. O projeto Práticas sustentáveis se reúne 2 vez na semana, realizando além da compostagem, captação de água da chuva, coleta seletiva, e hortas agroecológicas com as crianças. Temos uma colheita semanal que as crianças.levam para casa, como uma complementação da alimentação familiar.

Vamos acolhendo famílias que fazem seus plantios nos seus quintais, muitos têm replicado isso com seus vizinhos. A FAG sempre fez esse acompanhamento das famílias em hortas do território, como a Horta da Brisa, realizando mutirões. Na pandemia tem dado mais atenção aos plantios. Lançaram campanha de captação de recursos para famílias de Pedra de Guaratiba – O Rio contra o corona. Chegamos a 2.000 famílias recebendo cestas. E através do apoio da Rede Ecológica estamos conseguindo complementar essa cesta com alimentos frescos de agricultores aqui da Zona Oeste. A segunda entrega será dia 26 onde serão entregues 300 cestas. É importante não só entregar o alimento, mas.é bom falar do carinho que os agricultores têm, vendo o tempo certo do plantio, da colheita, o transporte, a logística. Com o fechamento das feiras houve a dificuldade para o escoamento desses alimentos. Estão colocando receitas de como utilizar a chaya e outros alimentos. Não conseguimos atender todas as famílias, mas estamos conseguindo entregar um alimento diferenciado.. Tem sido uma felicidade muito grande acionar um agricultor e ter o retorno de que não tem determinado alimento, pois já comercializaram para outro grupo.

Márcio assinala: como uma organização como a FAG, que atua no campo de assistência social consegue realizar um trabalho emergencial, mas também um trabalho estruturante de organização do abastecimento alimentar das famílias. E isto tem a ver com o que a Rede Ecológica vem construindo, estimulando o plantio nos quintais, trazendo autonomia em sua produção e participem da ocupação de espaços públicos para plantio. A FAG tem um espaço físico e se organiza para ter experimentação de tecnologias sociais, irradiando-as.

Tem vários comentários do público presente no seminário, valorizando estas práticas, enfatizando um novo paradigma, e a importância da juventude neste processo. Claudemar mencionou que em Petrópolis, a Fiocruz Fórum Itaboraí inicia atividade de promoção de Agricultura Urbana com ênfase na agroecologia inspirado na Rede CAU.

Márcio destaca o diferencial das entregas de cestas agroecológicas, que tem a ver com saber a origem dos alimentos, a garantia de qualidade e ao mesmo tempo apoiar agricultores que perderam as feiras, escoando sua produção, articulando em rede.

Marcelo Silva (CEM) (estava em atividade em Vargem Grande colhendo jaca para futuro processamento).Traz uma visão um pouco diferente da agricultura urbana, focada na disputa de território. Ana faz um trabalho com as mulheres e eu com os homens. Nós temos uma área de 2 hectares que estamos disputando, buscando mostrar para as pessoas que aquela área tem valor, que é possível produzir. E acolher também a visão desse morador como o senhorzinho que me diz que não quer vender, só quer plantar para consumir porque gosta. Ana consegue mover 10 a 20 mulheres, em muitos temas. A Agroecologia também tem que ser catequista na favela. Cita rap favela vive “eu não sou de passar pano quente, prefiro pegar fogo”. Agradece a todos, especialmente a Berna e a Rede CAU..

A ação de doação tem mudado muito, não é apenas doar, mas tocar no coração, articular forças, movimentar a rede de mulheres na favela. A doação do alimento cativa as pessoas a se interessarem por plantar.

Marcio: Marcelo traz a visão da favela, com o estado ditando as regras e temos que ser a resistência. O governo, tenta apagar a realidade da agricultura, principalmente a agricultura urbana. Precisamos do resgate de outros valores, o que o Cem tem feito reconstruindo seu espaço, irradiando valores importantes para comunidade.

CAC (Rafael Moura)
São João de Meriti, maior densidade demográfica do Brasil, 13 mil hab por km².

O Centro nasceu em 1987 e sempre desenvolveu projeto de cultura, alimentação, sendo uma escola comunitária para crianças entre 3 e 6 anos. Lá tem uma biblioteca com leitura para crianças em alfabetização. Projeto de Educação Ambiental, a partir da compostagem dos produtos do quintal, trabalhados entrelaçados com a alfabetização. Lá tem Curso de formação continuada, com a UERJ, tem parceria com a prefeitura, UFF, AMAR, e Rede Ecológica. Atualmente entrou na campanha da Rede com uma proposta de implantar uma horta comunitária envolvendo 10 famílias do entorno da escola, recebendo em troca quinzenalmente cestas agroecológicas. A área que temos é grande, e a compostagem é muito importante, tendo sido instalada no quintal. Para as crianças é oferecida uma oportunidade de entenderem todo o processo do alimento até o prato, além de ser uma sensibilização das famílias que participam desse processo.

SIM eu sou do Meio (Débora Silva, coordenadora do projeto)
Esta experiência com a campanha está sendo muito nova, possibilitou conhecer as Mulheres de Hydra. Trabalho com mulheres que sofrem violência dentro do território. Ganhamos neste momento um terreno pra fazer um trabalho de horta urbana, e isso veio através do contato das mulheres do campo e das mulheres do.território. Aprendemos muitas coisas sobre plantio, sobre os chás, preparação dos produtos. Essa troca tem sido muito incrível!

