A FAG fala de suas atividades

Um terceiro território que está na Campanha, é a Fundação Angélica Goulart, que mostra sua proposta através de entrevista realizada pela jovem comunicadora comunitária Vitória Pereira junto a um dos gestores, Paulo Monteiro (FAG).

O CEM e suas ações na Serra da Misericórdia

Apresentando mais um território muito significativo para nós, já que são produtores nossos que os animam. Estamos falando do CEM que nesta matéria relata muito bem como estão organizados e atuando.

No blog O Joio e o Trigo, Juliana Dias fez uma interessante matéria relatando como no Rio de Janeiro, organizações da sociedade civil doam comida de verdade, fortalecem a agricultura urbana e a luta pelo direito à água por meio da educação popular.

Do texto extraímos a fala de Ana Santos, do CEM:

“A pandemia escancara, revela todas as desigualdades sociais, todas as violências da favela, em especial para mulheres e as mulheres negras”, afirma Ana Santos, uma das cofundadoras do Centro de Integração na Serra da Misericórdia (CEM).

Desde 2011, a organização trabalha com promoção da soberania alimentar e agroecologia na favela Terra Prometida, no Complexo da Penha, entre a Vila do Cruzeiro e Chatuba, na Serra da Misericórdia. A serra localiza-se entre as baixadas de Inhaúma e Irajá, abrigando 26 bairros, como Penha e Olaria, na zona norte do Rio de Janeiro.

Em parceria com a ONG ASP-TA, o CEM articulou o “Arranjo da Penha”. O objetivo é promover agricultura urbana, alimentação saudável e as culturas tradicionais locais em quintais e áreas coletivas e impulsionar o debate sobre agroecologia e saúde no território com mulheres e crianças.

 “A gente não tinha nenhum trabalho de assistência. Ele se dá com a necessidade da pandemia. Nosso trabalho era todo mesmo com a agroecologia, aqui no território”, explica Ana, que é agricultora urbana e educadora popular.

Desde o início da quarentena, ela atentou para o crescimento da ocupação de famílias na Serra. Sem ter como pagar o aluguel e sem emprego, a solução encontrada por moradores do Complexo e de outros territórios é construir barracos em busca de abrigo e moradia.

Ana calcula o crescimento de cerca de dez novas ocupações por dia, em comparação ao que observava antes de março, em torno de uma por semana. E, nesse novo cenário, o CEM busca fortalecer o sentido político de morar e plantar na favela.

O primeiro passo foi fazer um processo de escuta, descendo as escadas da comunidade com cartazes sobre a doença, os sintomas e como preveni-la. Os moradores pediam para colocá-los nos bares, na igreja e nos postes. Também foram utilizadas as peças da campanha de comunicação “Se liga no Corona!”, criada por coletivos de comunicadores da Favela da Maré em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz).

Para Ana, a principal colaboração na quarentena viria, principalmente, das ações de comunicação. Assim como o Cedac, uma das primeiras demandas do CEM foi ajudar a fazer o cadastramento para receber o auxílio emergencial. Ainda não estava evidente para a educadora que havia a necessidade de comida, pois a igreja é uma das instituições da favela que faz o trabalho de assistência social com regularidade.

“O despertar da necessidade de doar alimentos veio a partir dessa comunicação, de escuta, acolhimento e informação sobre a covid”, explica Ana, ao contar que começou a receber pedidos de cestas básicas. O auxílio emergencial demorou a chegar e, com isso, vieram relatos como “se a gente dependesse desse auxílio, a gente morria de fome”.

Segundo a pesquisa “Coronavírus – Mães da Favela”, divulgada pelo Instituto Data Favela, uma iniciativa do Instituto de pesquisa Locomotiva e da Central Única das Favelas (Cufa), nove em cada dez mães moradoras de favelas têm dificuldade para comprar comida após apenas um mês sem renda.

As favelas brasileiras abrigam 5,2 milhões de mães, com média de 2,7 filhos cada uma. No Brasil, aproximadamente 13,6 milhões de pessoas moram em favelas e 67% dos moradores são negros, segundo dados do Data Favela, em pesquisa feita com 261 mulheres com filhos em 260 favelas no país, no final de março.

Os gastos em casa aumentaram em 76% para as mães cujos filhos estão em casa. De acordo com o estudo, 37% das mães que vivem em favelas são autônomas e somente 15% têm carteira assinada. A pandemia reduziu a renda de oito a cada dez mães e mais de 70% delas afirmam que a alimentação será prejudicada pela ausência de renda. Ainda, 92% temiam dificuldades para comprar comida após um mês sem renda.

Foi a partir dessa realidade que o CEM, junto com a Rede Ecológica mobilizou campanhas de solidariedade com vaquinhas e depósito bancário para ampliar as doações, oriundas da Feira Orgânica de Olaria, a Feira Agroecológica da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e o grupo Terra Prometida, em Caxias.

“A gente começa a ter uma cesta mais política, para que as pessoas vejam a importância da agricultura urbana”, avalia Ana. Para a educadora popular e agricultora urbana, esse caminho faz mais sentido para refletir com a comunidade sobre morar e plantar no território.

“Como colocar primeiro a consciência – que não é quantidade, mas a qualidade – quando tem um monte de gente querendo, necessitando daquela cesta?”, questiona.

Esse foi um dos desafios para montar as cestas de alimentos priorizando a agricultura urbana. E, a partir desse processo de amadurecimento, surgem novas estratégias para comunicar sobre os sistemas alimentares saudáveis e sustentáveis.

É na conversa com os moradores que Ana demonstra que, quando se compra diretamente do mercado, quem tem muito é abastecido. Mas quando a compra é feita com as famílias agricultoras a mesa é alimentada com comida sem veneno, fortalece a saúde, principalmente em tempos de covid-19, e também quem produz alimentos agroecológicos. “Isso foi muito forte e, aí, você vê como a favela é solidária”, diz.

As cestas são doadas a cada 15 dias e quem recebe repara na diversidade dos alimentos cultivados pela agricultura urbana. A primeira construção política na pandemia se deu pelas cestas, ao estimular a reflexão de que o se come pode fortalecer agricultores e agricultoras que conhecemos pelo nome, que o alimento pode ser mais saboroso e trazer à memória o gosto da terra-natal de muitos moradores.

Comentários como ‘Dona Ana, que aipim é esse?’, ‘olha, esse aipim derrete’ e ‘a batatinha roxa que vai para o prato vai também para debaixo da terra’ são alguns dos áudios que Ana recebe por WhatsApp.

De uma ação que inicialmente surgiu para atender a necessidade da fome, o debate se amplia para os direitos à terra, à água e à alimentação adequada e saudável.

Ana avalia que a organização deve manter essas ações de solidariedade mesmo após a pandemia, pois não pretende perder o lugar que passou a ocupar junto com a igreja e o tráfico, em busca de diálogos intersetoriais e plurais para alcançar mais pessoas.

Ela diz que os movimentos sociais estão reaprendendo a agir com as bases. O planejamento e a ação passam a ocorrer ao mesmo tempo, assim como o acolhimento do voluntariado que chega para a construção dos novos projetos.

“Eu, primeiro, preciso me reunir com a base, porque é com a base que eu faço a ação, é com a base que o movimento vai se dar. Se eu jogar a bola e elas [as mulheres] não receberem, não adianta eu construir grandes projetos, grandes ações”, reflete.

A doação de cestas é feita com alimentos agroecológicos, principalmente do estado do Rio de Janeiro por meio de doações em conta bancária. As entregas são quinzenais e atendem cerca de duzentas famílias cadastradas para que a equipe consiga manter as demais atividades, como o plantio de mudas.

Há a perspectiva de fazer em estudo em parceria com o Instituto de Nutrição da Uerj para entender o que mudou na vida das famílias com a cesta, desde as finanças, as práticas alimentares e o engajamento para fazer um trabalho e acompanhamento, escuta e trocas.

No mês de junho, a ação contou com o apoio e parceria da ASP-TA que, que por um edital da Fundação Banco do Brasil, obteve recursos para investir em três mil cestas agroecológicas para os estados do Rio de Janeiro, Paraná e Paraíba, sendo mil para cada região.

Os alimentos foram adquiridos da agricultura familiar urbana, camponesa, como da Associação de Agricultores Biológicos do Estado do Rio de Janeiro (Abio) e o sítio Canaã, em Magé, e de assentamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST).