Belford Roxo está em primeiro lugar em vulnerabilidade social, e por isto para nós comermos frescos orgânicos é uma realidade.muito distante, “coisa de rico”. São 70 famílias que estão sendo atendidas, famílias com até 10 crianças em casa. Isso traz uma perspectiva diferente do que é o campo. Mulheres ficaram muito impressionadas com a agricultora de vestido e bota cheia de terra. Há uma troca humana que possibilita a sensibilização, tem mudado a mente das participantes. Empoderamento do reconhecimento do território. Débora se sentiu escutada pela Rede Ecológica, através de Claudete. Quem trabalha na ponta lida com as pessoas que não tem o que comer, sofre em não poder atender a todos. A Rede proporcionou esse afeto e cuidado, o sentimento de elos que vão permitindo ampliar a visão do território e dão esperanças de um território melhor. Esse é um trabalho de afeto, amor, com um papel político dentro do território, que tende a dar certo. Belford Roxo não será o mesmo de antes da pandemia, não queremos voltar pro normal, queremos mais e melhor. Estou com muitas expectativas de coisas boas.

Márcio fala dos comentários no chat de como o relato de Débora foi comovente. Participantes como Sarah Rubia fala na Feira da Roça de Vargem Grande, e de como os produtores se organizaram para fazer entregas, e aumentaram suas vendas. Querem tornar este sistema definitivo, o que vai fortalecer os agricultores. Muito importante a conscientização da luta pela permanência no território, e fazer parte de um coletivo torna mais fácil vencer. Alguns agricultores já estavam desistindo de plantar, e com o reconhecimento da agricultura familiar como fornecedor de alimentos seguros durante a pandemia, voltaram a se estimular.

Amanda Xavier fala do Clube EFC Rio que tem por finalidade discutir temas emergentes da cidade do Rio de Janeiro a partir de um trabalho cooperativo entre diferentes atores envolvidos na produção agroecológica. Iniciaram um grupo do Bem Viver Alimentar. www.clubeefcrio.com

Projeto de Desenvolvimento Sustentável Oswaldo de Oliveira (Silvano Leite da Silva)
Luciana Oliveira fala que apesar de ser uma agricultora rural, que dialoga com a agricultura urbana. Estamos na Fazenda Bom Jardim desde 2009 – 2010 e hoje vivem nestas terras 63 famílias. Numa área com preservação de mata atlântica. Estamos produzindo agroecologia, alimentos saudáveis e comercializamos na Feira da UFF, Feira Cícero Guedes, Armazém do Campo. Estamos sob despejo aqui no PDS. São 104 hectares de áreas produtivas, no trabalho coletivo é respeitada a paridade de gênero, tem um acordo coletivo com as pessoas da comunidade. São 63 famílias organizadas em 7 núcleos familiares, cada um com coordenador e coordenadora. A agroecologia tem que ter o respeito de gênero, sexual, religioso.Temos participado da campanha “Nós por Nós” atendendo as.comunidades vulneráveis. Aqui em Macaé temos.ajudado algumas das comunidades com a ajuda da Casa Caminho e da Rede Ecológica. A agricultura urbana não difere muito da agricultura rural, o que muda é o acesso a terra. Nesse país a concentração de terra é muito grande. Se tiver a reforma agrária teremos terra para que a agricultura urbana vire agricultura rural. Estamos aqui pra respeitar o meio ambiente.

Mara Bonfim de Vargem Grande fala da importância de alimento sem agrotóxico, um alimento que nos fortalece como pessoa, nos traz mais força pra lutar nessa pandemia, e nos faz conhecer a alimentação a que não tínhamos tanto acesso. Claudemar Mattos informa que em breve a plataforma Agroecologia em Rede vai estar no ar para que todas as pessoas mapeiem e sistematizem suas experiências. Convida a todos participarem.

Bernadete Montesano
Outras formas de se organizar tiveram que ser pensadas. A entrega de cestas foi muito importante também, na zona oeste em várias feiras, a de Campo Grande, Vargem Grande e Freguesia. Fizemos reuniões online com os agricultores, foi um desafio, mas necessário para essa reorganização. Tem CSA e através da Rede Ecológica foram escoadas 3 toneladas de venda de caqui, principalmente da Agroprata. Foi uma resposta incrível para essa dificuldade de escoamento que tivemos.

“A palavra afeto perpassou em nosso encontro. A cidade é o meu quintal, é minha por mais difícil que sejam os desafios, aqui que quero plantar e colher esses amigos, pessoas e relações.”

Márcio
Acontecimentos atuais nos fazem repensar nossa vida enquanto sociedade, nossas relações entre pessoas, com o meio ambiente, com as produções agrícolas. Vimos que a pandemia é seletiva, quem mais sofre são as.pessoas em vulnerabilidade social. Os burgueses que deveriam morrer, tem acesso a saúde de qualidade e continuam a propagar esse sistema excludente. Precisamos reafirmar nossa força, nossas experiências, e ir encontrando outras formas de resistência. Com o passar da pandemia vai aumentar a pressão sobre o trabalhador. Quando a feira se reinventa, é uma mudança importante para os agricultores, redes ficam mais fortes. A pandemia não traz soluções, trás ainda mais o peso para as costas de pessoas mais pobres, o caminho é radicalizar sobre as iniciativas de resistência, como o cultivo de alimentos nas comunidades diversas. Como podemos fortalecer. A luta de classes continua e fica cada vez mais acirrada.