No Rio, a articulação também contou com a ONG Verdejar e o Levante Popular da Juventude, que lançou, junto com o MST, a campanha “Nós por Nós contra o Coronavírus”. Essas organizações se mobilizaram para acolher os alimentos, organizar e entregá-los nas comunidades.

A cesta foi montada com frutas da época, legumes, hortaliças e folhosas, arroz, feijão, farinha de mandioca, pães artesanais, sabão caseiro e água sanitária. A logística foi realizada na Arena Carioca Dicró, na Penha, e depois seguiu para as favelas.

Antes da quarentena, nas férias escolares, o CEM promoveu uma colônia de férias com visitas à Fazendinha Agroecológica, no município de Seropédica, trilhas ecológicas dentro da Serra da Misericórdia, oficina de plantio e de culinária. Com o início do período letivo, a ideia era continuar atendendo as crianças com um projeto de leituras agroecológicas, tendo como demanda ensiná-las a ler.

No entanto, as atividades tiveram de ser interrompidas em função da pandemia. O trabalho seguiu, então, com as mulheres, por meio de encontros virtuais, bate-papos sobre autocuidado, tema escolhido para trabalhar em 2020.

“Porque a gente sabe o que é cuidado, a mulher está sempre cuidando do outro, mas autocuidado foi uma palavra que despertou nelas. Então, vamos pensar na gente? Não é egoísmo. Toda vez que a gente pensa na a gente, a gente está mais forte para fortalecer a outra”, comenta Ana.

O partir dessas trocas, surge uma nova forma de atuação nos quintais das casas. Antes, eram feitos mutirões de plantio. Agora, os moradores recebem doação de sementes, estacas e adubos para plantar.

A mineira Sandra Regina, mãe de dois filhos jovens, é uma das mulheres que teve a renda reduzida. Há 26 anos, ela mora no Complexo da Penha e se voluntariou para ajudar nas doações de cestas e no preparo das refeições.

Ela conta que tem aprendido com Ana novas receitas, como carne de jaca e maionese de banana, que já substitui a manteiga. Entre os novos aprendizados, descobre a possibilidade de estimular a comunidade a plantar hortas e comer de forma mais natural.

“Eu só chegava em casa [depois do trabalho como empregada doméstica na Ilha do Governador] para dormir. Para mim, estar no projeto é muito gratificante. Estou ajudando a comunidade e as pessoas que precisam”, conta Sandra, que revela que essa é a primeira vez contribui com um projeto social.

As mulheres também se organizam em mutirões para capinar, limpar e pintar escadas, além de participarem das rodas de conversas virtuais semanalmente. Cerca de dez se juntaram ao grupo do CEM durante a quarentena e já formam um grupo de 25 moradoras.

Da roda, fazem parte evangélicas atuantes, esposas de presidiários e de homens que estão no narcotráfico. Para Ana, o encontro permite uni-las e despertar a sensibilidade para perceber a outra.

“A solidariedade partiu de uma maneira tão forte que ela já não enxerga de onde você vem, nós estamos um do lado do outro. É essa política de solidariedade”, comenta.

Em parceria com o Grupo de Trabalho de Mulheres da Associação de Agroecologia do Rio de Janeiro (GT da AARJ) foram doadas as “Cestas Cuidar-se”, um kit de cuidados com homeopatias, tinturas, pomadas, óleo de massagem e mudas de ervas medicinais oriundas de quintais produtivos agroecológicos para multiplicação de receitas; máscaras de algodão para proteção; sabão em barra ecológico e sabão em pó, ambos produzidos a partir do mamão verde, além de um caderno com orientações de acolhimento.

Os itens da cesta são feitos regularmente por mulheres. De acordo com informações do GT da AARJ, muitos já são confeccionados de forma solidária e distribuídos nas redes de proximidade delas. A iniciativa garante escala e viabilidade econômica em um período crítico onde muitas pessoas veem uma redução no escoamento de produtos.

O engajamento no CEM mostrou para Sandra outros caminhos possíveis para enfrentar a luta das mulheres na favela. Entre os planos para o futuro, ela quer fazer uma horta no quintal e, na frente de casa, abrir um espaço para acolher mulheres para gerar renda e colocar em prática o que aprende no CEM.

“Está sendo uma experiência gratificante. Estamos distribuindo carinho, amor e a atenção que a comunidade precisa. Não adianta esperar do governo de fulano”, ressalta Sandra.

A educadora Ana observa, ainda, que o atual cenário apresenta outras formas de trabalho no território. As mulheres que fornecem quentinha para a equipe recebem pelos serviços, como também a juventude que faz a cobertura jornalística dessa atuação na favela com o apoio da Juventude Agroecológica da Rede de Agricultura Urbana do Rio de Janeiro (RedeCau).

“Por que não pensar uma cisterna de água?”. Esse foi um questionamento feito por moradoras a partir do sentido político da solidariedade. Segundo Ana, a quarentena é excludente e faz os moradores refletirem sobre a desigualdade social, o racismo, a falta de água, a ausência do governo.

“Com a crise, as desigualdades gritam, berram. Não sobe ninguém do governo para doar cesta, mas sobe a polícia para matar. Então, é muito forte. A gente percebe a ação do governo a partir da ação policial”, afirma Ana.

A demanda da cisterna para a comunidade colaborou com essa tomada de consciência. O Grotão terá um reservatório de água porque a população será responsável e, por isso, começa a ter voz. O CEM lançou a vaquinha virtual e, em 11 dias, a organização conseguiu arrecadar 49 mil reais, a meta era 29 mil. A campanha contou também com apoio internacional.

Além da possibilidade de armazenar água, a cisterna traz um impacto na geração de renda das mulheres. São elas que farão a gestão do projeto, desde a coordenação, contratação de profissionais da favela para a obra, incluindo mulheres para o fornecimento do serviço de alimentação,a juventude da comunicação para divulgar a ação, o fortalecimento do plantio e da agricultura urbana sem veneno.

E, se tem água, tem também o quintal produtivo. A cisterna vai captar água de uma nascente da serra e a construção será feita sob a supervisão de uma engenheira ambiental.

“O governo não percebe esse espaço como potência de produção agrícola, mas como potência para ação de uma mineradora”, destaca Ana.

O CEM já tem planos para a vida na favela pós-pandemia. Com a inauguração da nova sede, será criado o “Espaço Mulher” para trabalhar com agricultura urbana, autocuidado, produção de ervas, xaropes, oficinas culinárias em um fogão à lenha e também com atividades culturais como cinema. Também está previsto o lançamento de uma feira cultural.

Nos muros serão feitos grafites para contar as narrativas e os frutos gerados pelos encontros, reencontros e aprendizados com os modos de viver nos territórios.Também há planos para fortalecer a frente de comunicação do território com jovens e mulheres.

“O povo tem a força, só precisa descobrir. Se eles [nos governos] lá não fazem nada de lá, nós faremos aqui. E produzir nossa comunicação é muito importante, porque, senão, a gente sempre vai ser invisível. O vírus é invisível, mas tudo que nos ataca é muito visível e, se não for relatado, a gente é só mais um”, conclui Ana.

No contexto atual, os grupos que atuam pelo fortalecimento do sistema neoliberal, de crise em crise, aproveitam-se das fragilidades para reafirmar narrativas como indispensáveis e verdadeiras em detrimento de outras formas de conhecer e pensar o mundo.

Contudo, o contra-poder, as contra-narrativas – como as experiências do Cedac e do CEM -, reafirmam as contradições do neoliberalismo e apontam as inter-relações implicadas para enfrentar a urgência da fome por meio da educação e comunicação popular.

Em meio ao urgente, essas experiências demonstram que, ao mesmo tempo em que se garante comida de verdade, busca-se garantir a vida, a dignidade, os modos sustentáveis e saudáveis de produzir alimentos e o reconhecimento da sociobiodiversidade nos territórios.

Para colaborar com o Mutirão Solidário
Banco Bradesco
Agência 0814
Conta Corrente: 75027-1
CNPJ: 30.479.869.0001-21

Para colaborar com os projetos do CEM
Acesse o site da campanha de doação “Campo e Favela de Mãos Dadas contra o Coronavírus e a Fome: A Rede Ecológica ampliando o acesso à Comida de Verdade”.

Além disso, no próximo sábado, dia 18 de julho, o CEM lança a campanha do “CozidoAgroecológico”. O prato será vendido a R$ 20 reais pela internet para ser servido às famílias cadastradas na organização. A renda do cozido será revertida para o Espaço Mulher, que será inaugurado até o final de julho, e contribuirá para amadurecer o trabalho de geração de renda das mulheres. No local, o prato será vendido a R$ 15. Para apoiar, acesse aqui.

É possível ajudar, também, a campanha de doação “Campo e Favela de Mãos Dadas contra o Corona Vírus e a Fome: A Rede Ecológica ampliando o acesso à Comida de Verdade”. Apoie aqui
(http://redeecologicario.org/campanha-de-doacao-sou-amigao-da-rede/).

Veja a matéria completa no link:
https://ojoioeotrigo.com.br/2020/07/sem-governo-e-corporacoes-solidariedade-politica-se-espalha-pelo-rio/?fbclid=IwAR2914OFIBHgEBSFXCQE2yB96SReN6vHbV2wzwyaUDft88c8CkkCbClj9Bo

A Articulação do Plano Popular das Vargens inicia suas atividades

Um território que inicia seu protagonismo na Campanha Campo e Favela de mãos dadas contra o corona e a fome é a comunidade Santa Luzia, na região de Vargem Grande. O núcleo Vargem Grande, através de Annelise Fernandes, Brigida Ruchleimer e Mariana Bruce fazem o acompanhamento deste trabalho comunitário, sob a liderança de Mara Bonfim (foto). Agente comunitária de saúde, estudando serviço social, aposentada, se sensibilizou com a situação vivida pela comunidade. Praticamente não conhecia nem interagia com as pessoas de lá, apesar de morar perto. Tomou a frente de conseguir cestas que atendessem às pessoas mais necessitadas. Inseriu-se na Teia da Zona Oeste, de quem tem recebido alimentos e também no grupo Movimenta Caxias.

A Rede Ecológica está iniciando a distribuição de 18 cestas, até o mês de setembro, e estamos nos movimentando para estender o trabalho para mais tempo. Depende de nossa campanha no Brasil e exterior ir se consolidando.

Pensou-se em 18 famílias que tenham interesse em agricultura urbana, consolidando um trabalho para além do assistencialismo. Há a perspectiva, junto a uma igreja, de espaço com potencial para uma horta comunitária.

A comunidade tem um problema de afluxo de água, inundando boa parte das ruas, o que também ameaçaria a horta. A ideia é fazer uma horta suspensa.

A seguir apresentamos uma matéria que fala da ameaça de remoção de milhares de famílias exatamente desta comunidade, sendo o argumento a questão das águas e da inundação. Buscando um melhor entendimento junto a Mara, ficou claro que a comunidade se organizou e levou a situação para a Defensoria Pública, com pedido de intervenção por parte do Ministério Público e junto a Secretaria de Habitação, para que não desenvolvam ações de remoção. Menciona como origem desse desequilíbrio, a construção de prédios novos que bombeiam muita água para a comunidade, assim como a TV Record, que fechou uma saída de água que havia. Seria importante que medidas fossem tomadas por parte da TV Record e destes prédios.

 

Segue a matéria:

Neste momento, a prefeitura do Rio, junto à polícia militar, estão no território da comunidade Santa Luzia em Vargem Pequena informando aos moradores que eles terão que sair de suas casas o mais rápido possível.

A prefeitura está oferecendo apenas R$ 400,00 (voucher de aluguel) aos moradores que estão sob ameaça de despejo. Em torno de 3500 famílias estão ameaçadas de remoção. Trata-se de uma grande violação dos direitos humanos dos moradores de favelas!

O (des)governo de Crivella, além de não se preocupar com a vida das pessoas promovendo uma reabertura precoce dos serviços e atividades na cidade, ainda quer deixar os moradores de favelas sem casa em plena pandemia de covid-19.

Como sempre, a prefeitura já começa a fazer tortura psicológica sobre os moradores dizendo que “se eles não aceitarem sair, ficarão sem nada”. Isso é TERRORISMO DE ESTADO!

A comunidade Santa Luzia existe há mais de 50 anos e, além de possuir concessão real de uso da terra, é também uma Área de Especial Interesse Social (AEIS), destinada à moradia popular. Ao ameaçar a comunidade de remoção, a prefeitura desrespeita a legislação vigente. A comunidade está sofrendo pressão dos condomínios de elite e empreiteiras interessadas na região.

Compartilhem e nos ajudem a denunciar mais essa atrocidade da prefeitura!

SANTA LUZIA FICA!

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